"Os estados afectivos persistentes de natureza penosa,
ou, como se costuma dizer, 'depressiva', tais como desgosto, a preocupação e a
tristeza, abatem a nutrição do corpo como um todo, causam o embranquecimento
dos cabelos, fazem a gordura desaparecer e provocam alterações patológicas nas
paredes dos vasos sanguíneos. Inversamente, sob a influência de excitações mais
alegres, da 'felicidade', vê-se o corpo inteiro
desabrochar e a pessoa recuperar muitos sinais de juventude. Evidentemente, os
grandes afectos têm muito a ver com a capacidade de resistência às doenças
infecciosas; um bom exemplo disso é a observação médica de que a propensão a
contrair tifo e disenteria é muito mais significativa nos membros de um
exército derrotado do que na situação de vitória. Ademais, os afectos – embora
quase que exclusivamente os depressivos – muitas vezes bastam por si mesmos
para ocasionar doenças, tanto no tocante aos males do sistema nervoso com
alterações anatómicas demonstráveis quanto no que concerne às doenças de outros
órgãos." (Freud em "Tratamento Psíquico (ou Anímico)", 1905)
Transformação é a palavra-chave. Na vida ou há desenvolvimento ou instala-se a decadência. O estacionamento é uma ilusão. Nas palavras de Cervantes, “A estrada é sempre melhor que a estalagem” (António Coimbra de Matos)
domingo, 13 de janeiro de 2013
Corpo e Psique - Definhar e Florescer
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domingo, 6 de janeiro de 2013
Reflexão no Sapatinho (em Dia de Reis)
No
Natal passado especulou-se sobre o que estaria para chegar. Continuamos aqui,
ainda inteiros, e depois de um ano de dificuldades, penso que podemos pensar
sobre o outro lado da moeda, que mostra que estamos humanamente mais
“crescidos”. Arriscando dizer que somos hoje menos individualistas, já que nunca
como agora houve tanta consciência social. Repare-se no aumento exponencial de
movimentos solidários de recolha e distribuição de alimentos, brinquedos,
vestuário, livros, e tudo o mais que possa faltar numa casa de família. E não
só a nível institucional, mas atitudes solidárias em pequena escala, que nascem
do coração de alguns.
Sabemos
de famílias que este ano produziram, criativamente, os seus próprios enfeites
de Natal, recorrendo a materiais caseiros ou recolhidos na rua, trabalhando
afincadamente na exploração de tintas, papéis e tesouras. Tudo o que é feito
com as nossas mãos tem cheiro a afectos e com um carinho especial se orgulham
dos seus enfeites mais do que de qualquer outro adquirido anteriormente num balcão
alheio.
Parece
também que todos reduziram a sua lista de presentes, que não só incluía a “prima
da vizinha” (tantas vezes só para parecer bem) como também incluía presentes de
valor o mais elevado possível (como se o valor fosse espelho do afecto nutrido
pelo outro). Hoje procuram-se presentes mais adequados e em quantidade mais
adequada. Sobretudo, é o acto de compra impulsiva que perde força este Natal. Pensa-se
mais antes de agir. Mais, muitos fazem este ano os seus próprios presentes ao
invés de comprar e há ainda quem prefira aderir a iniciativas de pequenos
comerciantes ou artesãos. Porque prosperam negócios caseiros, de elevada
qualidade e preço acessível, nascidos da necessidade e da criatividade de gente
cheia de talento que nunca deu oportunidade a si mesma de pôr mãos ao trabalho
e deixar a imaginação voar. Trabalhos de bijuteria, de costura, de culinária, de
pintura e experiências a tantos níveis. Artesãos dos tempos de crise que talvez
encontrem aqui, este Natal, a semente de uma ideia que venha a germinar no
futuro.
Em
poucos meses, e embora quase por obrigatoriedade, caiu por terra a atitude
excessivamente consumista e passiva que coloriu o Natal dos últimos anos. E,
curiosamente, não deixamos de sentir um “espírito natalício” por aí, que agora
parece vir mais de dentro para fora e não tanto de fora para dentro. Nem tudo o
que nasce no seio de uma crise é necessariamente mau, e assim, começando com um
Natal mais humano, quem sabe depois esta postura possa ir entrando devagarinho
pelas nossas casas, ensinando-nos um equilíbrio social e económico que
poderíamos estar quase a perder de vista.
Bom ano!
Para ganhar um Ano
Novo
que mereça este nome,
você, meu caro,
tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo,
eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você
que o Ano Novo cochila
e espera desde sempre.
você, meu caro,
tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo,
eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você
que o Ano Novo cochila
e espera desde sempre.
domingo, 23 de dezembro de 2012
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
O misterioso e maravilhoso mundo inconsciente
Este ano, no Dia da Mãe, comemorou-se também o dia de
um Pai. Celebrou-se o 156º aniversário do nascimento de Sigmund Freud. Ele, que "deu à luz" a teoria mais
completa para a compreensão do funcionamento mental no Homo Sapiens Sapiens (o Homem que sabe que sabe), a Psicanálise.
