Transformação é a palavra-chave. Na vida ou há desenvolvimento ou instala-se a decadência. O estacionamento é uma ilusão. Nas palavras de Cervantes, “A estrada é sempre melhor que a estalagem” (António Coimbra de Matos)
terça-feira, 12 de novembro de 2013
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Pedrinha (Dos Abraços)
"A duração média de um abraço entre duas pessoas é de 3
segundos. Mas os investigadores descobriram algo fantástico. Quando um abraço
dura 20 segundos há um efeito terapêutico sobre o corpo e mente. A razão é que
um abraço sincero produz uma hormona chamada "oxitocina", também
conhecida como a hormona do amor. Esta substância tem muitos benefícios na
nossa saúde física e mental, ajuda-nos, entre outras coisas, para relaxar, a
sentir segurança e a acalmar os nossos medos e ansiedade. Este maravilhoso
calmante é oferecido de forma gratuita cada vez que temos uma pessoa nos nossos
braços"
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Pedrinha (Da Liberdade de Ser)
“A análise é árdua e faz sofrer. Mas quando se está
desmoronando sob o peso das palavras recalcadas, das condutas obrigatórias, das
aparências a serem salvas, quando a imagem que se tem de si mesmo torna-se
insuportável, o remédio é esse. Pelo menos, eu o experimentei (...) Não mais
sentir vergonha de si mesmo é a realização da liberdade (…). Isso é o que uma
psicanálise bem conduzida ensina aos que lhe pedem socorro”.
Françoise
Giroud
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Elogio à Consciência dos Momentos Felizes
"Desde cedo que temo a possibilidade de passar
pelas horas mais felizes da minha vida sem as reconhecer. Não sei com quem
aprendi esse talento. Sinto pena silenciosa quando vejo alguém recordar um
tempo em que foi feliz como se, só naquele instante, demasiado tarde,
identificasse a felicidade que atravessou. Não quero esse desperdício para mim.
A vontade de reconhecer os melhores momentos da minha vida no instante em que
estou a vivê-los, dá-me a lucidez de estar sempre alerta para a felicidade. É
essa a minha sorte."
José Luís Peixoto in
Breve partilha da minha sorte infinita
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Impulsividade
Como uma
espécie de relâmpago emocional, todos possuímos e sentimos impulsos. O que
varia é a luminosidade do relâmpago, isto é, o grau em que nos invade o
pensamento, e o barulho do trovão subsequente, ou seja, a capacidade de conter/controlar
esses impulsos.
Ser
impulsivo é um funcionamento psicológico mais associado à infância ou à
adolescência mas tornou-se uma característica relativamente aceite na idade
adulta, muito em parte porque se encontra erradamente associada a uma personalidade
forte. Assim, confunde-se frequentemente impulsividade com autenticidade ou
mesmo com energia/entusiasmo quando podemos ser genuínos e activos sem sermos
impulsivos (ou seja, emocionalmente reactivos). O comportamento impulsivo denuncia
uma dificuldade em tolerar os conflitos internos, nomeadamente, afectos mais
incómodos e desagradáveis como a ansiedade (ou medo), a frustração ou a raiva. Perante
estas emoções, sem uma necessária “digestão” das mesmas (por falta de estrutura
psicológica) ou das situações que as despoletam, agimos impulsivamente. Outras
vezes, pouco tolerantes à dúvida ou à espera (de novo, nada mais que a
ansiedade), agimos, seja por palavras não pensadas, seja num comportamento
irreflectido.
Quando há
uma maior possibilidade de introspecção, isto é, de pensar analiticamente sobre
as coisas (as nossas, as dos outros ou as do mundo) torna-se possível funcionar
mais ponderadamente. Pensar implica primeiro conter dentro de nós algumas
emoções mais difíceis (durante maior ou menor quantidade de tempo) e depois
analisá-las e resolve-las internamente sem descarregar imediatamente os
impulsos no exterior (muitas vezes em cima dos outros).
