Reflectia eu, por determinada razão, sobre o drama destes
miúdos, encolhidos nos seus cantos, repetidamente violentados de várias
maneiras, gradualmente mais e mais fragilizados. Pensava eu numa opinião ouvida
há uns dias, uma análise acerca da autonomização destes miúdos, 'vítimas de
bullying', acerca de formarem a sua identidade com mais facilidade por se
encontrarem fora do 'rebanho'. Entendo a lógica mas não podemos ir por aí. É
violentíssimo, é terrorismo, é desamor. A autonomização pelo desamor não interessa
a ninguém. Então, pensava eu em tudo isto e nem a propósito:"Há pais que
ainda acham que o bullying faz parte de uma infância normal, mas o normal são
os conflitos, não a violência continuada e intencional”
Transformação é a palavra-chave. Na vida ou há desenvolvimento ou instala-se a decadência. O estacionamento é uma ilusão. Nas palavras de Cervantes, “A estrada é sempre melhor que a estalagem” (António Coimbra de Matos)
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sábado, 31 de outubro de 2015
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Boyhood
― So what's the point?
― Of what?
― I don't know, any of this. Everything.
― Everything? What's the point? I mean, I sure as shit don't know. Neither does anybody else, okay? We're all just winging it, you know? The good news is you're feeling stuff. And you've got to hold on to that.
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domingo, 23 de novembro de 2014
O conflito de gerações
Há
algum tempo a capa da revista Time apresentou-nos
a “Me Me Me Generation”,
categorizando a juventude actual como extremamente narcísica, individualista e
egocêntrica. Rapidamente se instalou a polémica perante essa capa que correu o
mundo. Em defesa dos jovens se diga que, por exemplo, é mais comum desenvolverem
comportamentos pró-ambientais do que um indivíduo de 50 ou 60 anos. Sendo o
planeta responsabilidade de todos, quem serão os mais individualistas? Há na
juventude, claramente, narcisismo e egocentrismo, o que é diferente de
individualismo. É que os dois primeiros estão intimamente ligados ao processo
de crescimento: narcisismo, porque a identidade própria está em construção e
necessita de ser reafirmada; egocentrismo, porque a imaturidade torna difícil
entender as coisas sob outros e diferentes pontos de vista que não o próprio. Mas
individualismo, atitude de não se preocupar com os outros, será uma acusação
injusta, pois se há coisa que caracteriza a adolescência é a sensibilidade social
e a busca de justiça. Vendo bem, quantos adultos não são igualmente narcísicos
e egocêntricos, tendo ficado suspensos no seu caminho de crescimento pessoal?
Acusações
mediáticas à parte há sempre tensão entre gerações. É com frequência que
opiniões públicas ou privadas a denegrir as gerações mais novas se fazem ouvir.
Porque se atacam tanto os jovens? Que os jovens possam criticar os “velhos” até
se entende, já que são eles os “miúdos”, inexperientes e justiceiros, para quem
é tão fácil apontar o dedo. Que os adultos respondam na mesma linguagem é que se
torna mais difícil de entender, pois deveriam ter algum entendimento sobre o
que ficou para trás. Será tão fácil esquecer o quanto as gerações sempre
chocaram entre si? Será tão difícil lembrar como os jovens de antigamente
também se diferenciaram dos seus pais? Tudo o que é diferente é estranho, mas
não necessariamente mau. O futuro o dirá.
Todas
as gerações são diferentes das gerações que as precederam. Se o mundo está em permanente
transformação como poderia ser de outra maneira? A verdade é que o ser humano
tem alguma dificuldade em responsabilizar-se pelo que acontece em seu redor mas
somos nós quem define a direcção em que se move o mundo. Para falar sobre
jovens, teremos de sempre de falar um pouco sobre quem foram os pais dos jovens
e de que cultura de valores foi criada para eles, seja em que época for. Se não
gostamos dos jovens que criámos teremos sempre de fazer um mea culpa sobre o mundo que construímos para eles.
