O amor não se diz; faz-se, burila-se e embala-se.
António Coimbra de Matos
Transformação é a palavra-chave. Na vida ou há desenvolvimento ou instala-se a decadência. O estacionamento é uma ilusão. Nas palavras de Cervantes, “A estrada é sempre melhor que a estalagem” (António Coimbra de Matos)
sábado, 17 de março de 2012
quinta-feira, 15 de março de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
Pedrinha (Da Novidade, Diferença ou Mudança)
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa. Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa. Tome outros ônibus. Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos. Veja o mundo de outras perspectivas. Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros. Viva outros romances. Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo. Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua. Corrija a postura. Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias. Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor. A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações. Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria. Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários. Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares. Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes. Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias. Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores. Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus. Mude. Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano. Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo. E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez. Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa. O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda! Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários. Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares. Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes. Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias. Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores. Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus. Mude. Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano. Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo. E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez. Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa. O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda! Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!
Edson Marques (E um pedido de desculpa por a autoria do poema ter sido atribuida a Clarice Lispector)
Etiquetas:
Curiosidade,
Desenvolvimento,
Experiência,
Personalidade,
Psicanálise,
Psicoterapia,
Relação Terapêutica,
Relações,
Saúde Mental,
Terapia,
Transformação,
Vida,
Vivência
quinta-feira, 8 de março de 2012
Pedrinha (Do Direito de Ser)
To be nobody but yourself in a world that’s doing its best to make you somebody else is to fight the hardest battle you are ever going to fight. Never stop fighting.
E.E. Cummings
quarta-feira, 7 de março de 2012
Estereótipos e Preconceitos
Os estereótipos são representações mentais de grupos sociais, ou seja, um estereótipo acontece quando atribuímos automaticamente certas características psicológicas gerais a grandes grupos humanos. Funcionam como uma espécie de correspondência imediata entre etiquetas psicológicas (ex: brancos, negros, homens, mulheres) e os indícios mais salientes dessas etiquetas.
Os estereótipos começaram por ser encarados como um escape para tendências agressivas ou como projecção das nossas fantasias indesejáveis nos outros, ou ainda como sintoma de certas personalidades ligadas ao racismo, ao autoritarismo ou à xenofobia. Depois, algo evoluiu na sua concepção. Desde então, Lippman é considerado o precursor da concepção contemporânea dos estereótipos e das suas funções psicossociais. Para ele, a origem dos estereótipos prende-se com a necessidade do ser humano em categorizar (e com uma tendência para a simplificação). Na prática, estas estruturas cognitivas não só categorizam, como influenciam o nosso processamento de informação, a percepção social e os comportamentos interpessoais (entre indivíduos) e intergrupais (entre grupos). São-nos transmitidos pelos agentes de socialização (pais, escola, comunicação social), o que explica o consenso relativamente a um dado estereótipo dentro de uma mesma sociedade.
Embora os estereótipos sejam naturais e instintivos, eles constituem os aspectos cognitivos que estão na base da atitude preconceituosa. O preconceito vai “mais além” que o estereótipo. Um preconceito refere-se fundamentalmente a um pré-juízo (ou pré-conceito) elaborado por nós antes de ser recolhida informação relevante, ou seja, é baseado em evidências inadequadas ou mesmo imaginárias. Ele surge quando os estereótipos se associam a um sentimento, positivo ou negativo, condicionando muitas vezes a atitude do sujeito e levando-o a adoptar uma posição a favor, ou contra, sem qualquer evidência factual. Assim, pode dizer-se que o preconceito acaba por tornar uma categorização natural do mundo físico num rótulo de significado afectivo desadequado, uma mera generalização.
Como disse Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Sabemos que, inevitavelmente, o Homem gosta de tentar simplificar o que é complexo. Aplicar “rótulos” é uma forma de o fazer. Felizmente, os estereótipos não são impermeáveis às mudanças sociais e, aos longos dos tempos, a alteração de alguns estereótipos (e o fim de alguma ignorância) tem acabado com certos preconceitos (em relação à diferença de sexos, de raças, entre outras questões). Einstein disse, com razão, que era difícil, mas não impossível…!
quinta-feira, 1 de março de 2012
Pedrinha (De Freud, o "abre-caminhos")
Permitindo-se levar a sério e compreender cada palavra, cada fantasia, cada mentira (verdade esquecida, para o poeta Mario Quintana), Freud estava dando um recado para o século: é necessário ouvir as crianças. Assim, abria um campo enorme que continua sendo aberto. Cem anos depois, começamos a ouvir melhor em algumas casas, escolas ou consultórios.
Celso Gutfreind in O Pequeno Hans discutido e sentido entre o passado e presente (Revista Brasileira de Psicanálise)
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Shall we dance?
E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
A rígida existência dos Asperger
Fala-se da Síndrome de Asperger, uma perturbação do espectro do autismo que, ao contrário deste, permite que o indivíduo, apesar das dificuldades, seja minimamente funcional em sociedade. Foi Hans Asperger, físico austríaco, quem primeiramente descreveu esta síndrome, em 1944.
