Deixa-me fazer-te
cócegas. Deixa-me fazer-te rir. Deixa-me falar-te das coisas bonitas que passam
despercebidas. Deixa-me fazer-te sorrir no dia mais triste. Vem dançar comigo.
Deixa-me aquecer-te os recantos gelados onde o sol nunca entrou. Falo-te da
alegria de estarmos aqui no mundo ao mesmo tempo. Podíamos nunca nos ter
encontrado, já pensaste nisso? E agora, já sorris? Falo-te da graça escondida
nas cabeçadas que damos todos os dias aqui neste lugar onde nos enfiaram. É tão
tristemente engraçado. Falo-te da sublime arte de rir e chorar ao mesmo tempo.
Falo-te também da curta gargalhada dos momentos simples e ligeiros. Vá,
deixa-me fazer-te cócegas. Deixa-me fazer-te rir. Deixa-me fazer-te bem.
Transformação é a palavra-chave. Na vida ou há desenvolvimento ou instala-se a decadência. O estacionamento é uma ilusão. Nas palavras de Cervantes, “A estrada é sempre melhor que a estalagem” (António Coimbra de Matos)
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terça-feira, 16 de junho de 2015
Coisas Bonitas
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segunda-feira, 1 de junho de 2015
Bala de Canhão
Recordam-nos que quase tudo é possível — eles sabem melhor
que nós que os monstros existem e ensinam-nos que é preciso acreditar em magia
uma vez por outra. Reconduzem-nos o olhar para baixo — eles mostram-nos que
quem ergue demasiado o queixo perde a noção do chão e tropeça mais.
Relembram-nos que é preciso sonhar — eles levam-nos em altos vôos no Bala de
Canhão mesmo que o nariz fique todo amassado das mil vezes em que se despenha a
pique. Que todos possam ter sempre uma criança por perto para mantermos fresco
o nosso pensamento e doce a nossa alma. Eu cá tenho muita sorte!
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Infinitudes
Não penses que te esqueço. Então ainda não
sabes que trago comigo todos aqueles que amo? Não sabes que o coração é
infinito e que há tantas formas de amor quantas pessoas há no mundo? É que eu
acredito mesmo que o amor liga as almas mesmo quando os corpos não se encontram e os olhos não se cruzam.
Não te queiras esquecer de mim. Esquecer é perder. Pelo contrário. Guarda.
Guarda e lembra-te e será teu para sempre. Não sabes que quanto mais guardares
mais pleno serás? Não sabes que corações cheios são corações vivos? Dizes-me
que chegou ao fim e eu acho que começou. O amor não tem tempo e sem tempo não
há princípio nem fim. Dizes-me que é difícil e dói. Sim. Mas não esqueças
aquilo que dói. Dói porque é importante. Dói porque está vivo. Dói porque é
amor. E pelo amor, tudo. Pelo amor, mais. Ele acrescenta-nos sempre.
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quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Os outros em nós e nós nos outros
I carry your heart (I carry it in
my heart)
Assim começa um dos poemas mais bonitos de E.E. Cummings (1952). E a seguir diz:
i am never without it (anywhere
i go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)
No fundo é tão simples quanto isto, não é?
Quando o amor do outro mora dentro de nós, nunca estamos sós. Em psicanálise chamamos-lhes objectos internos. Mas o E.E. Cumming tem mais jeitinho. E é assim que aguentamos todas as ausências e separações e perdas.
E depois eu acho ainda que este poema fala de outra coisa. Fala também daquilo que é o meu trabalho, fala de trazer comigo (e dentro de mim) tantos corações que se cruzam comigo.
I carry your heart (I carry it in
my heart)
De me lembrar das pessoas tantas e tantas vezes fora do setting.
(anywhere
i go you go, my dear;
E ainda do quanto elas nos ajudam a ajudá-las.
whatever is done
by only me is your doing, my darling)
Tantos corações que carrego comigo. Tão bom!
my heart)
Assim começa um dos poemas mais bonitos de E.E. Cummings (1952). E a seguir diz:
i am never without it (anywhere
i go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)
No fundo é tão simples quanto isto, não é?
