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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Pedrinha (Das Perdas)

Mais do que a transitoriedade, o que incomoda é o luto.

Carlos Amaral Dias (VI Encontro da AP – Associação Portuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Pedrinha (Das infâncias sólidas)


“A saúde mental constrói-se na infância. Os factores posteriores são menos importantes. Uma criança teve perdas de afectos na infância, fez uma depressão infantil que pode ter passado despercebida, estará mais fragilizada na idade adulta e poderá deprimir facilmente. Se teve uma infância sólida aguentará bem as perdas afectivas.”

António Coimbra de Matos

domingo, 24 de julho de 2011

Beautiful People


The most beautiful people we have known are those who have known defeat, known suffering, known struggle, known loss, and have found their way out of the depths. These persons have an appreciation, a sensitivity and an understanding of life that fills them with compassion, gentleness, and a deep loving concern. Beautiful people do not just exist.

Elizabeth Kübler-Ross

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Pedrinha (Do medo)

"Imaginar-se ali, numa relação boa, acendia-lhe o temor de a perder e aí ficava muitas vezes impávida, imóvel, perante a possibilidade de se ligar ou de se afastar, evitando o medo, o medo da perda, do abandono, que o ligar-se podia trazer consigo. Por outro lado, o que queria era a ligação, o enlace dos afectos numa harmonia melodiosa, o encontro, a sintonia, a afinação da reciprocidade. O medo não era o sinal do não querer, era o falar silenciado, escondido do querer, o medo escondia o que ela mais queria, o medo era uma concha.”

Maria João Saraiva (in Até mim: vivência da psicanálise)

domingo, 31 de outubro de 2010

E agora que te foste embora?



A perda de pessoas significativas faz parte da vida. Depois de perder alguém, segue-se o período que se designa de luto. O luto é todo o processo de aceitação da perda e a readaptação progressiva à realidade. E esta readaptação à realidade é essencial. Distinguem-se, por norma, três fases no processo de luto normal. Numa primeira fase, há um choque profundo devido à tomada de consciência da nova realidade e um desespero agudo em recuperar a pessoa perdida, expressado pela raiva e pelo choro, muitas vezes também pela culpabilidade. Pode haver uma negação, porque o indivíduo precisa de tempo para aceitar aquilo que a realidade lhe impôs. Depois, numa segunda fase, o indivíduo sente afectos mais depressivos e assume uma atitude mais introspectiva, com a função adaptativa de romper os moldes de funcionamento antigos e estabelecer novos. Por fim, numa terceira fase, característica da pessoa saudável, o indivíduo torna-se capaz de tolerar e ultrapassar a depressão e de retomar a sua vida numa nova realidade.
Aquilo que se designa, em termos técnicos, por luto patológico, e que na prática corresponde a um processo de luto não terminado, acontece, por exemplo, em casos em que o indivíduo permanece preso nas primeiras fases, não conseguindo reorganizar-se. Embora cada indivíduo elabore os seus lutos num timing próprio e apesar de a dor da perda nunca ir totalmente embora, há que prosseguir com a nova realidade. O luto tem de ser feito mas tem de ser terminado. Quartos fechados à chave no tempo numa tentativa de união permanente, incorporação de gestos, tiques ou interesses da pessoa perdida, adopção de uma atitude demasiado excêntrica ou alegre como forma de evitamento da dor, são tudo exemplos clínicos de mecanismos patológicos que funcionam como alerta de que as fases do luto não foram devidamente elaboradas. Nem todos os indivíduos têm os mesmos recursos emocionais, logo nem todos os indivíduos são capazes de ultrapassar as perdas. Por vezes, é preciso ajuda.
Os lutos são duras tarefas, que nos acompanham toda a vida. Porque não fazemos apenas lutos da morte, mas fazemos lutos sucessivos. Luto da infância, luto de amizades, luto de relações amorosas, luto após um divórcio, pois, no fundo, qualquer perda sofrida implica um processo de luto, de desorganização e posterior adaptação e reorganização.