É pelo toque do outro que conhecemos o nosso corpo. Pela ponta dos seus dedos. É nos contornos do corpo do outro que conhecemos os nossos contornos. Dentro do seu abraço. Tudo assim começa e depois assim continua porque o conhecimento não se basta a si mesmo e precisa de ser reforçado em novos e outros re-conhecimentos, em outros toques e outros abraços, que nos marquem a pele e assim nos recordem que somos um todo e que estamos aqui. Sentimo-nos na relação com o outro e mais precisamente na relação com o seu sentir. Se o outro não nos sentir, não conta. Sem isso, na falta desse ‘handling’ (como lhe chama Winnicott), sobra-nos um corpo desconhecido, ou mesmo traumatizado (se, para além ou no lugar da privação, o nosso corpo sofrer outros embates). Não é um estranho que habita em nós mas somos, sim, nós, que habitamos um estranho. O corpo torna-se matéria, desligado da mente e dos afectos; torna-se um meio de transporte, desintegrado, desinvestido e descontrolado; clivado e posto fora do lugar onde pertence — não é mais nosso. Torna-se fonte de mal-estar, de dores várias e que nos são alheias, que não entendemos, pois ele já não mais nos diz respeito. Não pertence a ninguém. Não é nosso e também já não pode ser oferecido ao outro. O toque pode até começar a queimar. E ele, corpo, que nasceu organismo vivo e vibrante, ponte entre nós e o universo, é agora só um pedaço de carne onde habita uma alma ou onde, se calhar, já não habita coisa nenhuma.
Transformação é a palavra-chave. Na vida ou há desenvolvimento ou instala-se a decadência. O estacionamento é uma ilusão. Nas palavras de Cervantes, “A estrada é sempre melhor que a estalagem” (António Coimbra de Matos)
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quarta-feira, 18 de março de 2015
Handling
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quinta-feira, 17 de julho de 2014
Sobre o Handling à moda de Osho
Se
não exploraste o teu corpo, não saberás explorar a alma. A metodologia da
exploração é a mesma, mas começa com o corpo porque o corpo é a parte visível
da alma.
Osho
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Inteligência Emocional
A
inteligência é um conceito vasto, que tem sido tradicionalmente associado a uma
medida, de seu nome, quociente de inteligência (Q.I.). Tornou-se moda medir e avaliar
o quociente de inteligência como se isso fosse um indicador seguro das nossas
competências e capacidades e de maior/menor sucesso pessoal e profissional. Contudo,
face a alguns dados importantes, a era do Q.I. está a chegar ao fim. Aproximamo-nos
gradualmente da ideia de que há uma forma de inteligência mais importante que
todas as outras, a chamada “inteligência emocional”.
Esta
constatação acerca da pertinência da inteligência emocional significa que nos interessa,
em primeiro lugar, que as pessoas tenham a capacidade de dominar uma série de
processos de ordem emocional para se desenvolverem adequadamente ao longo da
vida. E assim, perante a necessidade de dar um nome ao processo do bom
desenvolvimento psicológico, chamámos-lhe inteligência emocional. É um nome
como outro qualquer (e a palavra “inteligência” continua a “vender” muito bem)
mas o que interessa é que por inteligência emocional se entenda, acima de tudo,
a capacidade de ter uma relação saudável com as nossas emoções e, consequentemente,
com as emoções dos outros. Isto demonstra-se na relação comigo mesmo e com o
mundo, e revela-se também na habilidade de comunicar, de expressar as minhas
ideias e de receber adequadamente as ideias dos outros. Como não vivemos
sozinhos, a capacidade de termos boas relações com os outros é fundamental,
caso contrário, viveremos rodeados de problemas, obstáculos e conflitos.
Pela
possibilidade de recorrermos a capacidades fundamentais como a consciência,
reflexividade, autoconfiança, autonomia, entusiasmo, plasticidade e empatia
(capacidade de me colocar no lugar do outro), tornamo-nos mais competentes em
todas as áreas da nossa vida: pessoal, social, relacional e profissional. Sem
elas, facilmente deprimimos, desmotivamos ou incompatibilizamo-nos, e aí, nem o
Q.I. mais elevado do mundo nos trará felicidade/sucesso. Para triunfar, não basta
competência técnica.
Infelizmente,
o sistema escolar tradicional ainda não ensina nada sobre os afectos nem sobre
ética relacional, permanecendo demasiado preso à noção de inteligência na sua
perspectiva mais quantitativa. Contudo, as emoções treinam-se (ou
desenvolvem-se), preferencialmente, no seio de um bom ambiente familiar
(emocionalmente organizado e desenvolvido). Em acréscimo ou alternativa, podemos felizmente recorrer a uma psicoterapia, psicanálise e/ou a outras formas de reflexão, expressão
e análise. Para nosso bem e para bem dos outros.
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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Reflexão de Fim de Ano
§ Este ano
termina e estou mais apaixonada pela vida. Tinha conhecimento que vivíamos um
momento de expansão da consciência mas saber é diferente de sentir. Só a
experiência dá vida aos conceitos.