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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
O conflito de gerações
Há
algum tempo a capa da revista Time apresentou-nos
a “Me Me Me Generation”,
categorizando a juventude actual como extremamente narcísica, individualista e
egocêntrica. Rapidamente se instalou a polémica perante essa capa que correu o
mundo. Em defesa dos jovens se diga que, por exemplo, é mais comum desenvolverem
comportamentos pró-ambientais do que um indivíduo de 50 ou 60 anos. Sendo o
planeta responsabilidade de todos, quem serão os mais individualistas? Há na
juventude, claramente, narcisismo e egocentrismo ‒ o que é diferente de individualismo. É
que os dois primeiros estão intimamente ligados ao processo de crescimento: narcisismo,
porque a identidade própria está em construção e necessita de ser reafirmada; egocentrismo,
porque a imaturidade torna difícil entender as coisas sob outros e diferentes pontos
de vista que não o próprio. Mas individualismo, atitude de não se preocupar com
os outros, será uma acusação injusta, pois se há coisa que caracteriza a
adolescência é a sensibilidade social e a busca de justiça. Vendo bem, quantos
adultos não são igualmente narcísicos e egocêntricos, tendo ficado suspensos no
seu caminho de crescimento pessoal?
Acusações
mediáticas à parte, há sempre tensão entre gerações. É com frequência que
opiniões públicas ou privadas a denegrir as gerações mais novas se fazem ouvir.
Porque se atacam tanto os jovens? Que os jovens possam criticar os “velhos” até
se entende, já que são eles os “miúdos”, inexperientes e justiceiros, para quem
é tão fácil apontar o dedo. Que os adultos respondam na mesma linguagem é que se
torna mais difícil de entender, pois deveriam ter algum entendimento sobre o
que ficou para trás. Será tão fácil esquecer o quanto as gerações sempre
chocaram entre si? Será tão difícil lembrar como os jovens de antigamente
também se diferenciaram dos seus pais? Tudo o que é diferente é estranho, mas
não necessariamente mau. O futuro o dirá.
Todas
as gerações são diferentes das gerações que as precederam. Se o mundo está em permanente
transformação como poderia ser de outra maneira? A verdade é que o ser humano
tem alguma dificuldade em responsabilizar-se pelo que acontece em seu redor mas
somos nós quem define a direcção em que se move o mundo. Para falar sobre
jovens, teremos de sempre de falar um pouco sobre quem foram os pais dos jovens
e de que cultura de valores foi criada para eles, seja em que época for. Se não
gostamos dos jovens que criámos teremos sempre de fazer um mea culpa sobre o mundo que construímos para eles.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
quinta-feira, 14 de março de 2013
Pedrinha (Do Tactear)
“É mesmo essencial,
para o seu equilíbrio psíquico e para a salutar expansão da sua personalidade, que o adolescente possa
tactear ou encetar vários caminhos antes de verdadeiramente escolher o que
melhor corresponde à sua maneira de ser, de sentir o mundo e de perspectivar o
futuro. Não lho permitir será amputá-lo para todo o sempre nas suas
potencialidades evolutivas.”
António Coimbra de Matos
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terça-feira, 6 de novembro de 2012
Pedrinha (Da impulsividade)
O adolescente não pensa
antes, pensa depois.
Manuel Matos (in Adolescência – Representação e Psicanálise)
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segunda-feira, 23 de abril de 2012
Mãos ao Trabalho!
“O desespero nunca serviu as sociedades democráticas e é preciso ter em conta os sonhos das pessoas, que se podem tornar em pesadelos. Os psicólogos têm um papel fundamental para lidar com as incertezas e ajudar os portugueses.”
Telmo Baptista
Bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses - Sessão de Abertura do I Congresso Nacional da OPP (18,19,20 e 21 de Abril de 2012)
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terça-feira, 20 de setembro de 2011
Este corpo que eu odeio
A anorexia é um comportamento muito complexo ponto de vista psicológico. Tem muito a ver com a imagem do corpo, mas não só. Como tanto se fala, a mudança dos padrões estéticos favoreceu o aparecimento de comportamentos deste tipo, contudo, não os explica, porque a problemática é muito mais profunda do que isso.
Com raízes depressivas, esta perturbação do comportamento alimentar que afecta sobretudo o sexo feminino, representa um conflito interno entre o corpo de mulher, um corpo sexuado (devido ao desenvolvimento das características sexuais secundárias na adolescência, como os pelos, o aumento dos seios, a evolução das formas) e o corpo de menina, geralmente idealizado e que a anoréctica tenta preservar.
