Transformação é a palavra-chave. Na vida ou há desenvolvimento ou instala-se a decadência. O estacionamento é uma ilusão. Nas palavras de Cervantes, “A estrada é sempre melhor que a estalagem” (António Coimbra de Matos)
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sábado, 6 de setembro de 2014
Interiores
Gosto de interiores. Talvez porque as casas espelham a alma de quem lá mora. Não se quer demasiado cheia nem demasiado vazia. Talvez assim na exacta medida do que se precisa e do que se dispensa. É necessário saber guardar e igualmente importante deixar partir. Algures nesse equilíbrio está o interior 'perfeito'. O nosso e o da nossa casa.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Higiene Mental Familiar
Num momento em que a prioridade é segurar o
mais possível a capacidade económica da estrutura familiar há frequentemente
uma diminuição acentuada da disponibilidade dos pais para os seus filhos, por
falta de tempo e/ou falta de paciência. Mas apesar das dificuldades serem reais, desde o início dos tempos que com menores ou maiores dificuldades sempre houve famílias mestras em pôr o afecto 'na mesa' em qualquer circunstância, pelo que a 'crise' nem sempre é desculpa. Assim, não custa lembrar que ser pai e ser mãe é profissão a
tempo inteiro e que cabe aos pais unir a família (o investimento é, primeiro, de pais para filhos), desenvolvendo os esforços
necessários para que os filhos usufruam a boa companhia dos pais e os pais da
companhia dos filhos.
Porque “perdemos” tanto tempo a falar e a pensar nas famílias
e nas crianças? Não é só porque as crianças de hoje são as mais protegidas de todos os tempos. É também porque hoje sabemos que pensar nas crianças é pensar na evolução da humanidade e
no que está para vir. Toda a saúde mental passa em primeiro lugar pela saúde
mental infantil. E no
que respeita às nossas crianças, esta higiene mental pratica-se em casa e na
escola. Sempre tendo em conta que, sem as condições emocionais minimamente satisfeitas (o que varia de caso para caso), não há possibilidade de uma boa integração e aprendizagem
na escola. Os preconceitos ditam, ainda, que muitos educadores (não todos!) pensem que as dificuldades
da criança na escola assentam em uma de duas hipóteses: incapacidade
intelectual ou preguiça do aluno. E num mundo cada vez mais competitivo é
tentador cair na ilusão de uma educação para o sucesso em detrimento de uma
educação para os afectos.
Que
se perceba que só uma árvore bem nutrida e enraizada em solo fértil dá os
melhores frutos. Uma alfabetização emocional antecede obrigatoriamente o
percurso académico. Para que as crianças integrem a leitura é necessário que
tenham tido a possibilidade de aprender a relacionar-se com o mundo, ligando
percepções, pensamentos e afectos, antes de aprender a ligar as letras. Ler à
nossa volta. Para aprenderem a fazer contas é preciso que possam “subtrair” e
“dividir” sem medo de ficarem sem nada ao sentirem que já têm pouco. Afecto,
atenção, disponibilidade.
Quando
os momentos em família se resumem a uma correria para o banho, trabalhos e
jantar, um dia após o outro, sobra pouco tempo para os laços familiares. O lazer em família deve ser
encarado com o mesmo respeito que qualquer outra tarefa do quotidiano. Porque
um passeio, um jogo de futebol, um desenho, andar de bicicleta ou um mero
ataque de cócegas de vez em quando dão força e entusiasmo às crianças para
crescer afectivamente mais estruturadas e esse é o único caminho para que mais
tarde possam enfrentar os obstáculos com a barriga cheia de amor, coragem e
confiança. As crianças precisam sentir que são importantes na vida dos seus
pais. O alimento para a alma é tão importante que todas as crianças prefeririam
passar mais tempo com os seus pais em detrimento de outros bens materiais. Uma
família unida por laços de afecto e pelo prazer em estar na companhia uns dos
outros será a força motriz para enfrentar tudo o que está para vir.
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quinta-feira, 17 de abril de 2014
"A ausência é um estar em mim"
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Vazio
terça-feira, 12 de novembro de 2013
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Fugindo dos Pensamentos
| Arthur Hughes |
Ser a moça mais linda do povoado.
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.
Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
- Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...
Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à "terra da verdade"...
Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.
Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
- Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...
Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à "terra da verdade"...
Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.
Florbela Espanca (Rústica)
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Dentro e Fora
Fui muito feliz em alguns dias de chuva. É que quando faz sol
cá dentro até podem cair pedras. O tempo de fora não conta quando é Verão
dentro de nós. Quando o cinzento de fora espelha o cinzento de dentro é que se
torna mais difícil não ir na onda. É um bocadinho como a crise. Quando a crise
lá fora espelha as crises cá de dentro tudo parece ainda mais negro. Há muita
gente aí aos berros e às pedradas. Cá para mim há muita gente aos berros e às
pedradas mas nem sabem bem que crise é que as oprime. Se a de fora se a de
dentro. Sem querer negar a realidade do tempo ou da economia quero poder ser
feliz em dias de chuva e quero poder ser feliz em dias de crise. Era bom que
para além de olhar pela janela olhássemos um pouco mais para dentro da nossa
‘casa’. Pode precisar de alguma arrumação, limpeza ou transformação. Ou
aquecimento. Há muitas ‘casas’ demasiado geladas!
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Zanga
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Poesia
É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!
Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro
entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo.
Fernando Pessoa
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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Shall we dance?
E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Insights
Primeira noite de Verão
Comecei a escrever numa noite de Primavera, uma incrível noite de vento leste e Junho. Nela o fervor do universo transbordava e eu não podia reter, cercar, conter – nem podia desfazer-me em noite, fundir-me na noite. (...)
Sophia de Mello Breyner Andresen
domingo, 24 de julho de 2011
Beautiful People
The most beautiful people we have known are those who have known defeat, known suffering, known struggle, known loss, and have found their way out of the depths. These persons have an appreciation, a sensitivity and an understanding of life that fills them with compassion, gentleness, and a deep loving concern. Beautiful people do not just exist.
Elizabeth Kübler-Ross
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