Transformação é a palavra-chave. Na vida ou há desenvolvimento ou instala-se a decadência. O estacionamento é uma ilusão. Nas palavras de Cervantes, “A estrada é sempre melhor que a estalagem” (António Coimbra de Matos)
domingo, 7 de abril de 2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
quinta-feira, 14 de março de 2013
Pedrinha (Do Tactear)
“É mesmo essencial,
para o seu equilíbrio psíquico e para a salutar expansão da sua personalidade, que o adolescente possa
tactear ou encetar vários caminhos antes de verdadeiramente escolher o que
melhor corresponde à sua maneira de ser, de sentir o mundo e de perspectivar o
futuro. Não lho permitir será amputá-lo para todo o sempre nas suas
potencialidades evolutivas.”
António Coimbra de Matos
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Sobre outras perspectivas
"What if I should fall right through the center
of the earth... Oh, and come out the other side, where people walk upside down?
"
Lewis Carroll in Alice in Wonderland
domingo, 3 de março de 2013
Viver ou Sobreviver?
Nascemos.
Num determinado lugar e numa certa família, que não escolhemos. Dão-nos um
nome, que também não escolhemos, mas somos donos de um corpo e de uma alma. A
nossa alma (ou mente ou psique) permite-nos pensar e sentir, e esse corpo
permite-nos concretizar coisas. Chegados aqui, o que fazemos com isso? Que faço
eu da minha vida e que pretendo ainda fazer? Dar um sentido à vida é algo que vive
na mente de alguns mas não na mente de todos. Perspectivar o passado e planear
o futuro, sabendo de onde viemos mas olhando principalmente para onde nos
dirigimos é atribuir significado à nossa existência. E é fundamental. O sentido
da vida diverge de pessoa para pessoa, de dia para dia e, por vezes, de hora
para hora, pois o que interessa, sobretudo, não é um objectivo geral, único e
rígido, mas o significado específico que vamos atribuindo ao longo do tempo e
dos acontecimentos e que, naturalmente, se modifica e adapta em função do nosso
desenvolvimento pessoal.
Em
meados do século passado já tínhamos compreendido que os indivíduos que melhor
sobreviveram aos campos de concentração durante a II Guerra Mundial (os que
ficaram menos debilitados física e psicologicamente) foram maioritariamente
aqueles que se agarraram a uma razão para sobreviver e mantiveram em mente uma
motivação forte para o conseguirem. Mais recentemente, investigação médica
descobriu que um forte sentido de existência (e o bem-estar subjacente a esse
sentimento) se correlaciona com uma melhor saúde física e longevidade. E, por
fim, chegou-se à Saúde Mental: aqueles que desenvolvem objectivos para a sua
vida e que se empenham e comprometem na sua concretização tornam-se pessoas
mais felizes e saudáveis. Dar sentido à nossa vida protege-nos da depressão, da
ansiedade e mesmo da deterioração cognitiva. Novas evidências científicas
sugerem ainda que é uma capacidade essencial para atenuar os sintomas de
doenças degenerativas como o Alzheimer, num estudo que tem permitido concluir
que aqueles que em vida atribuem mais significado à sua existência e mantêm
presente os seus propósitos estão mais protegidos contra este mal.
São
aqueles que não se limitam a viver um dia de cada vez sem pensar no futuro, são
os que se sentem bem com o que fizeram da sua vida e com o que planeiam fazer
futuramente, aplicando-se na concretização dos sonhos, e ainda os que não
desistiram desses objectivos com o passar no tempo nem mesmo perante as
adversidades. O vazio existencial é uma morte lenta. Sonhar com esperança,
planear com entusiamo, concretizar com perseverança. Viver, e nunca apenas
sobreviver.
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Pedrinha (Da Censura do Inconsciente)
“O inconsciente é o capítulo da minha história que é marcado
por um branco ou ocupado por uma mentira: é o capítulo censurado."