Tanto sabe, que usa (inconscientemente) as melhores manobras de ilusão na arte
de se enganar a si mesmo, quando não quer ou não suporta saber.
Cá dentro, possuímos processos conscientes, que
percebemos relativamente bem e dos quais damos conta, mas ao mesmo tempo, muito
daquilo que somos remete para dados vivenciais aos quais não temos acesso. A
descoberta da existência do Inconsciente foi um legado imprescindível que
Sigmund Freud nos deixou, permitindo-nos hoje perceber que há mecanismos
psicológicos complexos por detrás dos nossos pensamentos, afectos e
comportamentos.
Porque não acedemos a esse inconsciente? Porque não
podemos (senão não seria inconsciente!). O que fica inconsciente é precisamente
aquilo que não somos capazes de pensar. Para nos ajudar com estas histórias
escondidas, construímos mecanismos de defesa, todos eles inconscientes, para ajudar
(ou não) a lidar com as dificuldades que se vão sentindo ao longo do
desenvolvimento. Temos defesas para evitar, recalcar, deslocar ou projectar afectos
e pensamentos para outro sítio qualquer bem longe da consciência. Sobre estes
mecanismos de defesa, pode dizer-se que uns são mais saudáveis que outros. Pode
dizer-se também, que a capacidade de suportar e pensar o sofrimento é
fundamental para um crescimento mental e afectivo estruturado, mas frequentemente
essas defesas instalam-se maciçamente, desorganizando e prejudicando o nosso
funcionamento e personalidade. Freud mostrou-nos as "trevas" que
carregamos dentro de nós mas ofereceu-nos as técnicas que nos conduzem à
"luz", trazendo à consciência aquilo que precisa de ser pensado e
compreendido. Hoje, a Psicanálise continua a ser uma viagem fabulosa que nos
oferece o conhecimento, a verdade e a liberdade.
Actualmente,
tem como “filhas” as psicoterapias de orientação psicanalítica, que invés de
usarem o clássico divã para deitar os seus pacientes, trabalham face-a-face.
Contudo, em ambas, o acesso aos fenómenos inconscientes permite descobrir a
chave de mistérios fantásticos do ser humano. Para descobrir isto, temos que
ter a força e a coragem de olhar a nossa história, pela mão de uma relação
sanígena (relação que cura). Para os que têm coragem de dobrar o Cabo das
Tormentas e enfrentar os seus Adamastores, grandes Glórias no Horizonte!
(29/05/2012)
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Fugindo dos Pensamentos
| Arthur Hughes |
Ser a moça mais linda do povoado.
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.
Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
- Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...
Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à "terra da verdade"...
Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.
Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
- Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...
Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à "terra da verdade"...
Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.
Florbela Espanca (Rústica)
terça-feira, 27 de novembro de 2012
O poder do amor
"When the power of love overcomes the love of power the world will know peace"
Happy Birthday Jimi Hendrix!
Happy Birthday Jimi Hendrix!
sábado, 24 de novembro de 2012
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Umbigos
O narcísico,
como o autista e o psicótico – não fossem todos eles egocêntricos –, julgando ver o mundo, não vê senão
a sua barriga. Para ele, o centro do mundo é o próprio umbigo; pelos outros
não se interessa minimamente, não o preocupam nem o ocupam, é como se não
existissem – a não ser na medida em que lhe possam ser úteis (o seu investimento objectal é apenas
funcional ou instrumental – o outro é usado como um instrumento, para realizar
uma função de que não dispõe ou é débil). Centra-se em si mesmo, gravita à
volta da sua nulidade, pensando – talvez – que com isso pode acender o pavio da
sua humanidade extinta. Sim, porque a humanidade gera-se no interesse pelos
outros humanos; de contrário, não existe: apaga-se ou não chega a nascer.
Mas quem disse “nascer” e “existir”? Responde-se: nasce-se no “útero mental” do objecto, no pensamento
e no afecto de quem nos deseja, ama e sonha, de quem gosta e aposta em nós;
vive-se, existe-se, se
esse investimento em nós persiste.
A tragédia da desordem mental, seja
ela a doença com sintomas ou a perturbação da personalidade com traços patológicos,
é esta: a falta ou a perda desse “ninho da alma”, dessa “Terra Prometida”.
