quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Dos abraços fortes


Pedrinha (Dos Abraços)

"A duração média de um abraço entre duas pessoas é de 3 segundos. Mas os investigadores descobriram algo fantástico. Quando um abraço dura 20 segundos há um efeito terapêutico sobre o corpo e mente. A razão é que um abraço sincero produz uma hormona chamada "oxitocina", também conhecida como a hormona do amor. Esta substância tem muitos benefícios na nossa saúde física e mental, ajuda-nos, entre outras coisas, para relaxar, a sentir segurança e a acalmar os nossos medos e ansiedade. Este maravilhoso calmante é oferecido de forma gratuita cada vez que temos uma pessoa nos nossos braços" 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Pedrinha (Da Liberdade de Ser)


“A análise é árdua e faz sofrer. Mas quando se está desmoronando sob o peso das palavras recalcadas, das condutas obrigatórias, das aparências a serem salvas, quando a imagem que se tem de si mesmo torna-se insuportável, o remédio é esse. Pelo menos, eu o experimentei (...) Não mais sentir vergonha de si mesmo é a realização da liberdade (…). Isso é o que uma psicanálise bem conduzida ensina aos que lhe pedem socorro”.


Françoise Giroud

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Elogio à Consciência dos Momentos Felizes


"Desde cedo que temo a possibilidade de passar pelas horas mais felizes da minha vida sem as reconhecer. Não sei com quem aprendi esse talento. Sinto pena silenciosa quando vejo alguém recordar um tempo em que foi feliz como se, só naquele instante, demasiado tarde, identificasse a felicidade que atravessou. Não quero esse desperdício para mim. A vontade de reconhecer os melhores momentos da minha vida no instante em que estou a vivê-los, dá-me a lucidez de estar sempre alerta para a felicidade. É essa a minha sorte."


José Luís Peixoto in Breve partilha da minha sorte infinita

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Impulsividade



Como uma espécie de relâmpago emocional, todos possuímos e sentimos impulsos. O que varia é a luminosidade do relâmpago, isto é, o grau em que nos invade o pensamento, e o barulho do trovão subsequente, ou seja, a capacidade de conter/controlar esses impulsos.
Ser impulsivo é um funcionamento psicológico mais associado à infância ou à adolescência mas tornou-se uma característica relativamente aceite na idade adulta, muito em parte porque se encontra erradamente associada a uma personalidade forte. Assim, confunde-se frequentemente impulsividade com autenticidade ou mesmo com energia/entusiasmo quando podemos ser genuínos e activos sem sermos impulsivos (ou seja, emocionalmente reactivos). O comportamento impulsivo denuncia uma dificuldade em tolerar os conflitos internos, nomeadamente, afectos mais incómodos e desagradáveis como a ansiedade (ou medo), a frustração ou a raiva. Perante estas emoções, sem uma necessária “digestão” das mesmas (por falta de estrutura psicológica) ou das situações que as despoletam, agimos impulsivamente. Outras vezes, pouco tolerantes à dúvida ou à espera (de novo, nada mais que a ansiedade), agimos, seja por palavras não pensadas, seja num comportamento irreflectido.
Quando há uma maior possibilidade de introspecção, isto é, de pensar analiticamente sobre as coisas (as nossas, as dos outros ou as do mundo) torna-se possível funcionar mais ponderadamente. Pensar implica primeiro conter dentro de nós algumas emoções mais difíceis (durante maior ou menor quantidade de tempo) e depois analisá-las e resolve-las internamente sem descarregar imediatamente os impulsos no exterior (muitas vezes em cima dos outros).
Seres impulsivos por natureza, os animais, esses sim, regem-se por instintos vários, mas o Homem é um ser fundamentalmente reflexivo, o que pressupõe essa dita capacidade de pensar sobre as coisas. No entanto, nem sempre acontece e tudo o que é então demasiado difícil de ser guardado e pensado dentro de nós (conflitos, dilemas, receios) é agido. Olhando em redor, nesta época de brandos costumes, dominada pelos impulsos imediatos ou compulsões, segundo uma apologia consumista “daquilo que não pode ficar para depois”, as pessoas agem muito e pensam pouco. Não se pretende ignorar que alguns impulsos humanos conferem cor e sabor à história de alguém e à história da Humanidade mas a dificuldade que aqui se realça diz respeito ao funcionamento sistematicamente (estruturalmente) impulsivo, que nos leva frequentemente pelo caminho errado e, não raras vezes, longe de mais. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O Eu, o Tu e o Nós



