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terça-feira, 2 de setembro de 2014

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Pedrinha (Das Separações e das Zangas)

Na última sessão, três meses depois, Celina (11 anos) repetia para o pai sem o olhar: “Não gosto de ti! Não te quero ver!”.
Eu intervenho com a tradução latente, para o pai: “ A Celina não quer ver, não porque não gosta, mas porque gosta mesmo muito do seu pai!...”
O tom afirmativo e seguro da minha voz ajudou Celina a aceitá-lo. Fica muito menos tensa e caem-lhe lágrimas em silêncio.
O pai, que era de facto um homem inteligente e seguro, colabora de modo excelente. Após um silêncio pergunta-lhe suavemente quando pode ir buscá-la a casa para lancharem juntos.
Esta responde: “Lá para Novembro!” (estamos em Agosto). Numa intuição notável, o pai insiste: “Então talvez logo às cinco da tarde…” – “Bem, não sei! Não sei se tenho compromissos. Tenho que perguntar à mãe se posso.”
Já que a mãe e a terapeuta consentem este amor, ele não é mais causa de sofrimento. Saio do gabinete e deixo-os a combinar pormenores.


Teresa Ferreira in A Defesa da Criança

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Os filhos do divórcio


A separação da família implica não só uma necessidade de reorganização individual de cada um dos cônjuges, mas também uma reorganização da vida afectiva da criança. Os “filhos do divórcio” devem ser acompanhados cuidadosamente pelos pais, que não devem deixar que as suas desavenças influenciem o crescimento do seu filho.
Há regras básicas, sendo a primeira deixar sempre bem claro que a separação dos pais não vai afectar de modo algum o amor sentido pela criança. O final da relação deve ser comunicado antes que um dos cônjuges abandone o núcleo familiar, não sendo necessário concretizar demasiado os motivos da separação. Explicações simples poupam as crianças a mais sofrimento. No entanto, deve haver abertura para todas as questões e possibilidade de expressar as emoções e os sentimentos relacionados com a situação, não fugindo do assunto por incómodo ou falta de paciência.
A estabilidade do quotidiano das crianças deve ser mantida na medida do possível, ou seja, quanto menos alterações a vida da criança sofrer, mais fácil será a adaptação às novas circunstâncias. Fundamental também, evitar a tendência para fazer dos filhos um pombo-correio, pois só os pais são responsáveis pela comunicação entre si. O esforço por um relacionamento aceitável com o ex-cônjuge é importante e é desumano esperar (ou provocar) que a criança tome partido por um dos pais.
O contacto da criança com os familiares e amigos que sempre estiveram presentes na sua vida familiar deve ser preservado, para que esta sinta que a família continua razoavelmente unida. Essencial, ainda, o respeito pelo tempo em conjunto com a criança por parte de cada um dos pais, agora separados. Devem ser proporcionados momentos de qualidade, com frequência e assiduidade. Na impossibilidade de estar com a criança não se pode negligenciar uma explicação, para que esta não fique a fantasiar que o seu pai/ mãe já não gostam de si da mesma forma. Apesar da separação da família ser dura para a criança, estes cuidados essenciais, assim como a certeza de continuar a ser amado pelos pais, permitem que a situação seja ultrapassada de forma gradual e natural.