Transformação é a palavra-chave. Na vida ou há desenvolvimento ou instala-se a decadência. O estacionamento é uma ilusão. Nas palavras de Cervantes, “A estrada é sempre melhor que a estalagem” (António Coimbra de Matos)
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Pedrinha (Das Entrelinhas)
Mas já que se há-de escrever, que ao
menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Educar a Escola
O
Homo Sapiens Sapiens é, precisamente,
não só aquele que sabe, mas, aquele que sabe
que sabe, e tendo consciência do seu saber, quer saber cada vez mais e
melhor. Por isso, a educação e a transmissão dos conhecimentos preocupam a
nossa espécie há milhares de anos.
Desde
a época de Sócrates, o filósofo, que a educação tem vindo a ser objecto de
interesse de estudiosos e curiosos. A primeira pedagogia, aplicada pelos
jesuítas, foi designada “método tradicional”. Era um método estruturado e
rigoroso, centrado no saber. Neste modelo educativo, quem detinha o conhecimento
era o mestre (o professor) e o aluno era encarado como aquele cuja função era (exclusivamente)
receber todo o conhecimento que o professor lhe transmitia. Assentava no
formalismo, na memorização e na autoridade, e os métodos de ensino
restringiam-se à exposição (da matéria) e à interrogação (questões sobre a
matéria, a “chamada”). Na sala de aula, o estrado acentuava a distância física e
afectiva entre professor e aluno, e as janelas eram colocadas acima do nível
dos olhos dos alunos, para não haver contacto com o exterior. E, durante muito
tempo, vigorou este acto educativo, fechado em si próprio.
Perante
o avanço do conhecimento acerca do desenvolvimento infantil (e do ser humano,
em geral), a pedagogia tradicional tornou-se desajustada e foram sendo gradualmente
introduzidas alterações no ensino, tanto estruturais como pedagógicas. Fundamentalmente,
o professor e o seu saber deixaram de ser o centro do processo educativo. Simbolicamente,
o estrado deixou de existir e as janelas foram abertas para o mundo exterior, permitindo
um grande enriquecimento humano pelas novas formas de interacção que então se
estabeleceram: mais diálogo entre aluno e professor, mais familiaridade entre
alunos, mais partilha entre todos. Cá fora, ao ar livre, os alunos passaram a
realizar actividades, visitas de estudo ou ginástica. Através da pesquisa, e de
uma forma autónoma, o aluno é agente e constrói também o seu conhecimento,
privilegiando sempre a actividade lúdica e o uso dos materiais didácticos.
Acrescenta-se a dimensão da liberdade e da disciplina desenvolvidas em conjunto,
como controlo e resultado uma da outra.
Já
percebemos que “educar não é domesticar”, como diz Eduardo Sá. Mas precisamos ainda
de um ensino que ouça todas as vozes, que fomente a criatividade e o pensamento
divergente, que legitime o direito à diferença e estimule a individualidade de
cada um, sem esquecer, evidentemente, a importância do todo em que nos
inserimos. E falta-nos, em grande parte, interiorizar que a escola não pode
resolver questões, outras, que ultrapassam o ensino. Quando as coisas não estão
bem na vida da criança, ela não consegue beneficiar do que a escola tem para
oferecer. A cabeça não pode funcionar na sala de aula quando o coração ficou em
casa. E os professores, sozinhos, não sabem nem podem resolver problemáticas
que os ultrapassam.
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O Brincar (Terapêutico e Desenvolutivo)
A
criança, portanto, ao criar uma distância através das personificações,
representa e maneja fantasmas que de outro modo seriam intoleráveis, domina
angústias e antecipa projectos, dá sentido e organiza o próprio mundo interior,
metaboliza e ordena os estímulos que lhe chegam do mundo exterior (e interior),
aprende a dominar fantasias e impulsos.
Antonino Ferro
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Pedrinha (Das infâncias sólidas)
“A
saúde mental constrói-se na infância. Os factores posteriores são menos
importantes. Uma criança teve perdas de afectos na infância, fez uma depressão
infantil que pode ter passado despercebida, estará mais fragilizada na idade
adulta e poderá deprimir facilmente. Se teve uma infância sólida aguentará bem
as perdas afectivas.”
António Coimbra de Matos
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Marylin, O Mais Belo Fantasma do Mundo
"Ninguém podia adivinhar que
se tratava de um fantasma. Ela era demasiado bonita para isso, demasiado doce, resplandecente.
Uma aparição não tem calor, é um lençol frio, um tecido, uma sombra
inquietante. Ela, ela encantava-nos. Devíamos ter desconfiado. Que poder tinha
ela para nos fascinar tanto, para nos impressionar e nos levar à nossa maior
felicidade? Deixamo-nos cair na armadilha a ponto de não compreendermos que já estava
morta havia muito tempo.
