"Eu penso assim. Eu penso assim. Mas
quero perceber o que tu pensas. Eu sinto assim. Mas quero ouvir o que tu
sentes. E tu, queres saber o que eu penso? Queres saber o que eu sinto?" É
que uma das poucas certezas que podemos ter é que poucas coisas são certas. Por
'certas', entenda-se, verdades absolutas. Exceptuando talvez o mundo matemático
(ciência dita exacta em que 2 + 2 são sempre 4). Tirando isso e pouco mais, a
leitura que fazemos da vida, das pessoas e das situações é apenas a nossa
leitura. Por mais objectivos que tentemos ser, ela é sempre fruto de quem somos
e do que vivemos. Dos 'óculos' que usamos. É, por isso, preciso cada vez mais
interesse e respeito pela opinião do outro ao invés de viver em campos de
batalha entre o que eu penso e o que tu pensas, o que eu sinto e o que tu
sentes. Entre o 'certo' e o 'errado'. O que é isso de querer ter razão? Os
conflitos surgem da incapacidade de ouvir e entender a perspectiva do outro. É
preciso respeito. E depois, já agora, flexibilidade. É preciso descentrarmo-nos
dos nossos umbigos. E o mais simples e paradoxalmente complexo de tudo isto é
perceber que no fim de contas o que é mesmo preciso é amar o outro. O amor pelo
outro implica sempre o respeito pela diferença.
Transformação é a palavra-chave. Na vida ou há desenvolvimento ou instala-se a decadência. O estacionamento é uma ilusão. Nas palavras de Cervantes, “A estrada é sempre melhor que a estalagem” (António Coimbra de Matos)
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segunda-feira, 15 de setembro de 2014
No fim vai tudo dar ao mesmo
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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Pedrinha (Do dito e do não-dito)
Nas relações intersubjetivas, as palavras não substituem nem alternam com as ações, mas fazem parte do reportório das ações. Nas relações interpessoais o que existe são trocas íntimas coloridas, ou trocas superficiais, em que a forma e o momento da troca são tanto ou mais importantes que a própria mensagem. Assim a mãe/pai que proclama um imenso amor pelo seu bebé, mas que - ao mesmo tempo - o mantém numa postura inapropriada, que não o olha e lhe fala num tom agressivo, evidencia no processo relacional duas ações contraditórias. Por um lado, na ação explícita declara que ama a sua criança, mas na ação não- verbal implícita exprime uma rejeição dessa mesma criança. A unidade mente/corpo e a relação implicam assim tanto os sentimentos e as emoções quanto as cognições, tanto os movimentos do corpo como as ações concretas. São assim os encontros intersubjetivos apreendidos na interface da teoria da relação, da neurociência e da biologia.
António Mendes Pedro
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Pedrinha (Da Terapia do Terapeuta)
Nunca me canso de dizer aos jovens
terapeutas que a sua ferramenta mais vital são eles próprios, e que,
consequentemente, o instrumento tem de estar primorosamente afinado. Os
terapeutas necessitam de ter um grande autoconhecimento,
de confiar nas suas observações e obrigatoriamente relacionarem-se com os seus
clientes de uma maneira atenciosa e profissional. É precisamente por esta razão
que a terapia pessoal está (ou deveria estar) na base de todos os programas de
ensino terapêutico. Não só acredito que os terapeutas deveriam ter anos de
terapia pessoal enquanto se formam, como ainda voltar à terapia à medida que
vão evoluindo na vida; à medida que se sentir mais confiante enquanto
terapeuta, e quanto mais acreditar nas suas observações e na sua objectividade, mais livre se sentirá
para usar, com segurança, os sentimentos que os seus pacientes lhe suscitam.
Irvin
D. Yalom in De Olhos Fixos no Sol
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terça-feira, 28 de maio de 2013
Quem pensas que enganas?
Procuramos
frequentemente esconder os nossos afectos e emoções. Ocultamos a irritação, disfarçamos
a desilusão, camuflamos o ciúme e mascaramos o medo. Escondemos a tristeza, a
raiva e mesmo o amor. Por vezes, conscientemente, outras, sem sequer nos
apercebermos desse conflito inevitável entre o que sentimos cá dentro e o que
queremos (ou que não queremos) passar para fora.