O comportamento anoréctico assenta na impossibilidade de aceitar que, de repente, nasceu um corpo de mulher e uma condição feminina. Há uma perturbação da sexualidade, tentando através da extrema magreza a anulação de todas as características que representam essa sexualidade (diminuição dos seios, desaparecimento das formas femininas e, no limite, da menstruação, consequência da severa perda de peso nos casos mais graves). O corpo infantil está idealizado e esse corpo infantil dirige “ataques” ao corpo real.
A anorexia não é nunca um comportamento isolado. Associam-se a ela comportamentos maníacos (como a hiperactividade, que surge não só porque a fome actua como um mecanismo excitatório, mas também porque permite manter um desgaste elevado de calorias) ou comportamentos obsessivos (como a limpeza, por exemplo, através da qual inconscientemente se exorcizam as fantasias de sexualidade, encaradas como algo sujo). A questão da perfeição está muito presente na anoréctica, o que explica inclusivamente que esta patologia surja normalmente em jovens aparentemente bem adaptadas, organizadas e, inclusivamente, com sucesso académico ou profissional.
O ódio ao corpo feminino representa, em última análise, um ódio ao corpo materno. Por norma, a relação entre a anoréctica e a mãe é uma relação doente. Aliás, é frequente em intervenções com anorécticas proceder-se, inicialmente, a uma separação da anoréctica do mundo familiar, particularmente da mãe, chamando-se a isso, maternectomia. Em terapia, trabalha-se a separação entre a anoréctica e o objecto materno.
Nesta perturbação, uma das consequências sobre a sexualidade são os estados anorgásticos, ou seja, a anoréctica e, frequentemente, a ex-anoréctica, não obtêm prazer com sua sexualidade. Resolveu-se o problema da imagem do corpo (torna-se possível aceitar o corpo real) mas permanece a má relação com o feminino.
Para tratar mais fundo, a estratégia da “engorda”, por si só, não chega. Quando a jovem se encontra com um peso muito baixo, naturalmente que a primeira fase será para compensar o seu corpo naquilo que ele necessita. Mas o tratamento da anorexia vai muito mais além. Tem de ir.
sábado, 9 de julho de 2011
Vai onde te leva o coração
A escolha de uma área profissional é um dos momentos mais importantes no percurso escolar de um jovem. Chegando ao 9º ano de escolaridade, o adolescente vê-se a braços com uma decisão relativa à área de estudo que pretende aprofundar durante os seguintes anos de aprendizagem. É o momento da primeira escolha.
Naturalmente, nem todos os jovens sabem com a mesma determinação aquilo que querem para a sua vida. É frequente existirem indecisões, angústias e receios. Nessa altura, recomenda-se que o aluno realize provas de orientação vocacional, que o ajudem a esclarecer alguma dúvida bem como a tomar uma decisão mais madura e consciente. E recomenda-se mesmo aos jovens mais “esclarecidos” pois, independentemente de parecer que o adolescente sabe muito bem aquilo que quer, não podemos esquecer que está em plena processo de construção da sua identidade e que esse processo nunca é uma equação simples.
O objectivo fundamental da realização destas provas é a recolha de dois tipos de informação fundamental, os interesses e as aptidões. Os interesses dizem respeito às áreas pelas quais o jovem sente maior motivação e gosto e também aos seus sonhos relativamente à sua realização profissional. As aptidões estão relacionadas com as suas reais capacidades em cada uma das possíveis áreas de escolha. Seguidamente, há toda uma panóplia de factores que devem ser analisados conjuntamente pelo jovem e psicólogo durante a entrevista, tais como a existência de algumas discrepâncias entre as aptidões e os interesses, as suas expectativas e os seus receios, a qualidade da informação que o adolescente possui relativamente aos cursos e ao mercado de trabalho e, ainda, não raras vezes, perceber se alguns desejos (nem sempre explícitos) dos pais estão ou não a criar ambivalência no jovem.
Seguindo em frente, uma nova escolha, semelhante a um estreitamento, é exigida no final do 12º ano de escolaridade. Uma escolha específica. Para além das dificuldades apontadas anteriormente, inerentes a qualquer processo de decisão, aqui se reúnem outro tipo de dúvidas, nomeadamente a questão das médias/requisitos de entrada na Universidade, uma grande oferta de Universidades (ou cursos de outra ordem, nunca esquecendo a quantidade de jovens que preferem outro tipo de especialização), as saídas profissionais, ou mesmo a pressão sentida quando não sabem ainda ao certo qual a actividade profissional em particular que querem escolher.