Na verdade, Marylin Monroe
não estava completamente morta, estava apenas um pouco, às vezes um pouco mais.
O seu charme, ao fazer nascer em nós um sentimento delicioso, impedia-nos de
compreender que não é necessário estar morto para não viver. Começara a não estar
viva desde que nascera. A sua mãe, desumanamente infeliz, expulsa da humanidade
por ter trazido ao mundo uma filha ilegítima, estava estupidificada de
infelicidade. Um bebé não se pode desenvolver de outra forma que não seja no
meio das leis inventadas pelos homens, e a pequena Norma Jean Baker, mesmo
antes de nascer, encontrava-se fora da lei. A melancolia que sentia preenchia
de tal forma o seu mundo que a mãe não teve força para lhe oferecer uns braços
tranquilizadores. Foi necessário colocar a futura Marylin em orfanatos gelados
e confiá-la a uma série de famílias de acolhimento entre as quais era difícil
aprender a amar.
As crianças sem família não têm
tanto valor como as outras. O facto de serem exploradas sexual ou socialmente não
pode ser considerado um crime grave, uma vez que estes pequenos seres
abandonados não são totalmente crianças verdadeiras. Algumas pessoas pensam
assim. Para sobreviver apesar das agressões, a pequena Marylin teve de começar
a “imaginar”, a alimentar-se da própria dor, antes de se afundar na melancolia
e na loucura da sua mãe. Então, declarou que Clark Gable era o seu verdadeiro pai,
e que pertencia a uma família real. Não tinha outra alternativa! Desta forma construía
uma identidade vaga, já que, sem sonhos loucos, teria sido forçada a viver num
mundo de lama. Quando a realidade morre, o delírio dá origem a uma maré de
felicidade. Assim, casou-se com um campeão de basebol para quem cozinhava todas
as noites cenouras e ervilhas , cujas cores tanto lhe agradavam.
Em Manhattan, onde tirou
cursos de teatro, passou a ser a aluna preferida de Lee Strasberg, que era
fascinado pelo seu estranho encanto. Já tinha estado morta muitas vezes. Era
necessário estimulá-la bastante para que não se deixasse levar para o mundo dos
mortos. Ela hibernava, não saia da cama e já não se lavava. Quando acordava com
um beijo, de Arthur Miller, por quem se tornou judia, de John Kennedy ou de
Yves Montand, reanimava-se, deslumbrante e afectuosa, e nenhum deles se
apercebia de que tinha sido encantado por um fantasma. No entanto, ela dizia-o
quando cantava I’m Through With Love. Estando
já afastada do mundo dos mortais, refulgente em plena glória, sabia que só lhe
restavam três anos de vida antes de oferecer a si própria um último presente: a
morte.
Marylin nunca esteve
completamente viva, mas nós não o podíamos saber, pois o seu fantasma era tão
maravilhoso que nos enfeitiçava."
Boris
Cyrulnik in O Murmúrio dos Fantasmas
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quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Poesia
É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!
Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro
entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo.
Fernando Pessoa
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terça-feira, 11 de setembro de 2012
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Pedrinha (Dos medos paralisantes)
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quarta-feira, 5 de setembro de 2012
A função paterna
No princípio são três, mãe, pai e filho. O acto de conceber
um filho é da responsabilidade de dois indivíduos e parece que há uma boa razão
para que assim seja, fundamentalmente na espécie humana, a mais complexa de
todas. Embora hoje muitas crianças cresçam na realidade da monoparentalidade, a
investigação psicológica tem demonstrado, de há algumas décadas para cá, a
necessidade absoluta e presença insubstituível da figura paterna.
Como se sabe, o nosso equilíbrio emocional e bem-estar psicológico
estão completamente relacionados com a qualidade da relação primária, nome
atribuído à relação entre mãe e filho, que começa logo durante a gravidez. É
esta ligação primordial que nos dá as ferramentas internas para descobrirmos
quem somos e conduzirmos a nossa vida com entusiasmo, segurança e responsabilidade.
É nessa relação que ganhamos (ou não) o embalo para acreditar, projectar e
realizar, bem como para ultrapassar as dores e os dissabores que encontramos
pelo caminho.
Contudo, o pai junta-se à díade mãe-filho com uma função
igualmente importante para a estruturação psíquica da criança. De certa forma, inicialmente
o pai representa a primeira “frustração” introduzida na vida de uma criança: o
pai é aquele que “impede” que o filho tenha a mãe exclusivamente para si. Experiência
dolorosa, esta, mas necessária para um desenvolvimento saudável. Embora sem
essa intenção, um pai permite e prepara, assim, a separação e a autonomia da
criança, evitando uma fusão (que não é suposta) entre mãe e filho. Tem uma
função separadora mas, ao mesmo tempo, estruturante.
