A espécie humana é social, gregária, mas é também reflexiva e, nesse aspecto, solitária. Como diz uma professora e colega que estimo, "a vida está nos paradoxos". Porém, tantas vezes parece quase necessário justificar esse lado de quem privilegia estar só/sossegado num mundo que nos entra loucamente pela "porta" dentro todos os dias. Há umas décadas atrás, era diferente. Sabíamos, aceitávamos e não questionávamos que muitos momentos eram bons para se estar só. Hoje, na era das redes sociais e dos "open spaces", o solitário não "existe". Mais, se existe, é desrespeitado. Nem sempre quem se coloca à margem é amado e/ou considerado da mesma forma. Esta é uma questão que apenas faz sentido pensar aqui, neste mundo dito ocidental, onde a acção passou a ser mais valorizada que a contemplação e se esquece, tantas vezes, que a solidão também pode ter muitas vantagens. É no espaço de encontro connosco que podemos "ser", por oposição ao "fazer". E é quando podemos "ser" que nos surgem as melhores criações. É também na ausência que interiorizamos a presença, que aprendemos a guardar as coisas dentro de nós. E sem esses espaços de encontro connosco dificilmente podemos saber estar, verdadeiramente, com o outro.
Transformação é a palavra-chave. Na vida ou há desenvolvimento ou instala-se a decadência. O estacionamento é uma ilusão. Nas palavras de Cervantes, “A estrada é sempre melhor que a estalagem” (António Coimbra de Matos)
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quarta-feira, 1 de julho de 2015
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Pedir Desculpa: Fácil, Difícil ou Impossível?
Pedir desculpa nem sempre é fácil. É que este
acto acarreta ramificações psicológicas que vão além da palavra em si. Embora
possamos justificar a relutância em pedir desculpa com orgulho, por norma há
uma dinâmica psicológica muito mais profunda e complexa.
Ao contrário do que parece, recusarmo-nos a pedir
desculpa não reflecte uma “personalidade forte” mas sim, pelo contrário, um esforço para nos
protegermos das nossas fragilidades e de angústias fundamentais (conscientes ou
inconscientes). Comecemos:
- Admitir que se fez algo errado pode ser sentido
como ameaçador quando se confunde acção
e carácter: como se aquilo que
fazemos definisse totalmente quem somos. Por exemplo, confundir um erro ou
uma negligência com estupidez ou ignorância. Nestas circunstâncias, quando
se pensa desta forma, as desculpas representam naturalmente uma grande
ameaça para o nosso sentido básico de identidade e auto-estima.
- Pedir desculpa pode abrir as portas ao sentimento
de culpa ou ao sentimento de vergonha. E enquanto a culpa faz-nos sentir
mal relativamente às nossas acções, a vergonha faz-nos sentir mal em relação
à nossa pessoa, o que faz dela uma emoção muito mais tóxica que a culpa. Mais
uma vez, encontramos aqui uma confusão entre acção e carácter.
- Embora o pedido de desculpa seja uma oportunidade
de resolver um conflito, quem não consegue fazê-lo normalmente receia o
inverso: que abra um precedente para outras acusações e mais conflitos. E
embora haja pessoas que efectivamente não aceitam o pedido de desculpa
como reparação, as pessoas mais saudáveis não utilizam um momento de
sinceridade e humildade para humilhar ou enxovalhar o outro, pois aí o
problema já não é de quem pede desculpa, mas sim de quem não sabe
aceitá-las.
- A dificuldade de pedir desculpa esconde ainda o
receio que fazê-lo signifique assumir a responsabilidade total do assunto
e libertar a outra parte do seu quinhão de responsabilidade. Aqui, há uma
confusão entre as partes e o todo. Uma história tem sempre dois lados e
cada um deve olhar para o seu.
- A recusa em pedir desculpa é, ainda, uma
forma de manter as emoções sob controlo. Há o receio que, ao “baixar a
guarda”, as defesas psicológicas se desmoronem e abram as portas a uma
cascata de sentimentos desconfortáveis. Mas a verdade é que, quanto mais
nos abrimos perante o outro, quanto mais honestos e autênticos formos,
mais saudáveis nos tornamos, e mais saudáveis as relações em nosso redor.
Viver de espada em riste é um tremendo cansaço e uma ardilosa armadilha.
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Fugindo dos Pensamentos
| Arthur Hughes |
Ser a moça mais linda do povoado.
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.
Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
- Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...
Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à "terra da verdade"...
Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.
Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
- Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...
Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à "terra da verdade"...
Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.
Florbela Espanca (Rústica)
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Pedrinha (Da impulsividade)
O adolescente não pensa
antes, pensa depois.
Manuel Matos (in Adolescência – Representação e Psicanálise)
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domingo, 11 de dezembro de 2011
Pedrinha (Das acções e concretizações)
Realmente, de que serviria sentir, pensar, e até amar se não agíssemos?
António Coimbra de Matos
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