Transformação é a palavra-chave. Na vida ou há desenvolvimento ou instala-se a decadência. O estacionamento é uma ilusão. Nas palavras de Cervantes, “A estrada é sempre melhor que a estalagem” (António Coimbra de Matos)
quinta-feira, 31 de julho de 2014
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Higiene Mental Familiar
Num momento em que a prioridade é segurar o
mais possível a capacidade económica da estrutura familiar há frequentemente
uma diminuição acentuada da disponibilidade dos pais para os seus filhos, por
falta de tempo e/ou falta de paciência. Mas apesar das dificuldades serem reais, desde o início dos tempos que com menores ou maiores dificuldades sempre houve famílias mestras em pôr o afecto 'na mesa' em qualquer circunstância, pelo que a 'crise' nem sempre é desculpa. Assim, não custa lembrar que ser pai e ser mãe é profissão a
tempo inteiro e que cabe aos pais unir a família (o investimento é, primeiro, de pais para filhos), desenvolvendo os esforços
necessários para que os filhos usufruam a boa companhia dos pais e os pais da
companhia dos filhos.
Porque “perdemos” tanto tempo a falar e a pensar nas famílias
e nas crianças? Não é só porque as crianças de hoje são as mais protegidas de todos os tempos. É também porque hoje sabemos que pensar nas crianças é pensar na evolução da humanidade e
no que está para vir. Toda a saúde mental passa em primeiro lugar pela saúde
mental infantil. E no
que respeita às nossas crianças, esta higiene mental pratica-se em casa e na
escola. Sempre tendo em conta que, sem as condições emocionais minimamente satisfeitas (o que varia de caso para caso), não há possibilidade de uma boa integração e aprendizagem
na escola. Os preconceitos ditam, ainda, que muitos educadores (não todos!) pensem que as dificuldades
da criança na escola assentam em uma de duas hipóteses: incapacidade
intelectual ou preguiça do aluno. E num mundo cada vez mais competitivo é
tentador cair na ilusão de uma educação para o sucesso em detrimento de uma
educação para os afectos.
Que
se perceba que só uma árvore bem nutrida e enraizada em solo fértil dá os
melhores frutos. Uma alfabetização emocional antecede obrigatoriamente o
percurso académico. Para que as crianças integrem a leitura é necessário que
tenham tido a possibilidade de aprender a relacionar-se com o mundo, ligando
percepções, pensamentos e afectos, antes de aprender a ligar as letras. Ler à
nossa volta. Para aprenderem a fazer contas é preciso que possam “subtrair” e
“dividir” sem medo de ficarem sem nada ao sentirem que já têm pouco. Afecto,
atenção, disponibilidade.
Quando
os momentos em família se resumem a uma correria para o banho, trabalhos e
jantar, um dia após o outro, sobra pouco tempo para os laços familiares. O lazer em família deve ser
encarado com o mesmo respeito que qualquer outra tarefa do quotidiano. Porque
um passeio, um jogo de futebol, um desenho, andar de bicicleta ou um mero
ataque de cócegas de vez em quando dão força e entusiasmo às crianças para
crescer afectivamente mais estruturadas e esse é o único caminho para que mais
tarde possam enfrentar os obstáculos com a barriga cheia de amor, coragem e
confiança. As crianças precisam sentir que são importantes na vida dos seus
pais. O alimento para a alma é tão importante que todas as crianças prefeririam
passar mais tempo com os seus pais em detrimento de outros bens materiais. Uma
família unida por laços de afecto e pelo prazer em estar na companhia uns dos
outros será a força motriz para enfrentar tudo o que está para vir.
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terça-feira, 29 de julho de 2014
segunda-feira, 28 de julho de 2014
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https://www.facebook.com/pedratoque
Mas não se vão embora. Por aqui tudo continua igual. Até já!