Quando crescemos em ambientes de pouca afectividade ou fomos insuficientemente cuidados, tendemos a crescer “coxos”, ou seja, fica a faltar-nos uma estrutura de confiança e amor-próprio suficientes para sermos emocionalmente autónomos. Como consequência, facilmente procuraremos alguém que cuide de nós enquanto adultos, ainda que este movimento seja inconsciente. Por vezes, se o dano for ligeiro, pode encontrar-se um parceiro suficientemente saudável que nos permita sarar quase espontaneamente as falhas das nossas relações precoces. Porém, se o dano for profundo, não só ninguém poderá reparar o que está para trás (nem tem essa obrigação) como nós próprios seremos obstáculo ao bom funcionamento da relação, consoante a sofreguidão com que nos grudamos ao outro.
É vulgar encontrar relações em que um elemento funciona como pai/mãe/bengala/penso-rápido (e por aí fora) do outro. E há muito frequentemente confusão entre isso e algo muito belo (e bem diferente) que se chama “amor”. Podemos então falar de dependência emocional, definindo-a como um padrão persistente de necessidades emocionais insatisfeitas que se tentam suprir de uma forma desadaptada com outras pessoas. Quando precisamos do parceiro para nos sentirmos um ser humano completo, quando toda a nossa vida gira em função de uma relação amorosa, quando não há nada no mundo que mais importe do que isso, é preciso parar para pensar. É aquilo que se entende por um amor fusionado, em que não se percebe onde começa um nem onde acaba o outro. Comunhão, sim, fusão, não.

O que é ser emocionalmente autónomo? Não é não precisar de ninguém pois isso não existe. O ser humano é um ser relacional e a escolha de um parceiro faz parte da condição humana, o lugar onde se coloca o parceiro é que é digno de análise. A relação mais saudável é aquela em que duas pessoas adultas se sentem, per si, completas, mas que, quando se juntam, se transbordam mutuamente e criam algo novo. É poder existir no mundo independentemente da presença constante de alguém ao meu lado. É poder funcionar no dia-a-dia com entusiasmo e confiança mesmo quando estou sozinho. É amar-me. É possuir uma existência, personalidade, vontade, gostos e ideais próprios, e respeitá-los, assim como respeitar/aceitar genuinamente que o meu parceiro possa ser diferente de mim em todos estes aspectos. É permitir que a relação seja um sistema aberto e nunca um sistema fechado sobre si mesmo (senão a relação satura e, sem oxigénio, morre). É existir um Eu, reconhecer um Tu (diferente e separado do Eu), e sentir o Nós como o produto da soma de ambos. 

domingo, 29 de setembro de 2013

Pedrinha (em dia de eleições)

É um mundo deprimido, sem chama nas almas, que impõe/nos impõe lutar pelo progresso – social, individual, do conhecimento e da ventura – e pela transformação num mundo em que seja possível voltar a sonhar com o futuro.
Progresso económico, sim, mas em liberdade, justiça e distribuição.
Com liberdade, continuaremos a caminhada – do progresso e pelo progresso. Porque jamais – assim o queremos, assim o determinamos – nos deixaremos amordaçar! O silêncio conduz à morte da liberdade.


António Coimbra de Matos 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Pedrinha (Da Terapia do Terapeuta)


Nunca me canso de dizer aos jovens terapeutas que a sua ferramenta mais vital são eles próprios, e que, consequentemente, o instrumento tem de estar primorosamente afinado. Os terapeutas necessitam de ter um grande autoconhecimento, de confiar nas suas observações e obrigatoriamente relacionarem-se com os seus clientes de uma maneira atenciosa e profissional. É precisamente por esta razão que a terapia pessoal está (ou deveria estar) na base de todos os programas de ensino terapêutico. Não só acredito que os terapeutas deveriam ter anos de terapia pessoal enquanto se formam, como ainda voltar à terapia à medida que vão evoluindo na vida; à medida que se sentir mais confiante enquanto terapeuta, e quanto mais acreditar nas suas observações e na sua objectividade, mais livre se sentirá para usar, com segurança, os sentimentos que os seus pacientes lhe suscitam.


Irvin D. Yalom in De Olhos Fixos no Sol

domingo, 22 de setembro de 2013

Pedrinha (Do dizer que não)

(…) E é do NÃO ao que te limita e degrada que tu hás-de construir o SIM da tua dignidade. 

