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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Histórias de Desespero e de Esperança


Podíamos contar uma história, que pode ser a história de qualquer um de nós. Por norma, estas histórias começam com esperança, nem que seja por dois minutos. Depois, mais cedo ou mais tarde, acabaremos por conhecer o desânimo. Perante um desânimo de cadência continuada, irrompe então o desespero. E é aí, no lugar do desespero, que a história sempre se divide em dois finais diferentes: ou retomamos o caminho da esperança, ou perdemos a fé nas coisas boas e entregamo-nos a uma qualquer forma de desistência.
Assim, o desespero e a esperança são dois sentimentos antagónicos no que toca à reacção às contrariedades, sempre em função daquilo que esperamos da vida. Esperança é fé e entusiasmo. Se na nossa história encontramos sempre algo em que acreditar, que nos segure e nos empurre em frente, é porque somos fundamentalmente movidos a esperança. E isso é bom. Desespero é a sensação de exaustão. É o fim de um caminho. Irrompe nos momentos em que não se espera absolutamente mais nada de uma situação. É, no entanto, por isto que muitos pensadores defendem que a esperança vem depois do desespero. A exaustão pode proporcionar rupturas importantes na nossa vida. Nem todas as crises são más.

E a verdade é que, não raras vezes, oscilamos entre ambos, conforme os tempos e as circunstâncias. Os momentos de desespero fazem, sim, parte da vida, contudo, é na capacidade de reencontrar o caminho da esperança que mora a saúde mental. Afastamo-nos da saúde mental quando deparamos com desesperos tão desesperados que se torna impossível recorrer ao pensamento e retomar o caminho do desenvolvimento. Não é invulgar, pois o desespero é, de certa forma, uma emoção-limite, algo da ordem do insuportável. E é muito doloroso passar por estes estados emocionais. Seria possível viver uma vida inteira deprimido, mas não seria possível viver a vida inteira em desespero, seria um desgaste que o corpo e a mente não aguentariam. Assim, o desespero surge em picos e vai alternando com alguma serenidade que, por norma, conseguimos sempre reencontrar. Com maior ou menor eficácia, a maioria de nós consegue embalar-se nos momentos mais difíceis e reencontrar uma forma de tornar a acreditar. Na mais pequena coisa que seja. A maioria de nós reencontra sempre a esperança dentro de si. Até porque o fim de um caminho permite sempre a descoberta de outro. E é nessa capacidade de reencontrar novos trilhos que reside a esperança. Sabemos que depois de cada tempestade vem sempre a bonança, como diz o povo.

sábado, 27 de novembro de 2010

Psicologia Positiva

No período que antecedeu a II Guerra Mundial, a Psicologia tinha três objectivos básicos: curar a doença mental, ajudar as pessoas a tornar a sua vida mais produtiva e completa e, por último, identificar e estimular talentos. Contudo, ao longo do tempo, a Psicologia tornou-se uma disciplina essencialmente curativa, baseada num modelo e ideologia de doença, virada essencialmente para o primeiro objectivo acima citado.
O movimento chamado Psicologia Positiva surgiu recentemente (embora já outras correntes dentro da Psicologia tivessem abordado a questão) reacendendo o tema, focando-se essencialmente no estudo das potencialidades e dos factores individuais, comunitários e sociais que estimulam as experiências positivas, dirigindo-se assim mais para a prevenção e menos para a cura. Tem como objectivo a optimização do funcionamento do indivíduo. Como? Focando-se nas suas forças e não nas fraquezas. Maximizando os recursos do indivíduo e estimulando as suas potencialidades, como por exemplo, a inteligência, o optimismo, a auto-eficácia e a resiliência (significando esta última a capacidade do indivíduo enfrentar os problemas, superar os obstáculos ou resistir à pressão em situações adversas). Foca ainda a estimulação de outros traços positivos individuais como a capacidade de amar, vocação, coragem, competências interpessoais, sensibilidade estética, perseverança, capacidade de perdoar, originalidade, capacidade de perspectivar o futuro, espiritualidade e sabedoria. Subjectivamente, o campo da Psicologia Positiva implica trabalhar as experiências subjectivas de bem-estar, contentamento, satisfação (respeitantes ao passado); “fluir” e felicidade (respeitantes ao presente), esperança e optimismo (respeitantes ao futuro).
Porque se fala tanto de Psicologia Positiva? Lembramo-nos das receitas mágicas do livro “O Segredo” que andou recentemente nas bocas do mundo e percebemos que vivemos uma época propícia ao surgimento de correntes de energia positiva. Ainda assim, não poderemos nunca negligenciar a outra face da Psicologia, tradicional mas pertinente, pois no equilíbrio entre as metodologias encontramos mais virtude do que no extremismo. É essencial estudar o ser humano numa perspectiva integradora, na qual o mesmo é concebido como um agente activo que constrói a sua própria realidade. Através da selecção, interpretação e da influência dos ambientes com os quais se confronta, o indivíduo contribui para o desenvolvimento das suas capacidades e tendências.