domingo, 6 de maio de 2012

Sigmund Freud (156 anos)



Dia da Mãe, mas também dia de um Pai. Comemora-se hoje o 156º aniversário do nascimento de Sigmund Freud, o "Pai" da Psicanálise. Homenageamo-lo, também, por "dar à luz" a teoria mais completa para a compreensão do funcionamento mental no Homo Sapiens Sapiens (o Homem que sabe que sabe). Tanto sabe que usa (inconscientemente) as melhores manobras de ilusão na arte de se enganar a si mesmo.
Freud mostrou-nos as "trevas" que carregamos dentro de nós mas ofereceu-nos as técnicas que nos conduzem à "luz". Hoje, a Psicanálise continua a ser uma viagem fabulosa que nos oferece o conhecimento, a verdade e a liberdade. Para os que têm coragem de dobrar o Cabo das Tormentas e enfrentar os seus Adamastores, grandes Glórias no Horizonte!

Mãe



"Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga"

Foi muita confusão mesmo, mas senti um bem-estar interior em ver a loja repleta de pessoas e ver a sua alegria a fazer compras, comprar coisas que muitas pessoas não podiam num dia normal sem descontos. Bolachas, bacalhau, carne etc..
Aqui fica um exemplo do que o Grupo Jerónimo Martins deu aos clientes e muitos devem ter entrado a primeira vez ontem, mas talvez voltem e abram os olhos.

Agora imaginem o que dão aos empregados, pois somos nós que damos os lucros a empresa e reconhecem isso. Quantas fazem isso? Nem o governo reconhece.

2 De Maio de 2012
Carlos Drummond de Andrade

sábado, 5 de maio de 2012

Sonho meu



Falar de sonhos não é simples. Sonhar faz parte de uma função psíquica fundamental do ser humano, a função simbólica. Assim sendo, para compreender o que representam os sonhos, é preciso perceber, primeiro, o conceito de símbolo.
Um símbolo, elemento essencial na comunicação e pensamento humanos, é um termo, um nome ou uma imagem que nos pode ser familiar, mas que possui uma conotação especial para além do seu significado evidente. Assim, uma palavra/imagem é simbólica quando implica algo mais do que o seu significado manifesto e imediato.
A nossa mente trabalha com símbolos no seu quotidiano. Mas este uso consciente que fazemos dos símbolos é apenas um detalhe óbvio que remete para um facto psicológico menos conhecido: o homem também produz, ele próprio, os seus símbolos, inconsciente e espontaneamente, sob a forma de sonhos.
Há acontecimentos (vivências com pensamentos, afectos e emoções associados) na nossa vida de que não tomamos consciência. Ficam “guardados” abaixo do limiar da consciência. E, apesar de os termos ignorado (mesmo sem saber que os ignoramos), mais tarde brotam do inconsciente, de forma camuflada: por exemplo, sob a forma de um sonho. Saiba-se que um sonho raramente representa aquilo que nos parece. Por isso são, tantas vezes, desprovidos de lógica ou nexo. Para além do sentido manifesto (evidente) do sonho, possui um poderoso sentido latente (simbólico, escondido, mascarado), dificilmente acessível sem um conhecimento muito profundo de nós próprios.
Do ponto de vista histórico, foi o estudo dos sonhos que permitiu, em grande parte, aos psicólogos, a investigação do lado inconsciente do funcionamento e comportamento humano. De facto, por serem produzidos de forma inconsciente, raramente o indivíduo percebe o que simbolizam, na verdade, os elementos do sonho. Os livros de interpretação de sonhos pouco ajudam, pois todo o sonho merece uma análise global e contextualizada, não podendo ser analisado “às fatias” ou de forma standardizada.
Os sonhos são um mundo intrigante para a maioria das pessoas. Sabemos que apenas conhecemos uma ínfima parte do que se passa dentro de nós. O “resto” fica bem lá no fundo e, muitas vezes, só um processo de psicanálise ou psicoterapia psicanalítica pode trazer à consciência aquilo que, sozinhos, não compreendemos (ou que “escondemos” de nós próprios). Relembrando o que disse Carl Jung em O Homem e os seus Símbolos (1987), “aquele que nega a existência do inconsciente está, de facto, a admitir que, hoje em dia, temos um conhecimento total da psique. É uma suposição evidentemente tão falsa quanto a pretensão de que sabemos tudo a respeito do universo físico. A nossa psique faz parte da natureza e o seu enigma é, igualmente, sem limites.”

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Caricaturando

Crash


It's the sense of touch. In any real city, you walk, you know? You brush past people, people bump into you. In L.A., nobody touches you. We're always behind this metal and glass. I think we miss that touch so much, that we crash into each other, just so we can feel something.