Virgílio Ferreira


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Pedrinha (Da Humanidade)

"Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana"

Carl Jung

Manifesto


No exercício da parentalidade, todos os dias se encontram histórias de papéis invertidos, trocados ou confundidos entre pais e filhos. São histórias de fronteiras mal definidas entre os lugares de cada um e que boicotam infâncias, embora sem intenção. Nem sempre o equilíbrio familiar é conseguido e a confusão inicia-se, cresce e invade as crianças, surgindo as dificuldades de autonomização e bom desenvolvimento.
Um dos sintomas deste caos familiar é a incapacidade de alguns adultos/pais de se separarem dos seus próprios filhos e a inexistência de fronteiras claras (banhos comuns, camas comuns, falta de privacidade ou intimidade). A obrigatoriedade de partilhar tudo em família, sejam segredos, interesses ou ideologias, amputa a individualidade fundamental de qualquer criança/adolescente. Outro sintoma do caos é quando os pais carregam os seus filhos com confidências e desabafos permanentes, procurando um “colo” para as suas angústias naqueles que deviam estar a recebê-lo. Outro sintoma, ainda, quando pais pretendem ser os “melhores amigos” dos seus filhos em vez de serem apenas aquilo que lhes compete e lhes é pedido, serem pais. Se certas crianças pudessem comunicar sobre aquilo que as rodeia, redigiriam um manuscrito que seria seguramente parecido com isto:

“Pais e Crescidos:

Na descoberta de nós próprios muitas vezes somos confundidos. A individualização é um caminho básico para o bom desenvolvimento: 1) Não queremos partilhar todos os nossos segredos convosco como se fossem os nossos melhores amigos e não queremos igualmente saber dos vossos segredos, fardos ou intimidades. Pai é pai, mãe é mãe, amigo é amigo e “cada macaco no seu galho”; 2) Não nos usem para preencher vazios conjugais. Não podemos nem queremos preencher o lugar do pai ou da mãe e não se iludam pensando que não damos conta; 3) Não nos usem para repetir “abandonos” a que foram sujeitos e não nos usem para descarregar as vossas zangas, frustrações e ansiedades; 4) Se não são suficientemente capazes de tomar conta de vós próprios não deviam tomar conta de mais ninguém, não conseguimos dar-vos o colo que os vossos pais não vos deram nem salvar-vos dos vossos abismos; 5) Precisamos muito de vocês e não podem ser vocês a precisar muito de nós. NOTA: Em boa verdade quando estamos todos misturados dá-nos a ilusão de protecção eterna e até gostaríamos de dormir para sempre no vosso quentinho mas sabemos que nem sempre os nossos desejos são adequados, porque somos pequeninos e, por isso, os bons pais ajudam-nos a separar devagarinho a fantasia da realidade. Não queremos com isto dizer que não façam o melhor que podem ou que sabem. Mas como diz o ditado, de boas intenções está o Inferno cheio.

Obrigado,


As Vossas Crianças.” 

sábado, 1 de junho de 2013

terça-feira, 28 de maio de 2013

Quem pensas que enganas?

Procuramos frequentemente esconder os nossos afectos e emoções. Ocultamos a irritação, disfarçamos a desilusão, camuflamos o ciúme e mascaramos o medo. Escondemos a tristeza, a raiva e mesmo o amor. Por vezes, conscientemente, outras, sem sequer nos apercebermos desse conflito inevitável entre o que sentimos cá dentro e o que queremos (ou que não queremos) passar para fora.
Fazemo-lo por tantos motivos! Pode ser para seguirmos o “politicamente correcto” ou porque não queremos admitir as nossas fragilidades. Porque não queremos criar conflitos ou magoar alguém. Fazemo-lo porque, racionalmente, achamos que não temos legitimidade para sentir certas coisas, ou porque queremos esconder de nós próprios o que sentimos. Não importa aqui o porquê mas importa sobretudo perceber que normalmente falhamos redondamente na nossa intenção de camuflar os nossos afectos. É que os seres humanos são excelentes detectores de “mentiras afectivas” uns nos outros.
Para enganar (ou outro ou a nós próprios) usamos as palavras. Por trás das palavras, usamos racionalizações (raciocínios lógicos). Uma mãe diz que respeita muito a liberdade do seu filho mas de cada vez que ele lhe omite algo íntimo fica sentida por ser posta de lado. Um homem chega a casa e conta que ficou desempregado, ao que a sua mulher responde que tudo se irá resolver mas nos seus gestos seguintes revela todo o medo, ansiedade e falta de confiança no marido. Um filho apresenta um teste com uma nota mais baixa que o costume e a sua mãe diz que não tem importância e que acontece aos melhores mas nos seus olhos está espelhado o desapontamento. Um pai pergunta ao filho como correu o seu dia mas depois, na verdade, não presta a mínima atenção ao que o filho conta quando chega da escola. Em todas estas cenas há uma coisa que é dita e uma outra diferente que é percebida e sentida na relação.
As palavras contêm um significado objectivo e são uma arma de argumentação poderosa nas relações. Só que há algo muito especial e subjectivo nos seres humanos que é mais poderoso do que as palavras: os afectos. Na relação com os outros, essa nossa subjectividade dança com a subjectividade do outro e descobrem-se mutuamente. Chamamos a isto a intersubjectividade na relação, ou seja, “eu sinto o que tu sentes e tu sentes o que eu sinto”.

