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terça-feira, 5 de setembro de 2017

A Psicologia Do Desmaio


"Freud, I discovered, fainted at least two times, both in the presence of his protégé and rival, Carl Jung. The first was in 1909, in Bremen, shortly before he was to sail to America. He, Jung, and Ferenczi were having lunch and chatting about mummies, as one does:" 

in https://www.theparisreview.org/blog/2017/07/10/freud-fainting/

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O sentido da vida


Não gostamos de falar sobre a morte. Nem sequer de pensar sobre a morte. Também não parece muito confortável ler sobre a morte. Se calhar, depois de a palavra morte surgir tantas vezes, sem eufemismos, muitos interromperão, já aqui, a sua leitura. Quem ama a vida, sofre quando pensa na morte. E teme-a, dada a sua inevitabilidade.
Ganhamos, desde cedo, consciência do fim da vida. Essa consciência conduz-nos a um tipo de angústia muito particular, a angústia existencial, que embora surja logo na infância, se torna mais pensada (logo, mais sentida) a partir da adolescência. À volta desta angústia nascem questões que, com maior ou menor frequência, todos já colocámos: O que há depois da morte? Qual o sentido da vida? Existe Deus? Será, a alma, imortal?
Como lidamos nós com a certeza da nossa finitude?
Para quem, através da fé religiosa, encontra as suas respostas para estas perguntas, torna-se mais fácil viver sem grandes problemas existenciais. É uma forma de dar um sentido à nossa existência e que nos garante o reencontro das almas mesmo depois do adeus.
Para quem estas perguntas ficam sem resposta, para os que não encontram aqui a serenidade necessária, são adoptadas outras maneiras de seguir em frente (sabendo que seguir em frente significa seguir em direcção à morte). Perante a angústia existencial, encontramos um mecanismo de defesa psicológico chamado evitamento, que nos ajuda a “esconder” de nós próprios os nossos maiores receios (e outras emoções). É útil, caso contrário, estaríamos todos mais ocupados a questionar a fragilidade da vida do que a vivê-la. Na sua vertente mais patológica, o mecanismo do evitamento pode assumir a forma de delírio. Aí, quando a dificuldade de pensar a morte se mascara de indiferença ou até de omnipotência, tendemos a “desafiá-la” inconscientemente e, à custa disso, podemos encontrá-la mais cedo.
O mecanismo de evitamento mais saudável é de outra qualidade, é a resignação/aceitação. A maioria de nós apaga a consciência da morte enquanto se entretém com as tarefas da vida. Percebemos que a melhor forma de não temer a morte é dar sentido à vida. É aproveitá-la. É amar e ser amado, crescer, criar vínculos e/ou descendência, produzir obra e deixar um legado. Temos a liberdade de escolher que sentido dar à nossa vida, contudo, de tudo o que podemos escolher, que seja uma escolha de amor. É pelo amor que melhor se ultrapassa a angústia existencial. Pelo estabelecimento de relações significativas e criativas. O amor por nós e pelo outro é o espelho do amor pela vida (que é, no fim de contas, feita da soma de nós e dos outros).

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Diálogos Existenciais


- Um psicólogo famoso disse, certa vez, que algumas pessoas têm tanto medo da dívida da morte que recusam o empréstimo da vida.
- E isso significa o quê? Fale claro!
- Significa que você parece ter tanto medo da morte que se recusa a entrar na vida. É como tivesse medo de gastar a sua vida.

Irving Yalom (Mamãe e o sentido da vida – Histórias de Psicoterapia)

domingo, 31 de outubro de 2010

E agora que te foste embora?



A perda de pessoas significativas faz parte da vida. Depois de perder alguém, segue-se o período que se designa de luto. O luto é todo o processo de aceitação da perda e a readaptação progressiva à realidade. E esta readaptação à realidade é essencial. Distinguem-se, por norma, três fases no processo de luto normal. Numa primeira fase, há um choque profundo devido à tomada de consciência da nova realidade e um desespero agudo em recuperar a pessoa perdida, expressado pela raiva e pelo choro, muitas vezes também pela culpabilidade. Pode haver uma negação, porque o indivíduo precisa de tempo para aceitar aquilo que a realidade lhe impôs. Depois, numa segunda fase, o indivíduo sente afectos mais depressivos e assume uma atitude mais introspectiva, com a função adaptativa de romper os moldes de funcionamento antigos e estabelecer novos. Por fim, numa terceira fase, característica da pessoa saudável, o indivíduo torna-se capaz de tolerar e ultrapassar a depressão e de retomar a sua vida numa nova realidade.
Aquilo que se designa, em termos técnicos, por luto patológico, e que na prática corresponde a um processo de luto não terminado, acontece, por exemplo, em casos em que o indivíduo permanece preso nas primeiras fases, não conseguindo reorganizar-se. Embora cada indivíduo elabore os seus lutos num timing próprio e apesar de a dor da perda nunca ir totalmente embora, há que prosseguir com a nova realidade. O luto tem de ser feito mas tem de ser terminado. Quartos fechados à chave no tempo numa tentativa de união permanente, incorporação de gestos, tiques ou interesses da pessoa perdida, adopção de uma atitude demasiado excêntrica ou alegre como forma de evitamento da dor, são tudo exemplos clínicos de mecanismos patológicos que funcionam como alerta de que as fases do luto não foram devidamente elaboradas. Nem todos os indivíduos têm os mesmos recursos emocionais, logo nem todos os indivíduos são capazes de ultrapassar as perdas. Por vezes, é preciso ajuda.
Os lutos são duras tarefas, que nos acompanham toda a vida. Porque não fazemos apenas lutos da morte, mas fazemos lutos sucessivos. Luto da infância, luto de amizades, luto de relações amorosas, luto após um divórcio, pois, no fundo, qualquer perda sofrida implica um processo de luto, de desorganização e posterior adaptação e reorganização.