"Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu caço
galinhas e os homens caçam-me a mim. As galinhas são todas parecidas umas com
as outras e os homens são todos parecidos uns com os outros. Por isso, às
vezes, aborreço-me muito. Mas, se tu me cativares, a minha vida fica cheia de
sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros
passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora
da toca, como uma música. E depois, repara! Estás a ver aqueles campos de trigo
ali adiante? Eu não gosto de pão e, por isso, o trigo não me serve para nada.
Os campos de trigo não me fazem lembrar nada. E é uma triste coisa! Mas os teus
cabelos são da cor do ouro. Então, quando tu me tiveres cativado, vai ser
maravilhoso! O trigo é dourado e há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar
do som do vento a bater no trigo." — in O Principezinho
Transformação é a palavra-chave. Na vida ou há desenvolvimento ou instala-se a decadência. O estacionamento é uma ilusão. Nas palavras de Cervantes, “A estrada é sempre melhor que a estalagem” (António Coimbra de Matos)
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quarta-feira, 18 de maio de 2016
domingo, 22 de novembro de 2015
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Histórias de Desespero e de Esperança
Podíamos
contar uma história, que pode ser a história de qualquer um de nós. Por norma, estas
histórias começam com esperança, nem que seja por dois minutos. Depois, mais
cedo ou mais tarde, acabaremos por conhecer o desânimo. Perante um desânimo de
cadência continuada, irrompe então o desespero. E é aí, no lugar do desespero, que
a história sempre se divide em dois finais diferentes: ou retomamos o caminho
da esperança, ou perdemos a fé nas coisas boas e entregamo-nos a uma qualquer
forma de desistência.
Assim,
o desespero e a esperança são dois sentimentos antagónicos no que toca à
reacção às contrariedades, sempre em função daquilo que esperamos da vida. Esperança
é fé e entusiasmo. Se na nossa história encontramos sempre algo em que
acreditar, que nos segure e nos empurre em frente, é porque somos
fundamentalmente movidos a esperança. E isso é bom. Desespero é a sensação de exaustão.
É o fim de um caminho. Irrompe nos momentos em que não se espera absolutamente
mais nada de uma situação. É, no entanto, por isto que muitos pensadores
defendem que a esperança vem depois do desespero. A exaustão pode proporcionar
rupturas importantes na nossa vida. Nem todas as crises são más.
E
a verdade é que, não raras vezes, oscilamos entre ambos, conforme os tempos e as
circunstâncias. Os momentos de desespero fazem, sim, parte da vida, contudo, é
na capacidade de reencontrar o caminho da esperança que mora a saúde mental. Afastamo-nos
da saúde mental quando deparamos com desesperos tão desesperados que se torna
impossível recorrer ao pensamento e retomar o caminho do desenvolvimento. Não é
invulgar, pois o desespero é, de certa forma, uma emoção-limite, algo da ordem
do insuportável. E é muito doloroso passar por estes estados emocionais. Seria
possível viver uma vida inteira deprimido, mas não seria possível viver a vida
inteira em desespero, seria um desgaste que o corpo e a mente não aguentariam. Assim,
o desespero surge em picos e vai alternando com alguma serenidade que, por
norma, conseguimos sempre reencontrar. Com maior ou menor eficácia, a maioria
de nós consegue embalar-se nos momentos mais difíceis e reencontrar uma forma
de tornar a acreditar. Na mais pequena coisa que seja. A maioria de nós
reencontra sempre a esperança dentro de si. Até porque o fim de um caminho
permite sempre a descoberta de outro. E é nessa capacidade de reencontrar novos
trilhos que reside a esperança. Sabemos que depois de cada tempestade vem
sempre a bonança, como diz o povo.
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terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Pedrinha (Das aprendizagens fundamentais)
Fundamentalmente, para que a
psicopatologia não progrida, deve ter-se aprendido: pelo exemplo, a perdoar;
pela ternura, a amar; pela liberdade, a ser espontâneo; pela clareza de
propósitos, a exigir a verdade; pelo entusiasmo, a desejar saber; pela alegria,
a gostar de viver; pelo deslumbramento que desencadeou, a apreciar a beleza.
António
Coimbra de Matos (in Mais Amor Menos Doença)
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domingo, 3 de março de 2013
Viver ou Sobreviver?
Nascemos.