Jacques Lacan (Escritos)
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Certeza da Incerteza
Em todos os
manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Fernando Pessoa, Tabacaria
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Fernando Pessoa, Tabacaria
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Pedrinha (das Ligações Empáticas)
A empatia é a ferramenta mais poderosa que possuímos para nos conectarmos com os outros. É a cola da conectividade humana
e permite-nos sentir, a um nível profundo, o que a outra pessoa sente em
determinado momento.
Irving
Yalom
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Culpas e desculpas
A
culpa é um sentimento ligado ao sentido de responsabilidade e à reflexão sobre
as consequências dos nossos actos. Para lá da sua definição mais básica, a
culpa é um sentimento complexo. É complexo porque existe a culpa dita normal,
lógica, mas também uma culpa que pode ser ilógica, logo, patológica. Este último
sentimento de culpa implica assumir uma culpa que não nos “pertence”, traduzindo-se
num estado constante de angústia e sistemática desvalorização de si mesmo. É deixar-se
culpar facilmente pelo outro em situações em que não é suposto, ou mesmo pedir desculpa ainda antes de sermos anunciados culpados. Deve
dizer-se que estes fenómenos se passam de forma mais ou menos inconsciente, ou
seja, sem alguém que nos ajude a pensar os nossos pensamentos não temos bem noção
do que fazemos com os nossos sentimentos de culpa.
Culturalmente,
durante muito tempo os indivíduos viveram em sociedades
limitadas pela culpa, onde muito era reprimido e pouco era permitido. A
culpabilidade é a uma belíssima forma de dominar o outro e o sentimento de
culpa é um severo carrasco. Uma pessoa dominada pela culpa fica amarrada ao outro
e presa dentro de si mesma. Neste contexto, há mais
de cem anos atrás, Freud descreveu o sentimento de culpa
como o mais importante problema no desenvolvimento da civilização desse tempo. Os
seus pacientes sofriam sobretudo de patologias associadas à grande culpabilidade
que sentiam. Reprimidos, não se permitiam ser autênticos, não se permitiam a
pensar pela sua cabeça nem a viver os seus afectos. O ser humano tinha muito
pouca liberdade de “ser”.
Aos
poucos, ao longo do séc. XX, as sociedades foram mudando e a culpa foi
abandonando o seu papel tão castrante no desenvolvimento do ser humano. Nesta
linha, Jacques Lacan, psicanalista francês do séc. XX, dizia que, em última
instância, a única coisa de que podemos realmente sentir-nos culpados é de abrir
mão dos nossos desejos. E assim foi. Sedentos de liberdade, fomos dando azo às
nossas vontades, cada vez com maior confiança e assertividade. Teremos caído no
outro extremo? Hoje, séc. XXI, fala-se muito da falta de limites nos indivíduos
(principalmente a propósito das crianças e dos adolescentes). Eventualmente mas
não generalizando, há casos de exageros, mas para não cairmos em tentação de
voltar aos “regimes” da culpa, queremos escolher um caminho mais adequado. Uma
consciência social, relacional, parental, e individual, com a responsabilidade inerente
ao bom desenvolvimento psicológico de cada um. Os
limites não são impostos só porque sim, é a realidade per si que nos continua a colocar os limites. Seremos sempre
movidos pela procura do prazer e da realização individual, mas embatemos todos
os dias nas interdições colocadas pela realidade. Esta é, inevitavelmente, a
condição humana.
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sábado, 2 de fevereiro de 2013
Pedrinha (do Ler, Escrever e Contar)
A partir
das minhas investigações sobre o comportamento evolutivo dos bebés, concluí que
geneticamente convém chamar leitura ao que cada um observa à sua volta; escrita
ao que se regista espontaneamente sobre coisas diversas; contar ao que se vive
corporalmente como ordem e quantidade.
João dos Santos
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sábado, 26 de janeiro de 2013
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Corpos que Falam o que a Cabeça não Pensa
O drama maior é que em muitas pessoas, e
em particular nas crianças, a ansiedade e a tristeza se resolvem por doenças e
por comportamentos.