As variáveis emocionais são de grande importância porque, para que o aluno obtenha sucesso académico numa dada área, é necessário que exista, para além dum investimento intelectual, um investimento afectivo e emocional que funcione como catalisador da vontade de aprender. E uma situação de indecisão não é sinónimo de fracasso ou desinteresse no futuro, havendo sempre a alternativa de recorrer a técnicos especializados que poderão iluminar alguns recantos escuros nesta importante fase de vida.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Nos bastidores da delinquência
Falou-se, aqui há uns tempos, em diminuir a idade da imputabilidade legal e talvez seja interessante pensar nas raízes da delinquência juvenil, tentando compreendê-la de modo a contê-la aos primeiros sinais. São histórias de violência, crime, toxicodependência ou alcoolismo. Mas são, sobretudo, “histórias de desamor”1).
É o amor, acima e primeiro que qualquer outra coisa, que permite a estruturação do psiquismo da criança. Na sua ausência, pode esperar-se o caos. É possível afirmar que os comportamentos delinquentes escondem uma “intensa desintegração psíquica”1). Perante a dificuldade em expressar as suas dificuldades emocionais, elas são agidas no mundo exterior. Pode dizer-se que, nestas crianças e jovens, a capacidade de mentalizar conflitos é muito frágil e estes muito mais facilmente manifestam-se, não pela palavra, mas pelo acto. E torna-se a violência a forma preferencial (ou mesmo a única possível) de comunicação, como um apelo gritante.
Nos bastidores deste cenário, detecta-se uma “falha básica”, um vazio interno (quase como um buraco) que pode existir na estrutura emocional do ser humano, quando as suas necessidades básicas não são preenchidas (um buraco tantas vezes preenchido em consumos de substâncias que produzem a sensação de plenitude e bem-estar que não podem nem sabem viver de outro modo). E procuramos mais fundo e possivelmente encontramos uma mãe emocionalmente frágil, que chega por vezes a ter de ser cuidada e maternalizada pelos seus filhos. Com certeza, mães com as suas próprias histórias e os seus respectivos fardos. Detecta-se ainda, frequentemente, a ausência de um pai e do que ele simboliza (o interdito, a figura de autoridade, a imposição de limites) para o desenvolvimento emocional da criança.
Estes “filhos de ninguém”1) contam-nos que na outra face da delinquência se encontra a depressão. Simplesmente, nem toda a depressão se manifesta da mesma forma, nem toda se age violentamente (e quando virada para fora torna-se mais incómoda para os outros, sem dúvida). Há os se fragilizam e há os que endurecem, mas em comum têm que lhes faltou algo essencial. Em comum têm também que muitos nem se importam de morrer (vivendo já numa morte psíquica, no fundo) e nem demonstram sequer capacidade de sonhar.
Como resposta, encontram no fim (porque demasiado tarde) uma punição (mais um castigo). Pode assim reparar-se esta falha e imaginar mudanças? Não, não pode. “Encarcerar não faz esquecer. Nunca cura. Tapa, remedeia”1). Uma terapia pelo amor (nas palavras de Teresa Ferreira a psicoterapia é uma cura de amor e por amor) seria muito mais eficaz.
1) Strecht, P. (2003). À margem do amor. Assírio e Alvim.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Usos e abusos
Temos conhecimento através de inúmeras reportagens e, também por fácil observação directa que, actualmente, os jovens iniciam as suas experiências a diversos níveis cada vez mais cedo. No que toca às experiências de consumos, assume-se que é grave, pois a sede de conhecer e experimentar parece que cedo se transforma em fascínio. Estamos perante pré-adolescentes que, com total liberdade, acedem a estabelecimentos nocturnos onde constatamos os ditos consumos exacerbados de substâncias variadas pela noite fora. De facto, parece estar a aumentar um novo tipo de dependência, que poderíamos chamar “dependência de fim-de-semana”, caracterizada pela incapacidade de obter prazer e diversão nas saídas com os amigos sem ser através do abuso de substâncias e consequente alteração dos estados de consciência.