Não fica por aqui, a questão da função paterna. Tal como a
mãe, o pai desempenha, também, um importante papel nas interacções com o filho,
estimulando e atendendo às suas necessidades básicas (afecto, segurança,
alimentação, higiene, brincar e aprender). Alternando com a mãe nestes
cuidados, permite à criança conhecer, desde cedo, dois diferentes modelos de
relação, um com o pai e outro com a mãe. E nós, espécie inteligente, rapidamente
começamos a guardar connosco o melhor de cada um.
Depois, o pai enriquece a identidade de género dos seus
filhos, apresentando-se como modelo de admiração ao seu filho-homem e narcisa a
feminilidade da sua menina-mulher. Mais. Pai e mãe são o primeiro e mais
importante modelo de uma relação amorosa. É através das discórdias entre pai e
mãe (se acontecem com respeito e sem depreciação um do outro) que se enriquece
a mente da criança, oferecendo-lhe múltiplas perspectivas da realidade. Se o
casal lida bem com essas “discussões”, mostra à criança que com liberdade se
pode amar alguém que pode ser e pensar de forma diferente de nós.
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terça-feira, 28 de agosto de 2012
sábado, 25 de agosto de 2012
Pedrinha (Dos desejos intermináveis)
''Somos
seres desejantes destinados à incompletude e é isso que nos faz caminhar''
Jacques Lacan
sábado, 28 de julho de 2012
Pedrinha (Do mundo interno)
"Cada
pessoa transporta dentro de si um mundo feito de tudo o que viu e amou; e é
para este mundo que incessantemente retorna (...)”
Chateaubriand (in Voyage
en Italie)
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quinta-feira, 26 de julho de 2012
Contos de Gente
Era uma vez. E depois foram felizes para sempre. É o começo
e o fim de quase todos os contos infantis que povoam o imaginário das crianças.
É inquestionável a importância dos contos de fadas: ajudam-nos a imaginar, a
sonhar e a desejar. Ensinam-nos sobre o amor e sobre a amizade. Sobre os afectos.
Sobre os valores. Ensinam-nos sobre a coragem e sobre a derrota e a vitória. São
fundamentais, os contos de fadas. Mas o final é sempre feliz e nunca nenhum
conto nos conta o que acontece depois do “felizes para sempre”. E se quando
somos pequenos, acreditar nos desfechos felizes é o que nos permite andar para
a frente, crescer é deixar cair a ilusão de que o fim das histórias é incondicionalmente
feliz. Sem mais sobressaltos. Sem mais tropeções. As histórias são felizes
enquanto puderem ser. Ora são mais felizes, ora são menos felizes, ora tornam a
ser mais felizes. Crescer é encarar uma realidade que não é eternamente nem
estaticamente cor-de-rosa mas podendo aceitar que há muitos outros tons que
pintam as histórias das nossas vidas. São tons vermelhos, azuis, verdes,
amarelos. Também há os cinzentos e mesmo os pretos. É, a realidade não é um
conto de fadas. Mas é uma pintura colorida ainda mais interessante e saborosa do
que um conto de fadas. São contos de gente.
“Muitos adultos ficam
chocados com a violência dos contos de fadas e se surpreendem com o facto de
que não a percebiam quando eram crianças, comprazendo-se nela. É que a maioria
das crianças, além de aceitar naturalmente o maravilhoso, espera com inabalável
certeza aquilo que o conto promete e sempre cumpre: "e foram felizes para
sempre". A gente se engana, portanto, quando tenta "açucarar" os
contos ou omitir as passagens "violentas".”
Marilena Chauí
domingo, 22 de julho de 2012
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Pedrinha (Das fronteiras necessárias)
“Os bons pais seriam auxiliadores da
separação clara entre fantasia e realidade. Nem sempre este equilíbrio é
conseguido e a confusão inicia-se, cresce, invade o Eu e surge a ruptura e o
sofrimento. Na geração de adultos-pais, falha a capacidade de se separarem dos
próprios filhos. O primeiro sintoma deste caos confusional é a abolição de
limites-fronteiras claras, entre a geração de pais e a geração de filhos. São
os banhos comuns, camas comuns, partilha obrigatória de segredos em todas as
direcções, etc. A criança entra em luta por uma sobrevivência e uma autonomia
enquanto lhe resta alguma energia disponível, mas se os benefícios narcísicos
persistem (“sou igual ao pai porque durmo com a mãe como ele”), a patologia
instala-se e pode estabilizar no negativo.”
Teresa Ferreira (in Em defesa da criança)
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Pedrinha (Dos amores das crianças)
"A capacidade ou incapacidade de amar tem
a sua génese na infância, embora a vivência de uma autêntica relação amorosa só
seja possível a partir da adolescência."