Há quem esconda bem os afectos. Com mecanismos de defesa muito sólidos. E, por outro lado, também há quem tenha muito pouca capacidade de ler o outro para lá dessas barreiras. Tristeza das tristezas é não vivermos essas danças a dois por não estarmos verdadeiramente em relação com o outro. Numa relação sem comunhão afectiva ficaremos meramente restringidos à troca de palavras, passando-nos ao lado os afectos escondidos e deixando escapar as nuances mais belas das relações humanas.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

domingo, 7 de abril de 2013

A construção da identidade


Não se nasce com uma identidade estática e definida. Parte-se de uma identidade biológica mas não é, contudo, isso que nos limita, na medida em que o nosso programa genético é plástico e permite-nos seguir inúmeras direcções. A construção da identidade é um processo dinâmico e pessoal, cuja base assenta nas primeiras relações afectivas que nos rodeiam mas também no meio sociocultural em que nos inserimos. Como tudo começa?
Durante os primeiros 18 meses de vida, dá-se aquilo a que se chama a identificação imagóico-imagética. O bebé identifica-se com a imagem que os outros significativos lhe reconhecem e lhe transmitem. É uma identificação em espelho: “eu sou aquilo que acham/dizem que eu sou e serei”. Pode originar um desenvolvimento saudável ou, inversamente, patológico, pois o bebé sente e assimila sentimentos, expectativas, crenças, medos e desejos (mesmo os mais inconscientes ou mesmo os mais indesejáveis) que encontra junto daqueles que o cuidam (ou descuidam). Pensa-se que seja a fase mais fundamental para a construção de uma identidade própria.
Entre os 18 e os 30 meses, a construção da identidade passa por um processo de identificação idiomórfica, ou seja, identificamo-nos à nossa própria forma. Por auto-observação. Olhamo-nos e olhamos também para o outro que será mais parecido ou mais diferente de nós, estabelecendo comparações. Começamos a reconhecer-nos como alguém e a percebermo-nos. Nasce também uma identidade sexuada onde percebemos que somos menina ou menino e as diferenças de género subjacentes.
Posto isto, entre os 3 e os 6 anos, numa terceira fase chamada identificação alotriomórfica, a criança passa a identificar-se a um modelo, um objecto de eleição ao qual procura assemelhar-se, alguém que admira e ama. Copia o que vê o seu modelo fazer, pensar, agir, sentir e comunicar. Para o bem e para o mal. Há modelos piores e modelos melhores. Mas importa dizer que mesmo os melhores modelos não serão bons se não nos ajudarem a encontrar o nosso próprio estar e o nosso próprio sentir. Pobre daquele que é apenas uma cópia do outro.
Assim, pensar que a identidade só está estabelecida na idade adulta é um engano, pois as bases começam muito antes. Contudo, certamente que este processo é uma construção contínua, do início ao fim, e as nossas experiências de vida continuarão sempre a moldar-nos. Por isso, aceitar tacitamente que somos produto do que vivemos não será também caminho pois não nos podemos subtrair à responsabilidade que temos nas escolhas que fazemos. A construção de uma identidade será, sobretudo, uma criação própria. Temos capacidade de reflectir e transformar e, como disse um dia Ray Charles, somos os nossos próprios engenheiros.

Nota: Baseado no modelo de construção de identidade de António Coimbra de Matos

Domingo à Janela


quinta-feira, 14 de março de 2013

Existir


Para encontrar a saída siga as indicações.

Pedrinha (Do Tactear)


“É mesmo essencial, para o seu equilíbrio psíquico e para a salutar expansão  da sua personalidade, que o adolescente possa tactear ou encetar vários caminhos antes de verdadeiramente escolher o que melhor corresponde à sua maneira de ser, de sentir o mundo e de perspectivar o futuro. Não lho permitir será amputá-lo para todo o sempre nas suas potencialidades evolutivas.”

António Coimbra de Matos

Sobre outras perspectivas



"What if I should fall right through the center of the earth... Oh, and come out the other side, where people walk upside down? "

 Lewis Carroll in Alice in Wonderland

domingo, 3 de março de 2013

Viver ou Sobreviver?