João
dos Santos (1980)
domingo, 13 de janeiro de 2013
Corpo e Psique - Definhar e Florescer
"Os estados afectivos persistentes de natureza penosa,
ou, como se costuma dizer, 'depressiva', tais como desgosto, a preocupação e a
tristeza, abatem a nutrição do corpo como um todo, causam o embranquecimento
dos cabelos, fazem a gordura desaparecer e provocam alterações patológicas nas
paredes dos vasos sanguíneos. Inversamente, sob a influência de excitações mais
alegres, da 'felicidade', vê-se o corpo inteiro
desabrochar e a pessoa recuperar muitos sinais de juventude. Evidentemente, os
grandes afectos têm muito a ver com a capacidade de resistência às doenças
infecciosas; um bom exemplo disso é a observação médica de que a propensão a
contrair tifo e disenteria é muito mais significativa nos membros de um
exército derrotado do que na situação de vitória. Ademais, os afectos – embora
quase que exclusivamente os depressivos – muitas vezes bastam por si mesmos
para ocasionar doenças, tanto no tocante aos males do sistema nervoso com
alterações anatómicas demonstráveis quanto no que concerne às doenças de outros
órgãos." (Freud em "Tratamento Psíquico (ou Anímico)", 1905)
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domingo, 6 de janeiro de 2013
Reflexão no Sapatinho (em Dia de Reis)
No
Natal passado especulou-se sobre o que estaria para chegar. Continuamos aqui,
ainda inteiros, e depois de um ano de dificuldades, penso que podemos pensar
sobre o outro lado da moeda, que mostra que estamos humanamente mais
“crescidos”. Arriscando dizer que somos hoje menos individualistas, já que nunca
como agora houve tanta consciência social. Repare-se no aumento exponencial de
movimentos solidários de recolha e distribuição de alimentos, brinquedos,
vestuário, livros, e tudo o mais que possa faltar numa casa de família. E não
só a nível institucional, mas atitudes solidárias em pequena escala, que nascem
do coração de alguns.
Sabemos
de famílias que este ano produziram, criativamente, os seus próprios enfeites
de Natal, recorrendo a materiais caseiros ou recolhidos na rua, trabalhando
afincadamente na exploração de tintas, papéis e tesouras. Tudo o que é feito
com as nossas mãos tem cheiro a afectos e com um carinho especial se orgulham
dos seus enfeites mais do que de qualquer outro adquirido anteriormente num balcão
alheio.
Parece
também que todos reduziram a sua lista de presentes, que não só incluía a “prima
da vizinha” (tantas vezes só para parecer bem) como também incluía presentes de
valor o mais elevado possível (como se o valor fosse espelho do afecto nutrido
pelo outro). Hoje procuram-se presentes mais adequados e em quantidade mais
adequada. Sobretudo, é o acto de compra impulsiva que perde força este Natal. Pensa-se
mais antes de agir. Mais, muitos fazem este ano os seus próprios presentes ao
invés de comprar e há ainda quem prefira aderir a iniciativas de pequenos
comerciantes ou artesãos. Porque prosperam negócios caseiros, de elevada
qualidade e preço acessível, nascidos da necessidade e da criatividade de gente
cheia de talento que nunca deu oportunidade a si mesma de pôr mãos ao trabalho
e deixar a imaginação voar. Trabalhos de bijuteria, de costura, de culinária, de
pintura e experiências a tantos níveis. Artesãos dos tempos de crise que talvez
encontrem aqui, este Natal, a semente de uma ideia que venha a germinar no
futuro.
Em
poucos meses, e embora quase por obrigatoriedade, caiu por terra a atitude
excessivamente consumista e passiva que coloriu o Natal dos últimos anos. E,
curiosamente, não deixamos de sentir um “espírito natalício” por aí, que agora
parece vir mais de dentro para fora e não tanto de fora para dentro. Nem tudo o
que nasce no seio de uma crise é necessariamente mau, e assim, começando com um
Natal mais humano, quem sabe depois esta postura possa ir entrando devagarinho
pelas nossas casas, ensinando-nos um equilíbrio social e económico que
poderíamos estar quase a perder de vista.
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