Teresa Ferreira (in Em defesa da criança)
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quinta-feira, 12 de julho de 2012
Pedrinha (Do conhecer, compreender e transformar)
"A psicanálise serve para aprofundar o
auto-conhecimento, e não só; também o conhecimento do outro (os outros) e,
sobretudo, das relações não só interpessoais mas essencialmente
intersubjectivas."
António
Coimbra de Matos
Nota: Estes conhecimentos, por si só, não
resumem a psicanálise nem a psicoterapia psicanalítica. Depois de conhecer, despontará o compreender. Estabelecer ligações entre o que é e o que foi. E, por fim, é preciso transformar. O que será. Passado, presente e futuro. Ligados. Descobrir, aceitar, compreender, integrar e transformar. Em busca do melhor que temos dentro de nós.
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O sentido da vida
Não
gostamos de falar sobre a morte. Nem sequer de pensar sobre a morte. Também não
parece muito confortável ler sobre a morte. Se calhar, depois de a palavra
morte surgir tantas vezes, sem eufemismos, muitos interromperão, já aqui, a sua
leitura. Quem ama a vida, sofre quando pensa na morte. E teme-a, dada a sua
inevitabilidade.
Ganhamos,
desde cedo, consciência do fim da vida. Essa consciência conduz-nos a um tipo
de angústia muito particular, a angústia
existencial, que embora surja logo na infância, se torna mais pensada
(logo, mais sentida) a partir da adolescência. À volta desta angústia nascem
questões que, com maior ou menor frequência, todos já colocámos: O que há
depois da morte? Qual o sentido da vida? Existe Deus? Será, a alma, imortal?
Como
lidamos nós com a certeza da nossa finitude?
Para
quem, através da fé religiosa, encontra as suas respostas para estas perguntas,
torna-se mais fácil viver sem grandes problemas existenciais. É uma forma de
dar um sentido à nossa existência e que nos garante o reencontro das almas
mesmo depois do adeus.
Para
quem estas perguntas ficam sem resposta, para os que não encontram aqui a
serenidade necessária, são adoptadas outras maneiras de seguir em frente
(sabendo que seguir em frente significa seguir em direcção à morte). Perante a angústia
existencial, encontramos um mecanismo de defesa psicológico chamado evitamento, que nos ajuda a “esconder”
de nós próprios os nossos maiores receios (e outras emoções). É útil, caso
contrário, estaríamos todos mais ocupados a questionar a fragilidade da vida do
que a vivê-la. Na sua vertente mais patológica, o mecanismo do evitamento pode assumir
a forma de delírio. Aí, quando a dificuldade
de pensar a morte se mascara de indiferença ou até de omnipotência, tendemos a “desafiá-la”
inconscientemente e, à custa disso, podemos encontrá-la mais cedo.
O
mecanismo de evitamento mais saudável é de outra qualidade, é a resignação/aceitação. A maioria de nós
apaga a consciência da morte enquanto se entretém com as tarefas da vida.
Percebemos que a melhor forma de não temer a morte é dar sentido à vida. É
aproveitá-la. É amar e ser amado, crescer, criar vínculos e/ou descendência,
produzir obra e deixar um legado. Temos a liberdade de escolher que sentido dar
à nossa vida, contudo, de tudo o que podemos escolher, que seja uma escolha de
amor. É pelo amor que melhor se ultrapassa a angústia existencial. Pelo
estabelecimento de relações significativas e criativas. O amor por nós e pelo
outro é o espelho do amor pela vida (que é, no fim de contas, feita da soma de
nós e dos outros).
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sábado, 7 de julho de 2012
sexta-feira, 6 de julho de 2012
O Estranho do Lado
“ (…) Assim como na Física há uma
lei segundo a qual dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo, deve
haver outra lei, no universo subjetivo, que impede duas individualidades de
viverem a mesmíssima vida. Tenho a impressão que a insistência em contrariar
esse princípio está por trás de muitos e graves desencontros por aí.
Desde a adolescência, e provavelmente ainda antes, somos alimentados com a
ilusão de que um dia encontraremos alguém com quem iremos nos fundir. A tal
pessoa, aquele, a mulher da nossa vida, o príncipe encantado – todos esses são
agentes do destino que teriam a função, na nossa história pessoal, de rasgar a
couraça da individualidade, penetrar nosso casulo e nos salvar, de forma
permanente, da horrível solidão de ser um indivíduo. A partir desse momento
redentor, a nossa dor fundamental seria superada e seríamos, então, felizes
para sempre. No outro.
