Recordam-nos que quase tudo é possível — eles sabem melhor
que nós que os monstros existem e ensinam-nos que é preciso acreditar em magia
uma vez por outra. Reconduzem-nos o olhar para baixo — eles mostram-nos que
quem ergue demasiado o queixo perde a noção do chão e tropeça mais.
Relembram-nos que é preciso sonhar — eles levam-nos em altos vôos no Bala de
Canhão mesmo que o nariz fique todo amassado das mil vezes em que se despenha a
pique. Que todos possam ter sempre uma criança por perto para mantermos fresco
o nosso pensamento e doce a nossa alma. Eu cá tenho muita sorte!
Transformação é a palavra-chave. Na vida ou há desenvolvimento ou instala-se a decadência. O estacionamento é uma ilusão. Nas palavras de Cervantes, “A estrada é sempre melhor que a estalagem” (António Coimbra de Matos)
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segunda-feira, 1 de junho de 2015
Bala de Canhão
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quinta-feira, 26 de março de 2015
Rêverie
Nem tudo é
pensamento. Nem tudo é imediatamente analisável e prontamente dotado de um
significado e de um sentido. Há coisas que acontecem aquém (ou além?) do
pensamento. Sonhamos e pensamos o mundo também com nossas emoções, na fina malha
que liga as representações simbólicas. São emoções que, grávidas de
significado, procuram trazê-lo à luz para que possam ter um sentido. À arte de
sonhar essas emoções com o outro, podemos chamar rêverie. Um termo cunhado por
Bion, em 1971. É o que se espera que as mães façam com os seus bebés, muito
antes do verbo; é também o que se espera que os psicanalistas possam fazer com
os seus analisandos — é o que
acontece numa relação a dois onde se pode sonhar acordado em conjunto. É a
capacidade de estar em ressonância com aquilo que o outro projecta dentro de
nós. Para isso é preciso poder viajar e perder-se, livre curso, sem medo do que
não se entende. Perder-se entre devaneios, fantasias, sensações corporais,
percepções fugazes, imagens, dormências, melodias e tudo o que mais atravesse a
nossa mente, ainda que temporariamente sem um sentido. A rêverie é uma bússola,
em que o norte é dado pela intuição. É tão importante poder flutuar com o outro,
ainda que aparentemente à deriva, enquanto esperamos que, naturalmente, esse
sonho a dois ganhe um sentido.
Sim, nem tudo é pensamento. Debussy também acreditava que música era o espaço
entre as notas.
sábado, 29 de março de 2014
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Pedrinha (Dos tributos)
“João dos Santos defendia o sonhar e o pensar para se opor à administração indiscriminada de drogas, que apenas faziam bem aos calos e à queda do cabelo, como ironizava.”
Maria José Vidigal (in João
dos Santos e a Moderna Psiquiatria da Infância)
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