Nascemos. Num determinado lugar e numa certa família, que não escolhemos. Dão-nos um nome, que também não escolhemos, mas somos donos de um corpo e de uma alma. A nossa alma (ou mente ou psique) permite-nos pensar e sentir, e esse corpo permite-nos concretizar coisas. Chegados aqui, o que fazemos com isso? Que faço eu da minha vida e que pretendo ainda fazer? Dar um sentido à vida é algo que vive na mente de alguns mas não na mente de todos. Perspectivar o passado e planear o futuro, sabendo de onde viemos mas olhando principalmente para onde nos dirigimos é atribuir significado à nossa existência. E é fundamental. O sentido da vida diverge de pessoa para pessoa, de dia para dia e, por vezes, de hora para hora, pois o que interessa, sobretudo, não é um objectivo geral, único e rígido, mas o significado específico que vamos atribuindo ao longo do tempo e dos acontecimentos e que, naturalmente, se modifica e adapta em função do nosso desenvolvimento pessoal.
Em meados do século passado já tínhamos compreendido que os indivíduos que melhor sobreviveram aos campos de concentração durante a II Guerra Mundial (os que ficaram menos debilitados física e psicologicamente) foram maioritariamente aqueles que se agarraram a uma razão para sobreviver e mantiveram em mente uma motivação forte para o conseguirem. Mais recentemente, investigação médica descobriu que um forte sentido de existência (e o bem-estar subjacente a esse sentimento) se correlaciona com uma melhor saúde física e longevidade. E, por fim, chegou-se à Saúde Mental: aqueles que desenvolvem objectivos para a sua vida e que se empenham e comprometem na sua concretização tornam-se pessoas mais felizes e saudáveis. Dar sentido à nossa vida protege-nos da depressão, da ansiedade e mesmo da deterioração cognitiva. Novas evidências científicas sugerem ainda que é uma capacidade essencial para atenuar os sintomas de doenças degenerativas como o Alzheimer, num estudo que tem permitido concluir que aqueles que em vida atribuem mais significado à sua existência e mantêm presente os seus propósitos estão mais protegidos contra este mal.
São aqueles que não se limitam a viver um dia de cada vez sem pensar no futuro, são os que se sentem bem com o que fizeram da sua vida e com o que planeiam fazer futuramente, aplicando-se na concretização dos sonhos, e ainda os que não desistiram desses objectivos com o passar no tempo nem mesmo perante as adversidades. O vazio existencial é uma morte lenta. Sonhar com esperança, planear com entusiamo, concretizar com perseverança. Viver, e nunca apenas sobreviver. 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Certeza da Incerteza



Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?

Fernando Pessoa, Tabacaria

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Culpas e desculpas



A culpa é um sentimento ligado ao sentido de responsabilidade e à reflexão sobre as consequências dos nossos actos. Para lá da sua definição mais básica, a culpa é um sentimento complexo. É complexo porque existe a culpa dita normal, lógica, mas também uma culpa que pode ser ilógica, logo, patológica. Este último sentimento de culpa implica assumir uma culpa que não nos “pertence”, traduzindo-se num estado constante de angústia e sistemática desvalorização de si mesmo. É deixar-se culpar facilmente pelo outro em situações em que não é suposto, ou mesmo pedir desculpa ainda antes de sermos anunciados culpados. Deve dizer-se que estes fenómenos se passam de forma mais ou menos inconsciente, ou seja, sem alguém que nos ajude a pensar os nossos pensamentos não temos bem noção do que fazemos com os nossos sentimentos de culpa.
Culturalmente, durante muito tempo os indivíduos viveram em sociedades limitadas pela culpa, onde muito era reprimido e pouco era permitido. A culpabilidade é a uma belíssima forma de dominar o outro e o sentimento de culpa é um severo carrasco. Uma pessoa dominada pela culpa fica amarrada ao outro e presa dentro de si mesma. Neste contexto, há mais de cem anos atrás, Freud descreveu o sentimento de culpa como o mais importante problema no desenvolvimento da civilização desse tempo. Os seus pacientes sofriam sobretudo de patologias associadas à grande culpabilidade que sentiam. Reprimidos, não se permitiam ser autênticos, não se permitiam a pensar pela sua cabeça nem a viver os seus afectos. O ser humano tinha muito pouca liberdade de “ser”.
Aos poucos, ao longo do séc. XX, as sociedades foram mudando e a culpa foi abandonando o seu papel tão castrante no desenvolvimento do ser humano. Nesta linha, Jacques Lacan, psicanalista francês do séc. XX, dizia que, em última instância, a única coisa de que podemos realmente sentir-nos culpados é de abrir mão dos nossos desejos. E assim foi. Sedentos de liberdade, fomos dando azo às nossas vontades, cada vez com maior confiança e assertividade. Teremos caído no outro extremo? Hoje, séc. XXI, fala-se muito da falta de limites nos indivíduos (principalmente a propósito das crianças e dos adolescentes). Eventualmente mas não generalizando, há casos de exageros, mas para não cairmos em tentação de voltar aos “regimes” da culpa, queremos escolher um caminho mais adequado. Uma consciência social, relacional, parental, e individual, com a responsabilidade inerente ao bom desenvolvimento psicológico de cada um. Os limites não são impostos só porque sim, é a realidade per si que nos continua a colocar os limites. Seremos sempre movidos pela procura do prazer e da realização individual, mas embatemos todos os dias nas interdições colocadas pela realidade. Esta é, inevitavelmente, a condição humana.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Pedrinha (do Ler, Escrever e Contar)