Crash (vencedor do Oscar para o Melhor Filme em 2006)

Cheios de coisa nenhuma



"Nas ruas cheias de gente/ vi as pessoas desertas"

Manuel Alegre

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Na companhia da solidão



Fala-se de solidão. Ela já foi cantada, declamada e narrada por um sem fim de artistas mas, fundamentalmente, é sentida e vivida em algum momento por nós, seres pensantes (e relacionais). Pode durar esse exacto momento, mas pode, também, durar uma vida inteira. Embora a noção de solidão tenha existido desde sempre (como condição intrínseca do ser humano), considera-se que há também uma vertente social que tem lugar neste “debate”. Assim, para compreender melhor a solidão, parece indispensável uma articulação entre a dimensão psicológica e essa dimensão social do conceito.

Entende-se que um dos rostos da modernidade é a valorização da autonomia individual. Ser auto-suficiente, ser independente, ser livre, são ideais que, na ausência de equilíbrio, conduziram à exacerbação do individualismo. Já na obra “A Cultura do Narcisismo” (1983), Christopher Lasch falou do modo como as sociedades capitalistas se estruturaram, material e simbolicamente, segunda essa preocupação intensa com a realização individual (estreitamente relacionada com o universo do consumo), em detrimento dos ideais colectivos. Ocorreu, gradualmente, uma centralização no Eu e um desinvestimento nas relações com os outros. Como dado significativo, recordemos que, consoante os países (do primeiro mundo), há estatísticas que situam entre os 25% e os 40% a percentagem de indivíduos que moram sozinhos.

Na verdade, muitos ainda não desistiram de tentar incluir no seu projecto de vida as ligações aos outros, mas vêem-se confrontados com relações interpessoais difíceis e complexas, sentindo-se frequentemente tentados/obrigados a recuar. Evidentemente, se inseridos numa sociedade esquecida de comportamentos de tolerância, que desvalorizou os afectos e as relações humanas, os indivíduos vivem em conflito permanente com o outro. E aí, acontece que o ser humano se sente de novo só, embora acompanhado. Fica uma pergunta: o “mal” estará realmente no outro, ou seremos todos nós também um produto da modernidade, acolhendo já inconscientemente essa incapacidade?

Sozinhos e sós, ou acompanhados e sós, são solidões distintas, que muitas vezes se fundem numa só, esmagadora. Se a solidão representa o sentimento quotidiano da nossa vida, talvez ajude verdadeiramente perceber, com ajuda técnica, qual a origem desse sentimento dentro de nós. E, em tempos de crise, talvez possamos recordar, por fim, que o afecto e as ligações humanas serão sempre os melhores ingredientes da felicidade.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Mãos ao Trabalho!


“O desespero nunca serviu as sociedades democráticas e é preciso ter em conta os sonhos das pessoas, que se podem tornar em pesadelos. Os psicólogos têm um papel fundamental para lidar com as incertezas e ajudar os portugueses.”

Telmo Baptista

Bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses - Sessão de Abertura do I Congresso Nacional da OPP (18,19,20 e 21 de Abril de 2012)

quinta-feira, 12 de abril de 2012

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O perfil da perversão


O que define uma perversão (ou parafilia)? Clinicamente, o que é um indivíduo perverso? Uma perversão pode ser entendida como uma perturbação crónica do comportamento sexual, em que a expressão de uma “pulsão perversa”, de natureza agressiva, é condição necessária para que o sujeito atinja a excitação sexual e o orgasmo. De outra forma, não sente qualquer prazer, pois o prazer não está ligado aos afectos, às relações humanas ou à intimidade. Podemos talvez dizer que, no mundo interno do sujeito, a sexualidade e a agressividade estão “confundidas”, estando essas experiências sexuais muito aquém daquilo que é verdadeiramente uma sexualidade adulta.

Uma das características básicas do perverso é a ausência de consideração pelo outro, este só serve ao perverso para descarga (sexual e agressiva). Esta instrumentalização/desumanização do outro implica não tomar em conta a sua vontade e o seu desejo; aliás, quanto mais o perverso desvia o outro das suas práticas habituais, mais gratificante se torna o acto. Assim, a sexualidade é um acto solitário, maioritariamente masturbatório, já que, incapaz de vivenciar a intimidade, não existe a ligação ao outro.