Seres
impulsivos por natureza, os animais, esses sim, regem-se por instintos vários,
mas o Homem é um ser fundamentalmente reflexivo, o que pressupõe essa dita capacidade
de pensar sobre as coisas. No entanto, nem sempre acontece e tudo o que é então
demasiado difícil de ser guardado e pensado dentro de nós (conflitos, dilemas,
receios) é agido. Olhando em redor, nesta época de brandos costumes, dominada
pelos impulsos imediatos ou compulsões, segundo uma apologia consumista “daquilo
que não pode ficar para depois”, as pessoas agem muito e pensam pouco. Não se
pretende ignorar que alguns impulsos humanos conferem cor e sabor à história de
alguém e à história da Humanidade mas a dificuldade que aqui se realça diz
respeito ao funcionamento sistematicamente (estruturalmente) impulsivo, que nos
leva frequentemente pelo caminho errado e, não raras vezes, longe de mais.
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quinta-feira, 10 de outubro de 2013
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
O Eu, o Tu e o Nós
Quando
crescemos em ambientes de pouca afectividade ou fomos insuficientemente
cuidados, tendemos a crescer “coxos”, ou seja, fica a faltar-nos uma estrutura
de confiança e amor-próprio suficientes para sermos emocionalmente autónomos. Como
consequência, facilmente procuraremos alguém que cuide de nós enquanto adultos,
ainda que este movimento seja inconsciente. Por vezes, se o dano for ligeiro,
pode encontrar-se um parceiro suficientemente saudável que nos permita sarar
quase espontaneamente as falhas das nossas relações precoces. Porém, se o dano
for profundo, não só ninguém poderá reparar o que está para trás (nem tem essa
obrigação) como nós próprios seremos obstáculo ao bom funcionamento da relação,
consoante a sofreguidão com que nos grudamos ao outro.
É
vulgar encontrar relações em que um elemento funciona como pai/mãe/bengala/penso-rápido
(e por aí fora) do outro. E há muito frequentemente confusão entre isso e algo
muito belo (e bem diferente) que se chama “amor”. Podemos então falar de
dependência emocional, definindo-a como um padrão persistente de necessidades
emocionais insatisfeitas que se tentam suprir de uma forma desadaptada com
outras pessoas. Quando precisamos do parceiro para nos sentirmos um ser humano
completo, quando toda a nossa vida gira em função de uma relação amorosa,
quando não há nada no mundo que mais importe do que isso, é preciso parar para
pensar. É aquilo que se entende por um amor fusionado, em que não se percebe
onde começa um nem onde acaba o outro. Comunhão, sim, fusão, não.
O
que é ser emocionalmente autónomo? Não é não precisar de ninguém pois isso não
existe. O ser humano é um ser relacional e a escolha de um parceiro faz parte
da condição humana, o lugar onde se coloca o parceiro é que é digno de análise.
A relação mais saudável é aquela em que duas pessoas adultas se sentem, per si, completas, mas que, quando se
juntam, se transbordam mutuamente e criam algo novo. É poder existir no mundo
independentemente da presença constante de alguém ao meu lado. É poder
funcionar no dia-a-dia com entusiasmo e confiança mesmo quando estou sozinho. É
amar-me. É possuir uma existência, personalidade, vontade, gostos e ideais
próprios, e respeitá-los, assim como respeitar/aceitar genuinamente que o meu
parceiro possa ser diferente de mim em todos estes aspectos. É permitir que a
relação seja um sistema aberto e nunca um sistema fechado sobre si mesmo (senão
a relação satura e, sem oxigénio, morre). É existir um Eu, reconhecer um Tu (diferente
e separado do Eu), e sentir o Nós como o produto da soma de ambos.