A partir das minhas investigações sobre o comportamento evolutivo dos bebés, concluí que geneticamente convém chamar leitura ao que cada um observa à sua volta; escrita ao que se regista espontaneamente sobre coisas diversas; contar ao que se vive corporalmente como ordem e quantidade.

 João dos Santos 

Retrato de uma emoção qualquer


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Corpos que Falam o que a Cabeça não Pensa



O drama maior é que em muitas pessoas, e em particular nas crianças, a ansiedade e a tristeza se resolvem por doenças e por comportamentos.

João dos Santos (1980)

domingo, 13 de janeiro de 2013

Contos de Domingo


Corpo e Psique - Definhar e Florescer



"Os estados afectivos persistentes de natureza penosa, ou, como se costuma dizer, 'depressiva', tais como desgosto, a preocupação e a tristeza, abatem a nutrição do corpo como um todo, causam o embranquecimento dos cabelos, fazem a gordura desaparecer e provocam alterações patológicas nas paredes dos vasos sanguíneos. Inversamente, sob a influência de excitações mais alegres, da 'felicidade', vê-se o corpo inteiro desabrochar e a pessoa recuperar muitos sinais de juventude. Evidentemente, os grandes afectos têm muito a ver com a capacidade de resistência às doenças infecciosas; um bom exemplo disso é a observação médica de que a propensão a contrair tifo e disenteria é muito mais significativa nos membros de um exército derrotado do que na situação de vitória. Ademais, os afectos – embora quase que exclusivamente os depressivos – muitas vezes bastam por si mesmos para ocasionar doenças, tanto no tocante aos males do sistema nervoso com alterações anatómicas demonstráveis quanto no que concerne às doenças de outros órgãos." (Freud em "Tratamento Psíquico (ou Anímico)", 1905)

domingo, 6 de janeiro de 2013

Reflexão no Sapatinho (em Dia de Reis)



No Natal passado especulou-se sobre o que estaria para chegar. Continuamos aqui, ainda inteiros, e depois de um ano de dificuldades, penso que podemos pensar sobre o outro lado da moeda, que mostra que estamos humanamente mais “crescidos”. Arriscando dizer que somos hoje menos individualistas, já que nunca como agora houve tanta consciência social. Repare-se no aumento exponencial de movimentos solidários de recolha e distribuição de alimentos, brinquedos, vestuário, livros, e tudo o mais que possa faltar numa casa de família. E não só a nível institucional, mas atitudes solidárias em pequena escala, que nascem do coração de alguns.
Sabemos de famílias que este ano produziram, criativamente, os seus próprios enfeites de Natal, recorrendo a materiais caseiros ou recolhidos na rua, trabalhando afincadamente na exploração de tintas, papéis e tesouras. Tudo o que é feito com as nossas mãos tem cheiro a afectos e com um carinho especial se orgulham dos seus enfeites mais do que de qualquer outro adquirido anteriormente num balcão alheio.
Parece também que todos reduziram a sua lista de presentes, que não só incluía a “prima da vizinha” (tantas vezes só para parecer bem) como também incluía presentes de valor o mais elevado possível (como se o valor fosse espelho do afecto nutrido pelo outro). Hoje procuram-se presentes mais adequados e em quantidade mais adequada. Sobretudo, é o acto de compra impulsiva que perde força este Natal. Pensa-se mais antes de agir. Mais, muitos fazem este ano os seus próprios presentes ao invés de comprar e há ainda quem prefira aderir a iniciativas de pequenos comerciantes ou artesãos. Porque prosperam negócios caseiros, de elevada qualidade e preço acessível, nascidos da necessidade e da criatividade de gente cheia de talento que nunca deu oportunidade a si mesma de pôr mãos ao trabalho e deixar a imaginação voar. Trabalhos de bijuteria, de costura, de culinária, de pintura e experiências a tantos níveis. Artesãos dos tempos de crise que talvez encontrem aqui, este Natal, a semente de uma ideia que venha a germinar no futuro.
Em poucos meses, e embora quase por obrigatoriedade, caiu por terra a atitude excessivamente consumista e passiva que coloriu o Natal dos últimos anos. E, curiosamente, não deixamos de sentir um “espírito natalício” por aí, que agora parece vir mais de dentro para fora e não tanto de fora para dentro. Nem tudo o que nasce no seio de uma crise é necessariamente mau, e assim, começando com um Natal mais humano, quem sabe depois esta postura possa ir entrando devagarinho pelas nossas casas, ensinando-nos um equilíbrio social e económico que poderíamos estar quase a perder de vista. 