Verifica-se com frequência que, na história do perverso, entre mãe e criança o vínculo foi agressivo, e não de amor. Diz-se que a perversão é a patologia do ódio, porque o vínculo com o objecto primário é um vínculo de ódio. Para Stoller, a perversão é uma forma erótica de ódio, em que o meio utilizado para descarregar esse ódio é a humilhação e agressão do outro (representando esses comportamentos o ódio inconsciente ao objecto materno). Para além disto, há no perverso uma ferida narcísica (ou seja, inconscientemente, o sujeito não se ama a si mesmo, sentindo-se inferior) fundamental para a compreensão desta patologia. Tendo por base um vínculo de ódio, a relação básica entre mãe e filho falhou e este foi maciçamente desnarcisado – foi rejeitado/mal-amado. Essa desvalorização primária a que foi exposto faz com que o perverso, enquanto adulto, humilhe o outro, vingando-se pelo ataque como forma de reconstruir o seu próprio narcisismo.

Há várias manifestações de perversões, sendo as mais faladas, o sado-masoquismo, o exibicionismo, o fetichismo, o voyerismo e os abusos sexuais (incluindo a pedofilia). Contudo, qualquer comportamento sentido como um desvio sexual, poderá (ou não) ser uma perversão, dependendo da situação. Importa dizer que, para se estabelecer o conceito do que é um desvio, é preciso uma fundamentação a respeito da normalidade. O que distingue, na prática, uma sexualidade “normal” de uma sexualidade perturbada? Pergunta difícil, pois as considerações de normalidade e convencionalidade são afectas ao tempo e aos costumes. Contudo, sabemos que há limites intemporais à nossa expressão sexual, nomeadamente, o dever de respeitar a vontade e a liberdade do próximo.


quarta-feira, 28 de março de 2012

Pedrinha (Do que mais se quer)

“And did you get what you wanted from this life, even so?
I did.
And what did you want?
To call myself beloved, to feel myself beloved on the Earth.”

Raymond Carver (Collected Poems)

domingo, 25 de março de 2012

Sabedoria Centenária



Meus amigos do "Pasquim", outro dia, me perguntaram: "Oscar, e a vida?" Eu disse: "A vida é mulher do lado e seja o que Deus quiser".

Oscar Niemeyer (104 anos)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia de Poesia


Sossega, coração!
Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

Fernando Pessoa

Prisioneiros do Corpo


O conceito de motricidade diz respeito a um conjunto de mecanismos que nos permitem mover o corpo e os membros em relação aos objectos que nos rodeiam. É também o que permite manter uma postura, isto é, a atitude do corpo no espaço.

A motricidade é uma função absolutamente fundamental, sendo não só uma das mais claras evidências da vida, mas também a nossa principal forma de subsistência, devido à capacidade de interacção com o meio ambiente. É através do movimento dos corpos que podemos transformar pensamentos em acções e sonhos em realidade.

Existem três tipos de movimentos, os voluntários, os voluntários automáticos e os actos reflexos. Os movimentos voluntários são dependentes da vontade do organismo, implicam uma tomada de decisão. Os movimentos voluntários automáticos são de início e cessação voluntários mas o seu ritmo de base é automático como, por exemplo, no caso da locomoção e da escrita. Podemos decidir quando começar e parar de andar mas, enquanto andamos, o movimento é automático. Os movimentos reflexos têm um padrão rígido e automático, sendo também independentes da vontade, na medida em que o organismo não pode de modo algum decidir se o reflexo vai ou não acontecer.

Do mais simples ao mais complexo, dotam a espécie humana de capacidades invulgares e, quando “adoecem”, fazem-nos imensa falta. Estamos, lamentavelmente expostos, à possibilidade de sofrer lesões a nível motor (acidentes, AVC, doenças degenerativas) alterando e condicionando (consoante a gravidade das lesões) a nossa vida em vários aspectos: pessoais, relacionais, profissionais, familiares. Também o próprio processo de envelhecimento deteriora, em maior ou menor grau, as capacidades motoras do indivíduo. Perder capacidades ao nível motor implica muitas vezes a perda de competências, de autonomia, de auto-estima e de liberdade. Inevitavelmente, tudo isto implica grande sofrimento psicológico para o próprio, mas também para aqueles que se relacionam com ele.

Aliado às outras intervenções terapêuticas, o psicólogo assume aqui um papel extremamente importante, pois após a perda do controle dos movimentos, ficamos vulneráveis a crises de depressão e despersonalização. Estão presentes a nostalgia do passado, a tristeza do presente e o medo do futuro. O quotidiano muda, as expectativas mudam, os sonhos mudam (ou perde-se a capacidade de sonhar), e o psicólogo deve intervir tanto junto do próprio paciente como da família de modo a ajudar a minorar o sofrimento e o choque, bem como ajudar a perspectivar a situação e as mudanças que ela implica.

sábado, 17 de março de 2012

Experiências


"Ora e se eu agora me virar de cabeça para baixo o que é que acontece?
Olha que interessante, assim vejo as coisas de maneira diferente!
É muito curioso, este mundo…!"