§ Não sei
como será para o ano porque uma das coisas que me atingiu como um raio foi a
noção de IMPERMANÊNCIA, de tudo aquilo que é hoje e que amanhã deixa de ser.
Isto traz-nos ao momento presente, que se torna mais puro e melhor vivido ao
conseguirmos um maior desprendimento do passado (o que doía ontem já não dói
hoje) e maior confiança no futuro (o que dói hoje não irá doer amanhã). Tudo
passa. A energia que desperdiçamos na angústia com aquilo que já lá vai e com
aquilo que há-de vir é demasiada e faz muita falta para vivermos bem o
presente. Como o nome indica, o presente é o momento de estarmos PRESENTES.
§ Essa
impermanência das coisas leva-nos à constatação de que o que parece mau nem
sempre é mau e de que o que parece bom nem sempre é bom. Sou levada a crer que
a nossa existência talvez pressuponha realmente ser-se feliz enquanto cá
estamos. Dizem por aí às vezes que a vida é feita para sofrer mas parece-me
mais que o sofrimento é uma opção, ou seja, que depende da perspectiva do
observador. No quotidiano, está a tornar-se mais fácil ver o lado bom das coisas
aparentemente más e, por incrível que pareça, quanto mais se pratica isto mais
faz sentido. Penso que a esta tendência para nos pacificarmos perante os
obstáculos se pode chamar ACEITAÇÃO. Será tanto mais fácil quanto maior a
confiança de que por trás de uma complicação pode estar uma bênção.
§ A
aceitação anda de mãos dadas com a REFLEXÃO, porque para aceitar tenho que
perceber que sou altamente responsável pelo que me acontece, e com a GRATIDÃO,
pois se eu aceito que coisas menos boas me acontecem e que muitas vezes essas
coisas são indicadoras de que algo melhor está a caminho, torno-me uma pessoa
mais grata por tudo o que gira em meu redor. O inverso disto será praguejar,
culpar os outros ou sentir-me uma vítima do Universo e creio que este é um terreno
pantanoso de onde dificilmente se sai.
§ A
aceitação, a reflexão e a gratidão só podem germinar num pensamento FLEXÍVEL,
capaz de questionar o mundo (interno e externo) e de aceitar perspectivas
divergentes e hipóteses que nos ultrapassem. Flexibilidade dos conceitos e das
ideias. Certezas absolutas são para deitar fora. Conviver com a dúvida é
fundamental (já que a impermanência existe) e para isso precisamos de ser
plásticos. A rigidez torna-nos duros, por vezes implacáveis, connosco e com os
outros.
§ A
flexibilidade ajuda-nos a ver as coisas como um FLUXO contínuo, não
dicotomizando nem polarizando (bom e mau, certo e errado, feliz e infeliz,
passado e futuro). Essa perspectiva permite-nos maior capacidade de integração
das partes no todo. Todo o passado conduz ao presente e ao futuro. Tudo o que
faço hoje se reflecte amanhã. Tudo o que dou agora receberei depois (e tudo o
que não dou naturalmente não receberei). Todo o meu passado me conduziu à
pessoa que sou e me encaminha para a pessoa que serei. A existência é um continuum.
§ Se o
Universo funciona num continuum podemos dizer que, enquanto
indivíduos, estamos todos ligados. É por isso que a UNIÃO e a COOPERAÇÃO devem
prevalecer sobre a competição. Porque todos juntos temos mais força do que
separados. Esta UNIÃO só pode acontecer se não se basear na dependência. Para
haver verdadeira cooperação todos os indivíduos devem possuir AUTONOMIA
(fundamentalmente emocional pois o resto vem por acréscimo). Caso contrário,
uns sugam os outros e numa relação parasita/hospedeiro nada se cria, tudo se
consome.
§ Para além
da questão da força/energia colectiva, importa pensar que se estamos todos
ligados aquilo que eu sou e que eu faço influencia aqueles que se relacionam
comigo. Temos uma esfera de influência em nosso redor e essa consciência
traz-nos RESPONSABILIDADE. Essa responsabilidade não é só para com seres
humanos mas também para com os ANIMAIS e com o PLANETA, a quem também estamos
ligados. Ter noção de que o chão que pisamos é responsabilidade nossa é cada
vez mais fundamental.
§ Como a
LIBERDADE é um pilar da nossa existência (o outro será o AMOR) é preciso
aceitar que há quem não respeite nada disto. O que nos conduz à ideia de que,
sobre estes e outros assuntos, por mais que gostássemos que os outros mudassem
não nos compete a nós interferir na vida alheia. Há uma certa omnipotência
subjacente a isto. A única e a melhor forma de produzir mudança, é sermos nós a
mudar. Para que através da nossa esfera de influência possamos, talvez,
provocar alguma transformação. Pelo exemplo (amor) e não pela crítica/castigo
(guerra).
§ Obrigado
a todos aqueles que eu amo e que me amam (cada vez mais e melhor), que
enriqueceram o meu ano e que fizeram de mim uma pessoa mais atenta, mais grata,
mais genuína, mais afectuosa e mais presente, com o vosso exemplo e amor! Muita
Paz, muita Luz, Saúde e Amor. Feliz 2014!
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