Algumas vezes, mesmo na vida real, chegamos perto desse estado idílico de
aniquilação. É quando estamos apaixonados. Nesse momento mágico – e, segundo o
Freud, patológico - nossos sentimentos em relação ao outro são tão violentos
que parecem romper o isolamento essencial. Em tal estado de comoção de ser
parte do outro. Se ele se afasta, sentimos dor. Se ele está perto, sentimos
prazer. Parece ser impossível viver sem ele, porque se tornou parte de nós.
Em “O Monte dos Vendavais”, a jovem apaixonada diz ao rapaz “Eu te amo”, e
ele responde “Eu sou você”. Não existe na literatura ou no cinema uma
declaração de amor mais radical do que essa.
Há outro momento em que também nos sentimos perto desse sentimento. É no
sexo. Em meio ao prazer, aquilo que nós somos desaparece temporariamente em
direção ao outro. Mergulhamos numa torrente tão intensa que, por alguns
minutos, não somos mais que o conjunto daquelas sensações. Há uma pequena morte
aí, um breve suicídio prazeroso no qual mergulhamos felizes, levado pelo corpo
e pela personalidade do outro.
Mas esses momentos são terrivelmente efêmeros, não? Mesmo a mais intensa
paixão é passageira. Cedo ou tarde, ainda que contra a nossa vontade, somos
arrastados de volta à normalidade de sermos apenas um. Logo chega o momento em
que é preciso negociar com a personalidade do outro, com a percepção do outro,
com o desejo do outro. Com isso se desfaz a ilusão de pertencer. Deparamos, de
novo, com a nossa assustadora e iniludível solidão interior. Sabemos disso,
vivemos isso desde crianças, mas uma parte de nós continua sonhando com uma
paixão tão arrebatadora, tão dominante, que nos livre para sempre de nós
mesmos. Crescer, eu acho, é deixar também essa fantasia para trás.
Alguns recusam isso terminantemente. Insistem em esperar pelo sonho ou –
muito pior - tentam transformar a vida real a dois num exercício de destruição
das personalidades. Fazemos tudo juntos, pensamos o mesmo, gostamos das mesmas
coisas, compartilhamos as mesmas experiências, dizem. Na boa ou na marra, vão
arrastando o outro a uma vivência que é uma réplica da sua. Até o ponto em que,
de tão parecidos, não tenham mais nada a contar um ao outro. Então se separam.
Estou exagerando? Claro que sim. Mas, mesmo entre pessoas que não vivem na
caricatura, o impulso comum de controlar o outro faz parte do movimento de
negação da individualidade. Ele se recusa a reconhecer o outro com as suas
necessidades próprias, sua existência fora de nós. O desejo de aprisionar é o
impulso de se proteger do outro, que, insistindo em ter vontade própria, pode
fazer algo que nos machuque.
Enfim, acho que é disso que os sonhos falam. Da nossa vontade de ser forte
como indivíduos e do nosso medo oceânico de nos desligarmos dos outros. Da
contradição entre a vontade de crescer e o impulso de permanecer um bebê
chorão, ligado ao outro por um cordão umbilical. Os sonhos contam que o amor,
lindo que é, essencial como possa ser, não nos salva de sermos nós mesmos.
Mesmo quem respira suavemente ao nosso lado, adormecida, tem sonhos separados
dos nossos. É uma pessoa estranha que amamos, mas sobre a qual nunca saberemos
o suficiente. É preciso respeitar esse mistério.”
Ivan Martins
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quarta-feira, 4 de julho de 2012
terça-feira, 3 de julho de 2012
A ordem das coisas
"Que
loucura foi aquela de ter começado a tomar conta de alguém, sem ninguém se
certificar de que já sei tomar conta de mim?"
Marta Gautier
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sexta-feira, 29 de junho de 2012
Pedrinha (Dos jogos de amor)
Jogos de amor. Mas será o amor um jogo ou
um trabalho? As duas coisas: um divertimento (o melhor de todos) e um trabalho
produtivo – de reconhecimento mútuo, permuta afectiva recíproca, crescimento
pessoal diadicamente expandido, desenvolvimento de valências individuais não
saturadas, comunhão de sonhos possíveis e projectos realizáveis e, acima de
tudo, de criação (…)
António
Coimbra de Matos (in Relação de Qualidade: Penso em Ti)
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quarta-feira, 20 de junho de 2012
Tá ligado?
Escutar
e ouvir são coisas diferentes, de diferente natureza e profundidade. Por ouvir
entende-se a capacidade de perceber através do sentido da audição. Não se
aprende, é uma capacidade inata que pode ser encarada como uma função mecânica na
condição humana (e animal). Escutar, por sua vez, é um ouvir de outra
qualidade. Requer ouvir com atenção. Quem escuta, ouve, mas nem sempre quem
ouve, escuta. Escutar é uma capacidade esquecida.