Quando o amor do outro mora dentro de nós, nunca estamos sós. Em psicanálise chamamos-lhes objectos internos. Mas o E.E. Cumming tem mais jeitinho. E é assim que aguentamos todas as ausências e separações e perdas.
E depois eu acho ainda que este poema fala de outra coisa. Fala também daquilo que é o meu trabalho, fala de trazer comigo (e dentro de mim) tantos corações que se cruzam comigo.
I carry your heart (I carry it in
my heart)
De me lembrar das pessoas tantas e tantas vezes fora do setting.
(anywhere
i go you go, my dear;
E ainda do quanto elas nos ajudam a ajudá-las.
whatever is done
by only me is your doing, my darling)
Tantos corações que carrego comigo. Tão bom!
terça-feira, 30 de setembro de 2014
quinta-feira, 17 de abril de 2014
"A ausência é um estar em mim"
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terça-feira, 4 de março de 2014
Pedrinha (Existo porque fui amado)
O que promove, orienta e suporta a
relação é o bonding (ligação) da mãe ao filho e não o attachment (vinculação)
do bebé à mãe. A relação é, predominantemente, da responsabilidade do animal
alfa. De igual modo, na cura psicanalítica obedecemos à regra da precessão e
primazia do investimento do analisando pelo analista. Este é um dos princípios
basilares da arte e da técnica.
António
Coimbra de Matos (in Vária. Existo porque fui amado)
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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Pedrinha (Dos afastamentos)
“De
repente, ela pôs-se a falar e o que dizia não fazia nenhum sentido. Deixei-a
falar e quando se silenciou novamente, perguntei-lhe o que é que me quisera dizer.
Ela baixou o rosto e disse: “Não era nada mesmo. Falei qualquer coisa porque
havia muita intimidade no silêncio. Falei para te afastar, para pôr uma
distância entre nós.”
Ilustração Clínica (por Elsa Oliveira
Dias)
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Fala-me de amor
O
amor confunde-se. Confunde-se com tantas outras “coisas” sorrateiras. Ou
melhor, as pessoas confundem o amor. É que há amores que não são mais do que uma
ilusão desse sentimento, quando o que realmente sustenta a ligação são emoções
de uma outra natureza e qualidade. Chamamos-lhe amor porque não sabemos que nome
lhe dar. Chamamos-lhe amor, mas o engano não é por mal, somos guiados por
convicção profunda de que amor será.
Mas
em boa verdade não lhe posso chamar amor só porque me sinto tão especial ali, nesse
recanto da vida de alguém. Não lhe posso chamar amor apenas porque
quero/preciso ser amado quando no fim de contas amar pressupõe que, em primeiro
lugar, amor é o meu olhar sobre o outro (que não vive sempre necessariamente na
simetria do olhar que recai sobre mim). Não lhe posso chamar amor quando estou
ali apenas porque quero/preciso de não me sentir só e porque um colinho sabe bem.
Quando assim é, na demanda para colmatar uma falha original e respectiva fome
de afecto, percebemos que afinal qualquer tampa pode servir na nossa panela
desde que lá dentro fique quentinho e ferva. O amor será antes aquela única tampinha para a minha panela.
Também
não podemos chamar-lhe amor quando andamos desesperados a tentar transformar alguém
que “amamos” para nosso gáudio. É: “se isto, isto e isto mudasse, então eu
seria feliz”. Se não amo um ser humano com tudo aquilo que faz dele único e especial,
como posso falar de amor? É precisamente naquilo que nos distingue de todo e
qualquer outro ser deste mundo que reside o amor. Nos pequenos detalhes,
naquilo que frequentemente nem sequer se define ou explica, naquilo que é bom e
particularmente naquilo que é menos bom. É amar o “pacote” inteiro. É o amar,
muitas vezes, “apesar de”.