Fazemo-lo
por tantos motivos! Pode ser para seguirmos o “politicamente correcto” ou porque
não queremos admitir as nossas fragilidades. Porque não queremos criar
conflitos ou magoar alguém. Fazemo-lo porque, racionalmente, achamos que não
temos legitimidade para sentir certas coisas, ou porque queremos esconder de
nós próprios o que sentimos. Não importa aqui o porquê mas importa sobretudo perceber
que normalmente falhamos redondamente na nossa intenção de camuflar os nossos
afectos. É que os seres humanos são excelentes detectores de “mentiras
afectivas” uns nos outros.
Para
enganar (ou outro ou a nós próprios) usamos as palavras. Por trás das palavras,
usamos racionalizações (raciocínios lógicos).
Uma mãe diz que respeita muito a liberdade do seu filho mas de cada vez que ele
lhe omite algo íntimo fica sentida por ser posta de lado. Um homem chega a casa
e conta que ficou desempregado, ao que a sua mulher responde que tudo se irá
resolver mas nos seus gestos seguintes revela todo o medo, ansiedade e falta de
confiança no marido. Um filho apresenta um teste com uma nota mais baixa que o
costume e a sua mãe diz que não tem importância e que acontece aos melhores mas
nos seus olhos está espelhado o desapontamento. Um pai pergunta ao filho como
correu o seu dia mas depois, na verdade, não presta a mínima atenção ao que o
filho conta quando chega da escola. Em todas estas cenas há uma coisa que é
dita e uma outra diferente que é percebida e sentida na relação.
As
palavras contêm um significado objectivo e são uma arma de argumentação
poderosa nas relações. Só que há algo muito especial e subjectivo nos seres
humanos que é mais poderoso do que as palavras: os afectos. Na relação com os
outros, essa nossa subjectividade dança com a subjectividade do outro e descobrem-se
mutuamente. Chamamos a isto a intersubjectividade
na relação, ou seja, “eu sinto o que tu sentes e tu sentes o que eu sinto”.
Há
quem esconda bem os afectos. Com mecanismos de defesa muito sólidos. E, por
outro lado, também há quem tenha muito pouca capacidade de ler o outro para lá
dessas barreiras. Tristeza das tristezas é não vivermos essas danças a dois por
não estarmos verdadeiramente em relação com o outro. Numa relação sem comunhão afectiva
ficaremos meramente restringidos à troca de palavras, passando-nos ao lado os
afectos escondidos e deixando escapar as nuances
mais belas das relações humanas.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
sábado, 27 de abril de 2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
sábado, 10 de novembro de 2012
Pedrinha (Sobre a Psicanálise?)
"We work in the dark — we do what we can — we
give what we have. Our doubt is our passion and our passion is our task. The
rest is the madness of art."
Henry James
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Pedrinha (Das Entrelinhas)
Mas já que se há-de escrever, que ao
menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Poesia
É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!
Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro
entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo.
Fernando Pessoa
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quinta-feira, 12 de julho de 2012
Pedrinha (Do conhecer, compreender e transformar)
"A psicanálise serve para aprofundar o
auto-conhecimento, e não só; também o conhecimento do outro (os outros) e,
sobretudo, das relações não só interpessoais mas essencialmente
intersubjectivas."
António
Coimbra de Matos
Nota: Estes conhecimentos, por si só, não
resumem a psicanálise nem a psicoterapia psicanalítica. Depois de conhecer, despontará o compreender. Estabelecer ligações entre o que é e o que foi. E, por fim, é preciso transformar. O que será. Passado, presente e futuro. Ligados. Descobrir, aceitar, compreender, integrar e transformar. Em busca do melhor que temos dentro de nós.
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quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Pedrinha (Da subjectividade da "culpa")
O sentir-se alguém "culpado" e "pecador", não prova que na realidade o seja, como sentir-se alguém bem não prova que na realidade o esteja.
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