Esta perturbação, cuja grande limitação é a dificuldade relacional do indivíduo com os outros que o rodeiam, é normalmente diagnosticada durante a infância ou pré-adolescência (consoante o meio envolvente estiver mais ou menos atento ao desenvolvimento da criança). Os Asperger isolam-se frequentemente, embora estejam plenamente conscientes da existência do(s) outro(s) e do mundo externo e até desejem fazer amigos e conhecer pessoas. Contudo, quando interagem com alguém, a sua abordagem é estranha ou mesmo desadequada, insensível ao sentir do outro e ao impacto dos seus comportamentos (expressões faciais de aborrecimento, pressa, evitamento do olhar ou, por oposição, olhar fixamente). Há ainda uma incapacidade de compreensão da ironia, de metáforas ou outras formas de comunicação mais abstractas e simbólicas, o que origina mal-entendidos e a retirada das relações. Há ainda uma dificuldade a nível dos contactos físicos. No fundo, sofrem de uma enorme dificuldade em compreender e viver as relações humanas, com a intersubjectividade que lhe é inerente e as suas complexas regras de interacção e convívio social.
Uma outra característica muito comum desta perturbação é a presença de interesses excêntricos (às vezes coleccionam obsessivamente coisas invulgares). Vão perguntando e falando insistentemente sobre esses seus interesses, numa espécie de monólogo ou dissertação, sem aparentemente questionar se o seu interlocutor está ou não interessado e sem reconhecer nos outros alguns sinais primários de enfado ou desinteresse (de novo, a incapacidade de “ler” os outros). Existe uma grande rigidez do pensamento, pouco plástico, bem como uma forte intolerância para com as falhas dos outros e também para com as suas próprias. Curiosamente, há também uma rigidez corporal (são crianças e adultos fisicamente desajeitados, de andar duro e pouco gracioso). Rigidez, também, ao nível da capacidade de adaptação às mudanças. Estas crianças e adultos necessitam de rotinas e reagem sempre mal perante alterações súbitas.
Ao nível das capacidades cognitivas, estas crianças situam-se a um nível de inteligência média ou acima da média (especialmente no campo verbal) mas falham nas capacidades de compreensão e abstracção. Tendem a ser muito concretos. Assim, também a memória é frequentemente excelente, mas de natureza mecânica, sendo que as suas habilidades de solução de problemas são fracas. Fica-nos a imagem de um funcionamento robotizado, sem dinâmica ou pulsão de vida, numa alma algures impedida da sua possibilidade de brincar, de imaginar, de experimentar, de pensar e de sentir.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Diálogos Existenciais
- Um psicólogo famoso disse, certa vez, que algumas pessoas têm tanto medo da dívida da morte que recusam o empréstimo da vida.
- E isso significa o quê? Fale claro!
- Significa que você parece ter tanto medo da morte que se recusa a entrar na vida. É como tivesse medo de gastar a sua vida.
Irving Yalom (Mamãe e o sentido da vida – Histórias de Psicoterapia)
domingo, 12 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Tormentos
“O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que se não sente bem onde está, que tem saudades… sei lá de quê!”
(Excerto retirado de uma carta escrita por Florbela Espanca a 10 de Julho de 1930 e enviada a Guido Battelli).
Obesidade
É um tema na ordem do dia e ainda propósito da Conferência Internacional de Obesidade Infantil, que decorreu em Oeiras entre 6 e 9 de Julho, entenda-se que a obesidade é uma doença que afecta os indivíduos fisicamente, psicologicamente e socialmente. Na sua origem estão diversos factores, tais como comportamento alimentar inadequado, doenças endocrinológicas, perturbações psiquiátricas, questões genéticas, ausência ou diminuição da actividade física, bem como factores emocionais.
Sabe-se, ainda, que a incidência da obesidade na infância tem vindo a aumentar em todo o mundo, aliás, “a nível nacional, 32,2% das crianças têm peso a mais e 14,6% enquadram-se já num quadro clínico de obesidade” (i, 06/07/2011). De relevar que, ao contrário do que muitas famílias pensam, a criança obesa não terá nenhuma facilidade em perder a gordura mais tarde. É por volta dos dois anos e meio que se define o número de células gordas do indivíduo. Assim, uma criança com excesso de peso possui maior número de células gordas do que uma criança com peso normal. Possuindo maior número de células gordas, o indivíduo terá mais dificuldade em ser um adulto magro.
A obesidade não é considerada uma perturbação do foro psiquiátrico, uma vez que está muito relacionada com causas orgânicas (distinguindo-se assim do grupo das Perturbações do Comportamento Alimentar). No entanto, encontra-se profundamente relacionada com factores emocionais, especialmente de natureza psicossomática (o corpo como veículo da mente). Quer no caso das perturbações do comportamento alimentar, quer da obesidade, estamos perante manifestações clínicas onde convergem, como principais factores emocionais subjacentes, a perspectiva psicossomática, os comportamentos aditivos (dependências) e, ainda, a depressão e a ansiedade.
A obesidade pode, em muitos casos, ser pensada como um sintoma. Um sintoma que consiste numa comunicação simbólica que esconde (mas ironicamente também revela) aspectos inconscientes de um conflito interno. A comida representa na maioria dos casos um fenómeno compensatório, profundamente inconsciente, muitas vezes utilizado como um recurso de contenção de um sofrimento, de uma angústia, de um vazio.
É muito importante poder compreender e desmontar esta doença, inclusivamente porque não podemos ignorar a circularidade que a envolve: há uma causa (explícita ou não) na origem da obesidade que, por sua vez, provoca ainda mais sofrimento, que potencia a perpetuação da obesidade. É igualmente importante não esquecer que a prevenção tem um papel fundamental. Felizmente, vivemos num concelho que faz, naquilo que sabe e pode, o seu papel, criando estruturas e iniciativas que incentivam e promovem o exercício físico e um estilo de vida saudável.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Subscrever:
Mensagens (Atom)





