Porquê? Talvez se possa enquadrar esta questão na sociedade de consumo e de busca de prazer imediato, visto a maioria destas substâncias tornar a socialização mais fácil e assim ser mais rápido conhecer novas pessoas e criar novas relações. No entanto, embriagados por tanta coisa, as amizades esbatem-se por entre conhecimentos fugazes e superficiais, as experiências de carácter sexual adivinham-se precoces e tantas vezes sem significado, as relações amorosas nascem através de conhecimentos rápidos e tornam-se mais voláteis. Não se pensa muito e faz-se demasiado. A consciência está alterada, é compreensível..! É a força do agir acima de tudo o resto.
Os pais destes adolescentes, observam de longe, alguns tolerantes e compreensivos, desdramatizando. Outros, redondamente iludidos, pois durante a semana o seu filho comporta-se normalmente, estuda e até tira resultados bons ou razoáveis na escola, logo isso basta para acreditarem que quando está com os amigos seja um menino “às direitas”. Errado. Estes adolescentes estão a perder a capacidade de apreciar a vida de olhos límpidos. Sem álcool, sem haxixe e quiçá sem outras coisas, numa pequena minoria, não tem tanta piada estar com os amigos. Pior ainda, a falta de moderação. Caídos pelos cantos, tantas vezes. O seu corpo, ainda em crescimento, irá reflectir mais tarde estes excessos. Também o seu rendimento escolar poderá baixar, mais tarde, devido não só à deterioração das capacidades intelectuais mas também à desmotivação e apatia que gradualmente cresce nestes pequenos jovens que anseiam apenas por mais uma noite de excessos. Experimentar faz parte da vida e dificilmente poderemos contrariar a tendência das experiências cada vez mais precoces. Contudo, temos a obrigação de chamar estes meninos, que se acham grandes, à realidade, mostrando-lhes que a vida é bonita sem ser necessário consumir com tanta sofreguidão. Que a capacidade de não perder o prazer das pequenas coisas vale mais que tudo.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
A Rota da Adolescência
A adolescência representa um período do desenvolvimento humano caracterizado por grandes oscilações de humor, afectos, identificações, escolhas e objectivos. O adolescente encontra-se em pleno período de reorganização de si mesmo e da sua vida interna e externa. Perante um corpo, uma mente e uma identidade em transformação, a necessidade de dizer adeus ao mundo infantil prende-se com a necessidade de uma readaptação, quer do adolescente, quer da sua família.
Da parte do adolescente, a readaptação exige o desligar dos comportamentos infantis (já não permitidos nem desejados) e também dos anteriores prazeres de criança. Exige um esboço da sua vida amorosa e a construção da identidade sexual (iniciada em criança e agora readaptada a uma realidade concreta). Nasce a procura de identificação através do grupo. É necessária a mudança do objecto de amor, anteriormente constituído pelos pais, que agora passará a ser um indivíduo de idade adulta. Exige um luto da imagem dos seus pais, anteriormente idealizada (fazendo deles super-heróis) e agora mais adaptada à realidade, com todas as suas falhas e características humanas, deixando o adolescente com a sensação de que afinal os seus pais não o protegerão de todos os males do Mundo. Nasce a necessidade de ser mais autónomo, acompanhada muitas vezes de um desamparo em que sente vontade de voltar ao colo dos pais, revoltando-se o jovem com essa mesma vontade. Através da necessidade de separação, o adolescente está ainda em busca dos seus limites e a testar as suas capacidades. Por vezes impulsivos e arrogantes, a violência da revolta é, geralmente, um mecanismo de defesa ou uma medida da pressão necessária para vencer os vínculos que ligam o adolescente à sua família. Não é um sinal de hostilidade relativamente a ela. Muitas vezes, quanto maior a ligação e a dependência da criança aos pais, maior a força com que se manifesta esta aparente revolta.
Assim, da parte dos pais, uma compreensão profunda da situação é essencial. O adolescente precisa de espaço para abrir as suas asas e de um voto de confiança e autonomia, mas precisa também de muito amor e de um modelo familiar e adulto a seguir. Na matriz familiar ele encontra o modelo do que é ser adulto. Embora os pais percam agora, aparentemente, o lugar de destaque na vida do adolescente, esta é a evolução natural do ciclo familiar e faz parte do processo de crescimento.
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