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| Meeting around a baguette (Paris, 1950) — Fotografia de Raymond Prunin |
Transformação é a palavra-chave. Na vida ou há desenvolvimento ou instala-se a decadência. O estacionamento é uma ilusão. Nas palavras de Cervantes, “A estrada é sempre melhor que a estalagem” (António Coimbra de Matos)
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domingo, 31 de janeiro de 2016
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Matemática dos Beijos
— Um, dois, três, duzentos e cinquenta e
sete, cinco mil setecentos e quarenta e nove: quantos beijos cabem na vida?
— Talvez quarenta milhões? (sorriso) Não
sei. Curtos ou longos? Tudo depende da duração. Num dia cabem mil quatrocentos
e quarenta beijos de um minuto ou um beijo de mil quatrocentos e quarenta
minutos. Tu é que escolhes.
— Tens razão. Isso da duração importa.
Fizeste-me lembrar também daqueles beijos que ficam connosco já depois de se
irem, sabes? E às vezes até se cruzam com outros que hão-de vir: "Olá,
ainda por aqui?".
— É, há beijos que se demoram e acho até
que alguns nunca acabam. Mas a memória de um beijo vale por um beijo, não?
— Olha que não sei. Cada beijo lembrado
pode contar como um novo beijo. Podemos escolher também aqui.
— Hum. E incluindo beijos de que tipo?
— De todos. Dos beijos dados, dos beijos
roubados, dos beijos perdidos e dos achados. Dos beijos que procuram e dos
beijos que encontram. Dos que fracturam e dos que reparam. Dos que rompem e dos
que ligam. Dos beijos que acordam, dos que adormecem. Dos que se encontram à
esquina e dos que chocam de frente. Dos de passarinho e dos de corpo inteiro.
Dos enternecidos e dos apaixonados. Dos que nos esclarecem e dos que nos
confundem. Dos que quase enlouquecem, no bom sentido. Beijo é sempre no bom
sentido. Dos beijos que acalmam e dos que assustam. Dos que respiram e dos que
sufocam. Dos beijos que nos dissolvem, sabes? Dos beijos-buracos-negros que
acabam com a gravidade e nos sugam em espiral para lá do tempo e do espaço. Dos
beijos que desaparecem. E dos que nos perseguem. Perseguem. Perseguem.
Perseguem.
— Mas queres fazer contas ou escrever um
poema?
— Pois se calhar a matemática não se
aplica a isto. Teríamos ainda a questão dos beijos sonhados.
— Também querias ir por aí?!
— Claro. Quero ir por todos os lados.
— (sorriso)
— ah! E o beijo dos beijos. Teríamos que
contar com o beijo dos beijos.
— Qual?
— Tu sabes. É aquele que não se pode
lembrar...
— O que há-de vir?
— Pois. Também não custaria nada. É só
somar um no fim.
— (sorriso) Qual fim? Contigo será
impossível contabilizar beijos.
— Se calhar. Que se lixem as contas. O
que importa é que é sempre a somar. E para que não haja desperdícios lembra-te
disto que é importante: um beijo que não se dá é um beijo que não se deu.
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Ternura
domingo, 5 de outubro de 2014
Gesto Espontâneo
Enquanto não nos conhecemos ou não nos damos a conhecer
reunimos à nossa volta relações pouco verdadeiras. O que é natural porque assim
os outros também não sabem bem quem somos e portanto também têm o direito de se
enganar. Uma das melhores consequências de nos encontrarmos e de nos assumirmos tal e
qual como somos é o facto de vermos afastar-se quem então andou por perto ao
engano. Se queremos viver relações mais autênticas, as primeiras perguntas a
fazer são: Sei quem sou? Estou a mostrar-me como sou? E aí entramos num
processo de libertação de tudo o que não interessa, não só por fora como por
dentro. Cá dentro, entendemos por fim o que significa isso da 'liberdade de
ser'. O gesto espontâneo, como diria Winnicott. Não há maior alegria que a de
nos reconhecermos na nossa forma mais genuína e praticar a nossa verdade, não
mais nos importando com o julgamento alheio. Lá fora, um pouco mais de certeza
de que quem está, está de verdade e em verdade. O ciclo é simples: abrir o
coração e assumir a nossa verdade atrai mais amor e mais verdade; a verdade de
saber que quem está por perto nos conhece, nos ama e nos respeita. Já não há
grandes enganos a recear. Ficam os que querem manter-se por perto e esses, sim,
são bem-vindos. Bom domingo!
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Winnicott
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Pedrinha (De saber amar)
Aquilo que faz dos humanos seres
transcendentes é a capacidade de amar. E saber amar é a razão da felicidade.
António
Coimbra de Matos
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Toque
domingo, 15 de abril de 2012
domingo, 3 de julho de 2011
Coisas de amigos
Tinha-se perdido de si mesma, mas a sua amiga sempre soubera qual era o lugar dela, o valor dela e não saiu de perto enquanto ela não voltou a reconhecer-se através do olhar da amiga, do seu afecto; primeiro, ela era só um punhado de dúvidas, depois foi sendo capaz de reconhecer os seus contornos, naquilo que a sua amiga lhe dizia e, mais além, preenchendo esses contornos com bocados de vida sua; foram tempos em que, “cega” a si própria, se foi buscar ao interior de quem a fazia existir, de quem a fazia existir tão perto do que era ela. E a amiga nunca saiu de lá, sempre a fazê-la sentir o valor que a vida dela tinha, o quanto ela era valiosa, nunca saiu de lá até estar segura de que ela já se reconhecera e já se encontrara; aí sim, sabia que, embora ainda “descalça”, iria fazer caminho. Nunca saiu de lá; mesmo agora, que voltava.
Maria João Saraiva (in Até mim: Vivência da Psicanálise)
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