António
Coimbra de Matos (in reflexão “Princípio e Continuação”)
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segunda-feira, 19 de novembro de 2012
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Dentro e Fora
Fui muito feliz em alguns dias de chuva. É que quando faz sol
cá dentro até podem cair pedras. O tempo de fora não conta quando é Verão
dentro de nós. Quando o cinzento de fora espelha o cinzento de dentro é que se
torna mais difícil não ir na onda. É um bocadinho como a crise. Quando a crise
lá fora espelha as crises cá de dentro tudo parece ainda mais negro. Há muita
gente aí aos berros e às pedradas. Cá para mim há muita gente aos berros e às
pedradas mas nem sabem bem que crise é que as oprime. Se a de fora se a de
dentro. Sem querer negar a realidade do tempo ou da economia quero poder ser
feliz em dias de chuva e quero poder ser feliz em dias de crise. Era bom que
para além de olhar pela janela olhássemos um pouco mais para dentro da nossa
‘casa’. Pode precisar de alguma arrumação, limpeza ou transformação. Ou
aquecimento. Há muitas ‘casas’ demasiado geladas!
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quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Tecnologicamente Acompanhados
Ao
mesmo tempo que todos reconhecemos as maravilhas da evolução tecnológica,
sabemos também que nem sempre estes recursos são utilizados da melhor forma. Assim,
surgiu há pouco tempo o termo “nomofobia”, uma palavra
que resulta da contracção da expressão inglesa “no mobile phobia”. Refere-se ao medo de ficar impossibilitado de
aceder ao telemóvel. Também se aplica ao medo de ficar desconectado das redes
sociais (pelo menos até alguém inventar um qualquer nome específico também para
isso). Com a proliferação dos smartphones,
podemos dizer que uma coisa e a outra (telemóvel e redes sociais) estão cada
vez mais relacionadas. Dizem os dados de um estudo efectuado em Fevereiro, no
Reino Unido, que 66% dos inquiridos diz-se "muito angustiado" com a
ideia de perder o seu telemóvel. A proporção chega a 76% nos jovens entre os
18-24 anos, segundo um outro estudo. Cerca de 40% dos indivíduos consultados
afirmaram possuir mais de um aparelho.
Posto isto, que ninguém se assuste ou despreze a tecnologia com
receio de “apanhar” uma fobia, visto que elas não se pegam nem se reproduzem. Esta
“nova fobia” é apenas um nome para mais uma manifestação de ansiedade, manifestações,
estas, que se transformam em função dos tempos e das realidades. Sempre houve
medo, ansiedade e pânico, o que muda é o meio que nos envolve a forma como,
consequentemente, manifestamos essas emoções.
Este receio de ficar desligado da tecnologia permite uma análise
mais adequada e profunda, já que ele representa, sobretudo, a incapacidade de
estar só. Como se, ao “desligar” o telemóvel ou o computador, corressemos o
risco de, também nós, nos desligarmos dos outros e, os outros, de nós. Certo é
que só dependemos de estar insistentemente ligados aos outros se precisarmos
deles para não nos sentirmos sós e/ou quando não confiamos o suficiente nas
relações e nos afectos que nos rodeiam, exigindo um contacto sistemático que
afaste os nossos medos.
Quando sozinhos consigo próprios, muitos se sentem invadidos por
um vazio insuportável. Ou, ainda, invadidos por pensamentos que, pelo menos ao
falar com alguém, se vão dissipando com mais facilidade. Uma companhia é, sem
dúvida, um forte distractor. E, aqui, entra a tecnologia: o telemóvel e as
redes sociais vieram facilitar, indubitavelmente, a comunicação entre as
pessoas. Deixou de ser preciso esperar muito para falar com alguém, as pessoas
vivem à distância de uma chamada ou de um click. Permanece a questão mais
importante de todas: Estamos a usar estas facilidades de comunicação e ligação
de forma saudável, ou antes como um remédio fácil que mascara a incapacidade de
estar só por um segundo que seja?
sábado, 10 de novembro de 2012
Pedrinha (Sobre a Psicanálise?)
"We work in the dark — we do what we can — we
give what we have. Our doubt is our passion and our passion is our task. The
rest is the madness of art."
Henry James
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Pedrinha (Da impulsividade)
O adolescente não pensa
antes, pensa depois.
Manuel Matos (in Adolescência – Representação e Psicanálise)
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segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Pedrinha (Das Crianças-Heróis)
Quanto heroísmo não é necessário para vencer e ultrapassar os
monstros que povoam a imaginação infantil desde a mais precoce idade da razão!
Quanto heroísmo para vencer as injustiças do meio familiar e social! Quanta
coragem para que uma criança tenha de se insensibilizar a situações que
ultrapassam o seu poder real! Quanta força interior é necessária para a criança
se construir a si própria como pessoa, perante a indiferença e o abandono dos
maiores!
João dos Santos
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