Bom ano!


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro,
tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo,
eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você
que o Ano Novo cochila
e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Compras de Natal


O misterioso e maravilhoso mundo inconsciente





Este ano, no Dia da Mãe, comemorou-se também o dia de um Pai. Celebrou-se o 156º aniversário do nascimento de Sigmund Freud. Ele, que "deu à luz" a teoria mais completa para a compreensão do funcionamento mental no Homo Sapiens Sapiens (o Homem que sabe que sabe), a Psicanálise. Tanto sabe, que usa (inconscientemente) as melhores manobras de ilusão na arte de se enganar a si mesmo, quando não quer ou não suporta saber.
Cá dentro, possuímos processos conscientes, que percebemos relativamente bem e dos quais damos conta, mas ao mesmo tempo, muito daquilo que somos remete para dados vivenciais aos quais não temos acesso. A descoberta da existência do Inconsciente foi um legado imprescindível que Sigmund Freud nos deixou, permitindo-nos hoje perceber que há mecanismos psicológicos complexos por detrás dos nossos pensamentos, afectos e comportamentos.
Porque não acedemos a esse inconsciente? Porque não podemos (senão não seria inconsciente!). O que fica inconsciente é precisamente aquilo que não somos capazes de pensar. Para nos ajudar com estas histórias escondidas, construímos mecanismos de defesa, todos eles inconscientes, para ajudar (ou não) a lidar com as dificuldades que se vão sentindo ao longo do desenvolvimento. Temos defesas para evitar, recalcar, deslocar ou projectar afectos e pensamentos para outro sítio qualquer bem longe da consciência. Sobre estes mecanismos de defesa, pode dizer-se que uns são mais saudáveis que outros. Pode dizer-se também, que a capacidade de suportar e pensar o sofrimento é fundamental para um crescimento mental e afectivo estruturado, mas frequentemente essas defesas instalam-se maciçamente, desorganizando e prejudicando o nosso funcionamento e personalidade. Freud mostrou-nos as "trevas" que carregamos dentro de nós mas ofereceu-nos as técnicas que nos conduzem à "luz", trazendo à consciência aquilo que precisa de ser pensado e compreendido. Hoje, a Psicanálise continua a ser uma viagem fabulosa que nos oferece o conhecimento, a verdade e a liberdade.
Actualmente, tem como “filhas” as psicoterapias de orientação psicanalítica, que invés de usarem o clássico divã para deitar os seus pacientes, trabalham face-a-face. Contudo, em ambas, o acesso aos fenómenos inconscientes permite descobrir a chave de mistérios fantásticos do ser humano. Para descobrir isto, temos que ter a força e a coragem de olhar a nossa história, pela mão de uma relação sanígena (relação que cura). Para os que têm coragem de dobrar o Cabo das Tormentas e enfrentar os seus Adamastores, grandes Glórias no Horizonte!

(29/05/2012)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Fugindo dos Pensamentos

Arthur Hughes


Ser a moça mais linda do povoado. 
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho, 
Ver descer sobre o ninho aconchegado 
A bênção do Senhor em cada filho. 

Um vestido de chita bem lavado, 
Cheirando a alfazema e a tomilho... 
- Com o luar matar a sede ao gado, 
Dar às pombas o sol num grão de milho... 

Ser pura como a água da cisterna, 
Ter confiança numa vida eterna 
Quando descer à "terra da verdade"... 

Deus, dai-me esta calma, esta pobreza! 
Dou por elas meu trono de Princesa, 
E todos os meus Reinos de Ansiedade.