Num determinado lugar e numa certa família, que não escolhemos. Dão-nos um
nome, que também não escolhemos, mas somos donos de um corpo e de uma alma. A
nossa alma (ou mente ou psique) permite-nos pensar e sentir, e esse corpo
permite-nos concretizar coisas. Chegados aqui, o que fazemos com isso? Que faço
eu da minha vida e que pretendo ainda fazer? Dar um sentido à vida é algo que vive
na mente de alguns mas não na mente de todos. Perspectivar o passado e planear
o futuro, sabendo de onde viemos mas olhando principalmente para onde nos
dirigimos é atribuir significado à nossa existência. E é fundamental. O sentido
da vida diverge de pessoa para pessoa, de dia para dia e, por vezes, de hora
para hora, pois o que interessa, sobretudo, não é um objectivo geral, único e
rígido, mas o significado específico que vamos atribuindo ao longo do tempo e
dos acontecimentos e que, naturalmente, se modifica e adapta em função do nosso
desenvolvimento pessoal.
Em
meados do século passado já tínhamos compreendido que os indivíduos que melhor
sobreviveram aos campos de concentração durante a II Guerra Mundial (os que
ficaram menos debilitados física e psicologicamente) foram maioritariamente
aqueles que se agarraram a uma razão para sobreviver e mantiveram em mente uma
motivação forte para o conseguirem. Mais recentemente, investigação médica
descobriu que um forte sentido de existência (e o bem-estar subjacente a esse
sentimento) se correlaciona com uma melhor saúde física e longevidade. E, por
fim, chegou-se à Saúde Mental: aqueles que desenvolvem objectivos para a sua
vida e que se empenham e comprometem na sua concretização tornam-se pessoas
mais felizes e saudáveis. Dar sentido à nossa vida protege-nos da depressão, da
ansiedade e mesmo da deterioração cognitiva. Novas evidências científicas
sugerem ainda que é uma capacidade essencial para atenuar os sintomas de
doenças degenerativas como o Alzheimer, num estudo que tem permitido concluir
que aqueles que em vida atribuem mais significado à sua existência e mantêm
presente os seus propósitos estão mais protegidos contra este mal.
São
aqueles que não se limitam a viver um dia de cada vez sem pensar no futuro, são
os que se sentem bem com o que fizeram da sua vida e com o que planeiam fazer
futuramente, aplicando-se na concretização dos sonhos, e ainda os que não
desistiram desses objectivos com o passar no tempo nem mesmo perante as
adversidades. O vazio existencial é uma morte lenta. Sonhar com esperança,
planear com entusiamo, concretizar com perseverança. Viver, e nunca apenas
sobreviver.
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domingo, 13 de janeiro de 2013
Corpo e Psique - Definhar e Florescer
"Os estados afectivos persistentes de natureza penosa,
ou, como se costuma dizer, 'depressiva', tais como desgosto, a preocupação e a
tristeza, abatem a nutrição do corpo como um todo, causam o embranquecimento
dos cabelos, fazem a gordura desaparecer e provocam alterações patológicas nas
paredes dos vasos sanguíneos. Inversamente, sob a influência de excitações mais
alegres, da 'felicidade', vê-se o corpo inteiro
desabrochar e a pessoa recuperar muitos sinais de juventude. Evidentemente, os
grandes afectos têm muito a ver com a capacidade de resistência às doenças
infecciosas; um bom exemplo disso é a observação médica de que a propensão a
contrair tifo e disenteria é muito mais significativa nos membros de um
exército derrotado do que na situação de vitória. Ademais, os afectos – embora
quase que exclusivamente os depressivos – muitas vezes bastam por si mesmos
para ocasionar doenças, tanto no tocante aos males do sistema nervoso com
alterações anatómicas demonstráveis quanto no que concerne às doenças de outros
órgãos." (Freud em "Tratamento Psíquico (ou Anímico)", 1905)
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sábado, 24 de novembro de 2012
sábado, 25 de agosto de 2012
Pedrinha (Dos desejos intermináveis)
''Somos
seres desejantes destinados à incompletude e é isso que nos faz caminhar''
Jacques Lacan
sexta-feira, 18 de maio de 2012
quinta-feira, 15 de março de 2012
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Pedrinha (Do que é novo)
O prazer com o novo é o motor do desenvolvimento pessoal e colectivo. O medo do novo é sinal de insegurança e causa de paragem do desenvolvimento ou mesmo regressão.
António Coimbra de Matos
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