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domingo, 29 de setembro de 2013
Pedrinha (em dia de eleições)
É um mundo deprimido, sem chama nas
almas, que impõe/nos impõe lutar pelo progresso – social, individual, do
conhecimento e da ventura – e pela transformação num mundo em que seja possível
voltar a sonhar com o futuro.
Progresso económico, sim, mas em
liberdade, justiça e distribuição.
Com liberdade, continuaremos a caminhada –
do progresso e pelo progresso. Porque jamais – assim o queremos, assim o
determinamos – nos deixaremos amordaçar! O silêncio conduz à morte da
liberdade.
António
Coimbra de Matos
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Pedrinha (Da Terapia do Terapeuta)
Nunca me canso de dizer aos jovens
terapeutas que a sua ferramenta mais vital são eles próprios, e que,
consequentemente, o instrumento tem de estar primorosamente afinado. Os
terapeutas necessitam de ter um grande autoconhecimento,
de confiar nas suas observações e obrigatoriamente relacionarem-se com os seus
clientes de uma maneira atenciosa e profissional. É precisamente por esta razão
que a terapia pessoal está (ou deveria estar) na base de todos os programas de
ensino terapêutico. Não só acredito que os terapeutas deveriam ter anos de
terapia pessoal enquanto se formam, como ainda voltar à terapia à medida que
vão evoluindo na vida; à medida que se sentir mais confiante enquanto
terapeuta, e quanto mais acreditar nas suas observações e na sua objectividade, mais livre se sentirá
para usar, com segurança, os sentimentos que os seus pacientes lhe suscitam.
Irvin
D. Yalom in De Olhos Fixos no Sol
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quarta-feira, 25 de setembro de 2013
terça-feira, 24 de setembro de 2013
domingo, 22 de setembro de 2013
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Pedrinha (Da Humanidade)
"Conheça todas as teorias, domine todas as
técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana"
Carl Jung
Manifesto
No
exercício da parentalidade, todos os dias se encontram histórias de papéis
invertidos, trocados ou confundidos entre pais e filhos. São histórias de
fronteiras mal definidas entre os lugares de cada um e que boicotam infâncias, embora
sem intenção. Nem sempre o equilíbrio familiar é conseguido e a confusão
inicia-se, cresce e invade as crianças, surgindo as dificuldades de
autonomização e bom desenvolvimento.
Um
dos sintomas deste caos familiar é a incapacidade de alguns adultos/pais de se
separarem dos seus próprios filhos e a inexistência de fronteiras claras (banhos
comuns, camas comuns, falta de privacidade ou intimidade). A obrigatoriedade de
partilhar tudo em família, sejam segredos, interesses ou ideologias, amputa a
individualidade fundamental de qualquer criança/adolescente. Outro sintoma do
caos é quando os pais carregam os seus filhos com confidências e desabafos
permanentes, procurando um “colo” para as suas angústias naqueles que deviam
estar a recebê-lo. Outro sintoma, ainda, quando pais pretendem ser os “melhores
amigos” dos seus filhos em vez de serem apenas aquilo que lhes compete e lhes é
pedido, serem pais. Se certas crianças pudessem comunicar sobre aquilo que as
rodeia, redigiriam um manuscrito que seria seguramente parecido com isto:
“Pais
e Crescidos:
Na
descoberta de nós próprios muitas vezes somos confundidos. A individualização é
um caminho básico para o bom desenvolvimento: 1) Não queremos partilhar todos
os nossos segredos convosco como se fossem os nossos melhores amigos e não
queremos igualmente saber dos vossos segredos, fardos ou intimidades. Pai é
pai, mãe é mãe, amigo é amigo e “cada macaco no seu galho”; 2) Não nos usem
para preencher vazios conjugais. Não podemos nem queremos preencher o lugar do pai
ou da mãe e não se iludam pensando que não damos conta; 3) Não nos usem para
repetir “abandonos” a que foram sujeitos e não nos usem para descarregar as
vossas zangas, frustrações e ansiedades; 4) Se não são suficientemente capazes
de tomar conta de vós próprios não deviam tomar conta de mais ninguém, não
conseguimos dar-vos o colo que os vossos pais não vos deram nem salvar-vos dos
vossos abismos; 5) Precisamos muito de vocês e não podem ser vocês a precisar
muito de nós. NOTA: Em boa verdade quando estamos todos misturados dá-nos a
ilusão de protecção eterna e até gostaríamos de dormir para sempre no vosso
quentinho mas sabemos que nem sempre os nossos desejos são adequados, porque somos
pequeninos e, por isso, os bons pais ajudam-nos a separar devagarinho a fantasia
da realidade. Não queremos com isto dizer que não façam o melhor que podem ou
que sabem. Mas como diz o ditado, de boas intenções está o Inferno cheio.