Se
esse meu olhar de encanto, que distingue uma pessoa de milhões de outras
pessoas, será ou não correspondido na mesma direcção e medida, isso é uma outra
história. Porque para além de toda esta triagem de afectos, é ainda preciso
encontrar do outro lado alguém que não esteja igualmente confundido e que não nos
enrede em mais uma ilusão, chamando também amor a outra coisa qualquer muito
parecida (jurando-o com pensamentos, palavras, actos e omissões).
Entretanto,
em jeito de rodapé, se não der para desatar o nó da confusão, é melhor andar
confundido do que não sentir absolutamente nada e não nos ligarmos a ninguém. Somos
seres relacionais e, assim sendo, pior do que uma relação assente em confusão
será deixar de acreditar/investir no amor e nas pessoas.
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quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Pedrinha (Da Terapia do Terapeuta)
Nunca me canso de dizer aos jovens
terapeutas que a sua ferramenta mais vital são eles próprios, e que,
consequentemente, o instrumento tem de estar primorosamente afinado. Os
terapeutas necessitam de ter um grande autoconhecimento,
de confiar nas suas observações e obrigatoriamente relacionarem-se com os seus
clientes de uma maneira atenciosa e profissional. É precisamente por esta razão
que a terapia pessoal está (ou deveria estar) na base de todos os programas de
ensino terapêutico. Não só acredito que os terapeutas deveriam ter anos de
terapia pessoal enquanto se formam, como ainda voltar à terapia à medida que
vão evoluindo na vida; à medida que se sentir mais confiante enquanto
terapeuta, e quanto mais acreditar nas suas observações e na sua objectividade, mais livre se sentirá
para usar, com segurança, os sentimentos que os seus pacientes lhe suscitam.
Irvin
D. Yalom in De Olhos Fixos no Sol
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sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Pedrinha (Da Humanidade)
"Conheça todas as teorias, domine todas as
técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana"
Carl Jung
sábado, 27 de abril de 2013
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Pedrinha (das Ligações Empáticas)
A empatia é a ferramenta mais poderosa que possuímos para nos conectarmos com os outros. É a cola da conectividade humana
e permite-nos sentir, a um nível profundo, o que a outra pessoa sente em
determinado momento.
Irving
Yalom
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quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Poesia
É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!
Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro
entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo.
Fernando Pessoa
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quinta-feira, 12 de julho de 2012
Pedrinha (Do conhecer, compreender e transformar)
"A psicanálise serve para aprofundar o
auto-conhecimento, e não só; também o conhecimento do outro (os outros) e,
sobretudo, das relações não só interpessoais mas essencialmente
intersubjectivas."
António
Coimbra de Matos
Nota: Estes conhecimentos, por si só, não
resumem a psicanálise nem a psicoterapia psicanalítica. Depois de conhecer, despontará o compreender. Estabelecer ligações entre o que é e o que foi. E, por fim, é preciso transformar. O que será. Passado, presente e futuro. Ligados. Descobrir, aceitar, compreender, integrar e transformar. Em busca do melhor que temos dentro de nós.
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terça-feira, 3 de julho de 2012
A ordem das coisas
"Que
loucura foi aquela de ter começado a tomar conta de alguém, sem ninguém se
certificar de que já sei tomar conta de mim?"
Marta Gautier
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quarta-feira, 20 de junho de 2012
Tá ligado?
Escutar
e ouvir são coisas diferentes, de diferente natureza e profundidade. Por ouvir
entende-se a capacidade de perceber através do sentido da audição. Não se
aprende, é uma capacidade inata que pode ser encarada como uma função mecânica na
condição humana (e animal). Escutar, por sua vez, é um ouvir de outra
qualidade. Requer ouvir com atenção. Quem escuta, ouve, mas nem sempre quem
ouve, escuta. Escutar é uma capacidade esquecida.