Embora reconheçamos a importância de
prestar atenção ao que as pessoas nos dizem, de um modo geral, somos maus
ouvintes e falhamos redondamente nesta questão tão importante em qualquer
relação humana. Hoje, em pleno apogeu do individualismo, falta sempre
disponibilidade (de tempo ou vontade) e então não escutamos. Quando perdemos a
paciência, quando interrompemos o interlocutor ou atropelamos o que nos diz com
julgamentos inoportunos ou críticas. Não escutamos quando deixamos de prestar
atenção e passamos a pensar em nós mesmos ou em outra coisa qualquer. Também não
escutamos quando bloqueamos a nossa atenção com sentimentos negativos. Nem
escutamos quando sonhamos acordados enquanto alguém fala.
Há muitos motivos para não ouvir mas, essencialmente,
não somos capazes de escutar se estivermos nós próprios, também, a precisar de ser
ouvidos. Para se escutar alguém é necessário estar mentalmente (logo,
emocionalmente) disponível para isso. A escuta é uma arte que requer
descentração de nós próprios. Se estamos focados nos nossos pensamentos ou sentimentos,
dificilmente podemos oferecer o tempo de antena necessário ao nosso interlocutor.
Claro que seria
impossível escutar activamente uns e outros, com inteira atenção, a todo o
momento. É que também precisamos de tempo para ficarmos entregues ao que nos
vai cá dentro.
Nas
relações humanas, muitos não se sentem escutados. E ninguém gosta de “falar
para as paredes”. Escutar é a
mais crítica das habilidades de comunicação e talvez a mais importante para haver
bem-estar entre as pessoas. Sermos ouvidos com genuína atenção dá-nos a
percepção de que importamos. Seja para partilhar uma dor, uma alegria ou um
anseio. Seja para emitir uma opinião ou para pedir um conselho. Ter uma voz e
vê-la reconhecida e considerada é fundamental. Permite-nos sentir amparados e
compreendidos. A expressão “Tá ligado?” é utilizada pelo povo brasileiro para
questionar o interlocutor sobre se este entendeu o que foi comunicado. De
facto, quando escutamos, estamos ligados ao outro. Estamos em relação com
alguém. Se não nos ligarmos, não poderemos escutar. Poderemos, quando muito,
ouvir. E, no final, rematar, “hum?”
terça-feira, 19 de junho de 2012
Desafio
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O Velho, o rapaz e o burro
Um velho, um rapaz e um burro na estrada.
Em fila indiana os três caminhavam.
Passou uma velha e pôs-se a troçar:
-O burro vai leve e sem se cansar!
O velho então pra não ser mais troçado,
Resolve no burro ir ele montado.
Chegou uma moça e pôs-se a dizer:
-Ai, coisa feia! Que triste que é ver!
O velho no burro, enquanto o rapaz,
Pequeno e cansado, a pé vai atrás!
O velho desceu e o filho montou.
Mas logo na estrada alguém gritou:
-Bem se vê que o mundo está transtornado!
O pai vai a pé e o filho montado!
O velho parou, pensou e depois
Em cima do burro montaram os dois.
Assim pela estrada seguiram os três:
Mas ouvem ralhar pela quarta vez:
Um rapaz já grande e um velho casmurro.
São cargas de mais no lombo de um burro!
Então o velhote seu filho fitou
E com tais palavras, sério, falou:
Aprende, rapaz, a não te importar,
Se a boca do mundo de ti murmurar.
Sophia de Mello
Breyner Andresen
sábado, 9 de junho de 2012
Histórias de Criatividade
Em 1913, na zona balnear de Deauville,
encontravam-se reunidos os amantes de corridas de cavalos. Entre eles, um casal
de namorados que lá passava uma temporada. Ela, francesa, mulher de história
triste que por dor ou vergonha escondia e negava as suas origens, modista de moderado
sucesso na criação de chapéus. Ele, inglês, intelectual ligado à política, jogador
de polo, não o seu primeiro nem único homem, mas o seu grande amor e,
sobretudo, o seu maior apoiante. Certa manhã, a modista decidiu que vestiria
uma camisola de malha dele, mas não pela cabeça. Cortou-a pela frente. Para não
estragar o penteado ou por mero capricho, não sabemos. Improvisou uma gola e um
cinto com retalhos do mesmo tecido e, finalizando, coseu-lhe dois enormes
bolsos “na altura exacta em que as mãos gostam de descansar”. Surpreendentemente,
com a diferença de estatura entre ambos, a malha caiu como se fosse um vestido.
Essa
mulher era Gabrielle “Coco” Chanel. O seu homem, Arthur “Boy” Capel. A peça, o cardigan, reinventado para o feminino.
Saindo à rua, “todos me
perguntavam onde o tinha comprado e eu respondia, se quiser, vendo-lhe um.