Obrigado,
As
Vossas Crianças.”
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domingo, 30 de junho de 2013
sábado, 1 de junho de 2013
terça-feira, 28 de maio de 2013
Quem pensas que enganas?
Procuramos
frequentemente esconder os nossos afectos e emoções. Ocultamos a irritação, disfarçamos
a desilusão, camuflamos o ciúme e mascaramos o medo. Escondemos a tristeza, a
raiva e mesmo o amor. Por vezes, conscientemente, outras, sem sequer nos
apercebermos desse conflito inevitável entre o que sentimos cá dentro e o que
queremos (ou que não queremos) passar para fora.
Fazemo-lo
por tantos motivos! Pode ser para seguirmos o “politicamente correcto” ou porque
não queremos admitir as nossas fragilidades. Porque não queremos criar
conflitos ou magoar alguém. Fazemo-lo porque, racionalmente, achamos que não
temos legitimidade para sentir certas coisas, ou porque queremos esconder de
nós próprios o que sentimos. Não importa aqui o porquê mas importa sobretudo perceber
que normalmente falhamos redondamente na nossa intenção de camuflar os nossos
afectos. É que os seres humanos são excelentes detectores de “mentiras
afectivas” uns nos outros.
Para
enganar (ou outro ou a nós próprios) usamos as palavras. Por trás das palavras,
usamos racionalizações (raciocínios lógicos).
Uma mãe diz que respeita muito a liberdade do seu filho mas de cada vez que ele
lhe omite algo íntimo fica sentida por ser posta de lado. Um homem chega a casa
e conta que ficou desempregado, ao que a sua mulher responde que tudo se irá
resolver mas nos seus gestos seguintes revela todo o medo, ansiedade e falta de
confiança no marido. Um filho apresenta um teste com uma nota mais baixa que o
costume e a sua mãe diz que não tem importância e que acontece aos melhores mas
nos seus olhos está espelhado o desapontamento. Um pai pergunta ao filho como
correu o seu dia mas depois, na verdade, não presta a mínima atenção ao que o
filho conta quando chega da escola. Em todas estas cenas há uma coisa que é
dita e uma outra diferente que é percebida e sentida na relação.
As
palavras contêm um significado objectivo e são uma arma de argumentação
poderosa nas relações. Só que há algo muito especial e subjectivo nos seres
humanos que é mais poderoso do que as palavras: os afectos. Na relação com os
outros, essa nossa subjectividade dança com a subjectividade do outro e descobrem-se
mutuamente. Chamamos a isto a intersubjectividade
na relação, ou seja, “eu sinto o que tu sentes e tu sentes o que eu sinto”.
Há
quem esconda bem os afectos. Com mecanismos de defesa muito sólidos. E, por
outro lado, também há quem tenha muito pouca capacidade de ler o outro para lá
dessas barreiras. Tristeza das tristezas é não vivermos essas danças a dois por
não estarmos verdadeiramente em relação com o outro. Numa relação sem comunhão afectiva
ficaremos meramente restringidos à troca de palavras, passando-nos ao lado os
afectos escondidos e deixando escapar as nuances
mais belas das relações humanas.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
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