Embora reconheçamos a importância de
prestar atenção ao que as pessoas nos dizem, de um modo geral, somos maus
ouvintes e falhamos redondamente nesta questão tão importante em qualquer
relação humana. Hoje, em pleno apogeu do individualismo, falta sempre
disponibilidade (de tempo ou vontade) e então não escutamos. Quando perdemos a
paciência, quando interrompemos o interlocutor ou atropelamos o que nos diz com
julgamentos inoportunos ou críticas. Não escutamos quando deixamos de prestar
atenção e passamos a pensar em nós mesmos ou em outra coisa qualquer. Também não
escutamos quando bloqueamos a nossa atenção com sentimentos negativos. Nem
escutamos quando sonhamos acordados enquanto alguém fala.
Há muitos motivos para não ouvir mas, essencialmente,
não somos capazes de escutar se estivermos nós próprios, também, a precisar de ser
ouvidos. Para se escutar alguém é necessário estar mentalmente (logo,
emocionalmente) disponível para isso. A escuta é uma arte que requer
descentração de nós próprios. Se estamos focados nos nossos pensamentos ou sentimentos,
dificilmente podemos oferecer o tempo de antena necessário ao nosso interlocutor.
Claro que seria
impossível escutar activamente uns e outros, com inteira atenção, a todo o
momento. É que também precisamos de tempo para ficarmos entregues ao que nos
vai cá dentro.
Nas
relações humanas, muitos não se sentem escutados. E ninguém gosta de “falar
para as paredes”. Escutar é a
mais crítica das habilidades de comunicação e talvez a mais importante para haver
bem-estar entre as pessoas. Sermos ouvidos com genuína atenção dá-nos a
percepção de que importamos. Seja para partilhar uma dor, uma alegria ou um
anseio. Seja para emitir uma opinião ou para pedir um conselho. Ter uma voz e
vê-la reconhecida e considerada é fundamental. Permite-nos sentir amparados e
compreendidos. A expressão “Tá ligado?” é utilizada pelo povo brasileiro para
questionar o interlocutor sobre se este entendeu o que foi comunicado. De
facto, quando escutamos, estamos ligados ao outro. Estamos em relação com
alguém. Se não nos ligarmos, não poderemos escutar. Poderemos, quando muito,
ouvir. E, no final, rematar, “hum?”
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Histórias de Psicoterapia
"(...) Com que ferramentas trabalha? A
realidade é o próprio paciente, trabalho com aquilo que sente. Na psicanálise
clássica, avançava-se com toda uma teoria que comprovasse os sintomas. Agora,
há um novo paradigma, em que se entende que o processo de psicanálise é um
processo que induz mudança. Este movimento tem origem num grupo de
psicanalistas de Boston, com o qual eu me identifico. Baseia-se na ideia de que
um indivíduo, perante as vivências que teve - não só na infância, mas também na
adolescência -, adquiriu uma determinada personalidade ou um determinado estilo
de relação menos saudável e menos produtivo para si. O processo de análise
consiste em ir interpretando este estilo no sentido de resolver e de
estabelecer uma relação mais saudável, de forma a que possa traduzir o que se
passa no consultório para a sua vida real.
Como é que decorre o processo terapêutico?
É o mesmo de sempre. Decorre a partir da conversa
entre analista e paciente. A forma de conduzir é que é diferente. Em vez de
termos na cabeça uma teoria que aplicamos, procuramos observar o que se passa
com aquele paciente, vamos interpretando e construindo hipóteses em conjunto.
Para mim, a questão fundamental é que uma pessoa seja capaz de se autoanalisar
e que acabe a análise com uma capacidade de reflexão sobre si próprio maior do
que a tinha. (...) "
António Coimbra de Matos (em entrevista ao jornal Expresso, a 3/8/2010)
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Pedrinha (Dos prazeres imediatos)
Penso que hoje há uma
tendência para a procura dos prazeres imediatos e uma certa dificuldade em
acertar com o tempo de espera.
António Coimbra de Matos
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sexta-feira, 18 de maio de 2012
Pedrinha (De saber amar)
Aquilo que faz dos humanos seres
transcendentes é a capacidade de amar. E saber amar é a razão da felicidade.
António
Coimbra de Matos
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