Nesse dia, vendi dez modelos iguais.” De modista a maior estilista do séc.
XX, uma self-made woman visionária, dona
de uma criatividade que aliou como ninguém o clássico ao revolucionário,
afirmou pouco antes de morrer: ”A minha fortuna foi construída em cima daquela
malha velha que eu vesti porque fazia frio em Deauville".
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Histórias de Psicoterapia
"(...) Com que ferramentas trabalha? A
realidade é o próprio paciente, trabalho com aquilo que sente. Na psicanálise
clássica, avançava-se com toda uma teoria que comprovasse os sintomas. Agora,
há um novo paradigma, em que se entende que o processo de psicanálise é um
processo que induz mudança. Este movimento tem origem num grupo de
psicanalistas de Boston, com o qual eu me identifico. Baseia-se na ideia de que
um indivíduo, perante as vivências que teve - não só na infância, mas também na
adolescência -, adquiriu uma determinada personalidade ou um determinado estilo
de relação menos saudável e menos produtivo para si. O processo de análise
consiste em ir interpretando este estilo no sentido de resolver e de
estabelecer uma relação mais saudável, de forma a que possa traduzir o que se
passa no consultório para a sua vida real.
Como é que decorre o processo terapêutico?
É o mesmo de sempre. Decorre a partir da conversa
entre analista e paciente. A forma de conduzir é que é diferente. Em vez de
termos na cabeça uma teoria que aplicamos, procuramos observar o que se passa
com aquele paciente, vamos interpretando e construindo hipóteses em conjunto.
Para mim, a questão fundamental é que uma pessoa seja capaz de se autoanalisar
e que acabe a análise com uma capacidade de reflexão sobre si próprio maior do
que a tinha. (...) "
António Coimbra de Matos (em entrevista ao jornal Expresso, a 3/8/2010)
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Pedrinha (Dos prazeres imediatos)
Penso que hoje há uma
tendência para a procura dos prazeres imediatos e uma certa dificuldade em
acertar com o tempo de espera.
António Coimbra de Matos
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quarta-feira, 6 de junho de 2012
O "conforto" do familiar
Não
se aprende sozinho nem de repente a ser aquilo que nunca fomos. Não se aprende por
instinto a sentir essa espécie de paz/felicidade que nunca foi sentida. É algo que
nos é estranho. Mesmo quando ao nosso redor se encontram circunstâncias
felizes, podemos “preferir”, inconscientemente, a familiaridade da melancolia
ou da depressividade. Podemos não conseguir sair desse lugar que tão bem
conhecemos. Podemos não nos permitir sequer tentar. No fim de contas, querendo
ou não, são sempre as nossas amarras internas que nos limitam.
“Os
meus estados deprimidos ainda me seduzem e fazem falta para me sentir
preenchida por dentro. Ainda confio nas minhas tristezas e ainda as chamo,
admito. Aconteça o que acontecer, desde que as chame, aparecem sempre. São de
confiança. E depois, o que se faz mesmo com a felicidade? É-se feliz, e depois?
Depois deve ser preciso aprender a viver-se feliz, a acreditar que se merece, a
aprender a não ter medo que algo de terrível aconteça, a fazer as pazes com o
que se passou connosco, a aceitar, a perdoar, a aprender a continuar, a
acreditar, a confiar, a transmitir, a não desistir, a lidar com o vazio e a
preenchê-lo com coisas bonitas feitas por nós. A infelicidade não me exige nada
disso, é só deixar-me estar.”
Marta Gautier
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segunda-feira, 4 de junho de 2012
Depressão na Recessão
Faz algum tempo, no dia 19 de Janeiro, foi entrevistado num canal da nossa televisão o Prof.
Carlos Amaral Dias, psiquiatra e psicanalista português. O conceito central
discutido foi “depressão na recessão”, que diz respeito ao súbito aumento da
taxa de suicídio em Portugal (e também em outros países, como a Grécia ou a
Irlanda) e de perturbações depressivas associadas à conjuntura económica actual.
O impacto da crise económica e social na saúde mental dos portugueses é
inquestionável, uma vez que “a pobreza, o desemprego e a exclusão social são
factores que levam a um conjunto de afectos como a tristeza, sentimentos de
ruína e sobretudo os sentimentos de desespero”, como foi referido. Estes
afectos estão correlacionados com o aumento do índice suicidário, bem como com
o aumento do número de depressões.
O
desemprego e a precariedade em que muitos portugueses hoje vivem originam
frequentemente sentimentos de auto desvalorização e a sensação de fracasso.
