Transformação é a palavra-chave. Na vida ou há desenvolvimento ou instala-se a decadência. O estacionamento é uma ilusão. Nas palavras de Cervantes, “A estrada é sempre melhor que a estalagem” (António Coimbra de Matos)
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
domingo, 1 de dezembro de 2013
domingo, 6 de janeiro de 2013
Reflexão no Sapatinho (em Dia de Reis)
No
Natal passado especulou-se sobre o que estaria para chegar. Continuamos aqui,
ainda inteiros, e depois de um ano de dificuldades, penso que podemos pensar
sobre o outro lado da moeda, que mostra que estamos humanamente mais
“crescidos”. Arriscando dizer que somos hoje menos individualistas, já que nunca
como agora houve tanta consciência social. Repare-se no aumento exponencial de
movimentos solidários de recolha e distribuição de alimentos, brinquedos,
vestuário, livros, e tudo o mais que possa faltar numa casa de família. E não
só a nível institucional, mas atitudes solidárias em pequena escala, que nascem
do coração de alguns.
Sabemos
de famílias que este ano produziram, criativamente, os seus próprios enfeites
de Natal, recorrendo a materiais caseiros ou recolhidos na rua, trabalhando
afincadamente na exploração de tintas, papéis e tesouras. Tudo o que é feito
com as nossas mãos tem cheiro a afectos e com um carinho especial se orgulham
dos seus enfeites mais do que de qualquer outro adquirido anteriormente num balcão
alheio.
Parece
também que todos reduziram a sua lista de presentes, que não só incluía a “prima
da vizinha” (tantas vezes só para parecer bem) como também incluía presentes de
valor o mais elevado possível (como se o valor fosse espelho do afecto nutrido
pelo outro). Hoje procuram-se presentes mais adequados e em quantidade mais
adequada. Sobretudo, é o acto de compra impulsiva que perde força este Natal. Pensa-se
mais antes de agir. Mais, muitos fazem este ano os seus próprios presentes ao
invés de comprar e há ainda quem prefira aderir a iniciativas de pequenos
comerciantes ou artesãos. Porque prosperam negócios caseiros, de elevada
qualidade e preço acessível, nascidos da necessidade e da criatividade de gente
cheia de talento que nunca deu oportunidade a si mesma de pôr mãos ao trabalho
e deixar a imaginação voar. Trabalhos de bijuteria, de costura, de culinária, de
pintura e experiências a tantos níveis. Artesãos dos tempos de crise que talvez
encontrem aqui, este Natal, a semente de uma ideia que venha a germinar no
futuro.
Em
poucos meses, e embora quase por obrigatoriedade, caiu por terra a atitude
excessivamente consumista e passiva que coloriu o Natal dos últimos anos. E,
curiosamente, não deixamos de sentir um “espírito natalício” por aí, que agora
parece vir mais de dentro para fora e não tanto de fora para dentro. Nem tudo o
que nasce no seio de uma crise é necessariamente mau, e assim, começando com um
Natal mais humano, quem sabe depois esta postura possa ir entrando devagarinho
pelas nossas casas, ensinando-nos um equilíbrio social e económico que
poderíamos estar quase a perder de vista.
sábado, 24 de dezembro de 2011
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
sábado, 11 de dezembro de 2010
Jingle Bells
Não há tempo para essas coisas. Os dias passam em alta velocidade e o stress domina a alma e o pensamento. Sim, nas sociedades ocidentais, a religião e as práticas religiosas foram gradualmente deixadas no esquecimento, acompanhando a tendência evolutiva para reflectir cada vez menos e agir cada vez mais. As directrizes religiosas e os pressupostos cristãos, transmitidos de geração em geração, vão sendo sucessivamente cada vez mais questionados e postos em causa pelas gerações actuais.
Estamos no Natal. “Mas porque é que o Natal é uma festa?”, pergunta-me uma criança, muito recentemente. Voilà…! O Natal foi perdendo o seu sentido original, como tanto se tem discutido nos últimos tempos. E tem-se discutido com razão. O Pai Natal tomou, quase por absoluto, o lugar do menino Jesus, pelo menos para a maioria das crianças nascidas no século XXI, tornando-se o símbolo moderno do Natal. (Quantos presépios terão, ao longo dos anos, sido arrumados num qualquer pequeno armário?)
Por outro lado, há ainda uma minoria, quiçá significativa, que, no seu quotidiano, não perde de vista as reflexões de ordem espiritual e a análise da sua vida e do seu comportamento à luz da doutrina religiosa ou de outra ordem. E saiba-se que vários estudos evidenciam que, de um modo geral, sujeitos que se envolvem com a vida e actividades religiosas ou de cariz espiritual, apresentam maior bem-estar psicológico e menor prevalência de depressão, de uso, abuso ou dependência de substâncias e de ideias e comportamentos suicidas.
Várias hipóteses têm sido colocadas e investigadas tentando entender e explicar como é que a religiosidade e a espiritualidade influenciam positivamente a saúde mental. É possível que um conjunto de factores distintos actue sinergicamente, tais como, a existência de um sistema de crenças que atribui um sentido à vida e também ao sofrimento, o apoio social obtido no seio dos grupos religiosos e o incentivo a comportamentos saudáveis, regras e valores referentes a estilos de vida potenciadores da saúde, física e mental. Mais, a ideia basilar de que não estamos sozinhos minimiza a sensação de solidão.
Naturalmente, a religião não se impõe a ninguém. Adicionalmente, as doutrinas de cariz espiritual são um tema polémico. Contudo, o importante é não parar de pensar. Pensar estimula corpo e mente e o pensamento estreito é grande inimigo do desenvolvimento humano. Estamos, historicamente, numa época do ano propícia a reflexões. Vamos parar e pensar um pouco, então.
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