Florbela Espanca (Rústica)

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O poder do amor

"When the power of love overcomes the love of power the world will know peace"

Happy Birthday Jimi Hendrix!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Umbigos




          O narcísico, como o autista e o psicótico – não fossem todos eles egocêntricos –, julgando ver o mundo, não vê senão a sua barriga. Para ele, o centro do mundo é o próprio umbigo; pelos outros não se interessa minimamente, não o preocupam nem o ocupam, é como se não existissem – a não ser na medida em que lhe possam ser úteis  (o seu investimento objectal é apenas funcional ou instrumental – o outro é usado como um instrumento, para realizar uma função de que não dispõe ou é débil). Centra-se em si mesmo, gravita à volta da sua nulidade, pensando – talvez – que com isso pode acender o pavio da sua humanidade extinta. Sim, porque a humanidade gera-se no interesse pelos outros humanos; de contrário, não existe: apaga-se ou não chega a nascer. 
        Mas quem disse “nascer”   “existir”? Responde-se: nasce-se no “útero mental” do objecto, no pensamento e no afecto de quem nos deseja, ama e sonha, de quem gosta e aposta em nós; vive-se, existe-se, se esse investimento em nós persiste.
        A tragédia da desordem mental, seja ela a doença com sintomas ou a perturbação da personalidade com traços patológicos, é esta: a falta ou a perda desse “ninho da alma”, dessa “Terra Prometida”.

António Coimbra de Matos (in reflexão “Princípio e Continuação”)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Feliz à Chuva


Dentro e Fora


Fui muito feliz em alguns dias de chuva. É que quando faz sol cá dentro até podem cair pedras. O tempo de fora não conta quando é Verão dentro de nós. Quando o cinzento de fora espelha o cinzento de dentro é que se torna mais difícil não ir na onda. É um bocadinho como a crise. Quando a crise lá fora espelha as crises cá de dentro tudo parece ainda mais negro. Há muita gente aí aos berros e às pedradas. Cá para mim há muita gente aos berros e às pedradas mas nem sabem bem que crise é que as oprime. Se a de fora se a de dentro. Sem querer negar a realidade do tempo ou da economia quero poder ser feliz em dias de chuva e quero poder ser feliz em dias de crise. Era bom que para além de olhar pela janela olhássemos um pouco mais para dentro da nossa ‘casa’. Pode precisar de alguma arrumação, limpeza ou transformação. Ou aquecimento. Há muitas ‘casas’ demasiado geladas!


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Tecnologicamente Acompanhados



Ao mesmo tempo que todos reconhecemos as maravilhas da evolução tecnológica, sabemos também que nem sempre estes recursos são utilizados da melhor forma. Assim, surgiu há pouco tempo o termo “nomofobia”, uma palavra que resulta da contracção da expressão inglesa “no mobile phobia”. Refere-se ao medo de ficar impossibilitado de aceder ao telemóvel. Também se aplica ao medo de ficar desconectado das redes sociais (pelo menos até alguém inventar um qualquer nome específico também para isso). Com a proliferação dos smartphones, podemos dizer que uma coisa e a outra (telemóvel e redes sociais) estão cada vez mais relacionadas. Dizem os dados de um estudo efectuado em Fevereiro, no Reino Unido, que 66% dos inquiridos diz-se "muito angustiado" com a ideia de perder o seu telemóvel. A proporção chega a 76% nos jovens entre os 18-24 anos, segundo um outro estudo. Cerca de 40% dos indivíduos consultados afirmaram possuir mais de um aparelho.
Posto isto, que ninguém se assuste ou despreze a tecnologia com receio de “apanhar” uma fobia, visto que elas não se pegam nem se reproduzem. Esta “nova fobia” é apenas um nome para mais uma manifestação de ansiedade, manifestações, estas, que se transformam em função dos tempos e das realidades. Sempre houve medo, ansiedade e pânico, o que muda é o meio que nos envolve a forma como, consequentemente, manifestamos essas emoções.
Este receio de ficar desligado da tecnologia permite uma análise mais adequada e profunda, já que ele representa, sobretudo, a incapacidade de estar só. Como se, ao “desligar” o telemóvel ou o computador, corressemos o risco de, também nós, nos desligarmos dos outros e, os outros, de nós. Certo é que só dependemos de estar insistentemente ligados aos outros se precisarmos deles para não nos sentirmos sós e/ou quando não confiamos o suficiente nas relações e nos afectos que nos rodeiam, exigindo um contacto sistemático que afaste os nossos medos.
Quando sozinhos consigo próprios, muitos se sentem invadidos por um vazio insuportável. Ou, ainda, invadidos por pensamentos que, pelo menos ao falar com alguém, se vão dissipando com mais facilidade. Uma companhia é, sem dúvida, um forte distractor. E, aqui, entra a tecnologia: o telemóvel e as redes sociais vieram facilitar, indubitavelmente, a comunicação entre as pessoas. Deixou de ser preciso esperar muito para falar com alguém, as pessoas vivem à distância de uma chamada ou de um click. Permanece a questão mais importante de todas: Estamos a usar estas facilidades de comunicação e ligação de forma saudável, ou antes como um remédio fácil que mascara a incapacidade de estar só por um segundo que seja?