Contudo, o impacto psicológico da crise assume contornos diferentes em função
da faixa etária da população. É fundamentalmente na meia-idade que se verifica
maior incidência de sintomas de depressão, esta estreitamente relacionada com o
sentimento de perda, já que muitos
indivíduos tinham a sua vida relativamente organizada e, subitamente, são
forçados a lidar com a perda de rendimentos, de emprego ou de casa. Em
acréscimo, torna-se muito angustiante para um indivíduo de meia-idade imaginar a
possibilidade a oportunidade de “recomeçar do zero”. No que respeita à
juventude, o impacto psicológico não está tão relacionado com a depressão, mas encontram-se
muitos sintomas de ansiedade, espelhando o medo do futuro.
Em
momento de “cortes” na Saúde e na Segurança Social e, portanto, na ausência de
um sistema nacional que possibilite um suporte psicológico adequado ao momento
de crise, impera a necessidade de o indivíduo procurar apoio na sua rede
social, isto é, na família, nos amigos e na comunidade. Contudo, para que isso
aconteça é essencial que cada um reconheça (perante si próprio e muitas vezes perante
os outros) as suas dificuldades, pois existe sempre muita vergonha associada às
situações de carência económica e, mais ainda, vergonha relativamente à
fragilidade psicológica. Paradoxalmente, importa dizer que existe sempre mais
força no indivíduo que assume as suas fragilidades do que naquele que as
esconde. Em acréscimo, sabe-se que negar e fugir da nossa verdade (interna e
externa) é uma das causas de mal-estar psicológico. O acto de pedir ajuda (seja
de que ordem for) é, por si só, um acto de Saúde Mental.
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sexta-feira, 25 de maio de 2012
O relógio avariado
O
relógio da cozinha continua parado e avariado há mais de um ano. Quantas vezes
pensei que bastaria pôr-me em cima de um banco, pegar nele e atirá-lo para o
lixo? Mas nunca o fiz. Nunca o fiz porque aquele relógio sou eu. Ele precisa de
estar assim, porque algumas coisas precisam de denunciar o que se passa dentro
de nós. Não é a preguiça que me impede de o deitar fora, é a verdade. E a
verdade é que o tempo está parado dentro de mim. A minha casa sou eu. Está
parada. Quando eu começar a funcionar, vai aparecer um relógio a funcionar.
Marta Gautier
domingo, 20 de maio de 2012
Domingar
O Domingo comporta uma certa preguiça,
um laissez-faire profundamente
gostoso. Para quem não consegue desacelerar, o Domingo torna-se um fardo. Convida
a estar, a sentir, logo, a pensar. Mas Deus descansou ao Domingo e nós também. Desaceleremos.
Estejamos. Sintamos. Pensemos. Para que se comece a semana de barriga cheia, entreguemo-nos
à contemplação, ao ronronar dos afectos e às brincadeiras alegres das famílias!
Excelência do Pensamento
António
Coimbra de Matos foi galardoado com o prémio - Distinguished
Psychoanalytic Educator Award 2012 - prémio com que o IFPE (The
International Forum for Psychoanalytic Education) distingue anualmente uma
“Personalidade de Mérito” associada à excelência do ensino da Psicanálise.
Este prémio será entregue na IFPE’s
23rd Annual Interdisciplinary Conference, Theme: Sustainable Psychoanalysis:
Embracing Our Future, Preserving Our Past, em Novembro 2-4, 2012, The Governor Hotel , Portland, Oregon.
António Coimbra de Matos é um dos fundadores da Associação Portuguesa de Psicanálise
e Psicoterapia Psicanalítica. A AP está inscrita na IFPE desde o ano
de 2009 e alguns associados têm-na representado anualmente nesta conferência.
Parabéns, Professor !
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sexta-feira, 18 de maio de 2012
Pedrinha (De saber amar)
Aquilo que faz dos humanos seres
transcendentes é a capacidade de amar. E saber amar é a razão da felicidade.
António
Coimbra de Matos
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domingo, 6 de maio de 2012
Sigmund Freud (156 anos)
Dia da
Mãe, mas também dia de um Pai. Comemora-se hoje o 156º aniversário do
nascimento de Sigmund Freud, o "Pai" da
Psicanálise. Homenageamo-lo, também, por "dar à luz" a teoria mais
completa para a compreensão do funcionamento mental no Homo Sapiens Sapiens (o Homem que sabe que sabe). Tanto sabe que
usa (inconscientemente) as melhores manobras de ilusão na arte de se enganar a
si mesmo.
Freud
mostrou-nos as "trevas" que carregamos dentro de nós mas ofereceu-nos
as técnicas que nos conduzem à "luz". Hoje, a Psicanálise
continua a ser uma viagem fabulosa que nos oferece o conhecimento, a verdade e a
liberdade. Para os que têm coragem de dobrar o Cabo das Tormentas e enfrentar
os seus Adamastores, grandes Glórias no Horizonte!
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