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segunda-feira, 21 de julho de 2014
Medo e Desconforto de Pensar
Um artigo publicado pela revista Science (Just think: The challenges of the disengaged mind) revelou, entre outras coisas, que alguns inquiridos preferem auto-administrar choques eléctricos do que ficarem a sós com os seus pensamentos.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Let the Children Play
![]() |
| Finn Beales |
Deixem as crianças brincar. "Isto é um assunto muito sério". Em algum
momento esquecemos o significado do conceito 'férias'. Foi no momento em que
nos tornámos escravos do sucesso académico das nossas crianças. Em busca da
criança mais espectacular (como comprovativo dos educadores espectaculares que
somos) servimos-lhes uma cópia ao pequeno-almoço, contas de dividir ao almoço
e, com sorte, uma ficha de estudo do meio ao jantar. Deixem as crianças
brincar. Que esqueçam a tabuada mas aproveitem para contar o troco do gelado,
que esqueçam o corpo humano mas sintam os músculos cansados, que esqueçam as
dinastias mas possam visitar os castelos. Viver, em vez de decorar. Que do
Verão recordem os mergulhos, a bicicleta, o sal na pele, os golos, o cabelo
molhado, as raquetes de ténis e a boca suja de açúcar. Que não se recordem de
mais que isso. Como criamos espaço para o novo se não nos libertamos do que é
velho?
Respire-se fundo.
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Sobre o Handling à moda de Osho
Se
não exploraste o teu corpo, não saberás explorar a alma. A metodologia da
exploração é a mesma, mas começa com o corpo porque o corpo é a parte visível
da alma.
Osho
terça-feira, 15 de julho de 2014
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Do Outro Lado do Espelho
O
que nos mostra afinal um espelho? O espelho reflecte uma imagem, mas o que nós percepcionamos
dessa imagem é sempre uma interpretação pessoal e única. Ou seja, a percepção é
subjectiva. O “espelho” reflecte aquilo que queremos/conseguimos ver e, por
isso, é “mentiroso”. Às vezes mostra algo em excesso, outras, mostra por
defeito. Por vezes, entorta o que está direito mas também endireita o que está
torto. Assim, quando duas pessoas se encontram em frente a um mesmo espelho,
vêem coisas diferentes e avaliam o que vêem de maneira diferente. Como também
cada artista aborda de maneira diferente a mesma realidade ou tema na sua obra.
Não há duas percepções iguais.
Esta
ideia de subjectividade aplica-se não apenas à percepção visual mas também a
muitas outras questões que percepcionamos na nossa realidade do dia-a-dia. É
válida para a ideia-imagem que fazemos de nós próprios mas também para a ideia-imagem
que fazemos dos outros e da vida em geral. Quando fazemos um julgamento sobre
nós ou sobre os outros, nunca podemos considerar-nos juízes imparciais. E por
isso é perigoso ver as coisas a preto ou branco. Pouca coisa será verdade
absoluta no mundo e particularmente nas relações entre as pessoas onde cada um
pensa e interpreta as situações consoante as suas “lentes”. Em última análise,
o que é isso da realidade senão a nossa interpretação? Quantas vezes nos
apercebemos de que a nossa visão das coisas difere daquilo que os outros pensam?
Até as noções de certo ou errado são referenciais que variam muito de pessoa
para pessoa. Na verdade, dificilmente podemos pretender ver a realidade nua e
crua, livre de leituras subjectivas, de opiniões intoxicadas ou de lentes
embaciadas.
Porém,
o que faz de nós quem somos reside também nessa visão única que temos do mundo
e das coisas. É dessa riqueza que nasce ao vermos o mundo de forma diferente
que se faz a massa humana. É por pensarmos todos de forma diferente que nascem
as mais belas ideias. Podemos não ser capazes de apreender a realidade tal e
qual como ela é mas ter esta consciência torna-nos mais livres para poder um
dia ver as coisas de outra perspectiva, para espreitar por detrás do espelho e procurar
se lá se esconde uma outra verdade. Torna-nos também capazes da grande
faculdade de ouvir os outros, de aceitar outras realidades e outros sentires.
De valorizar aquilo que, apesar de nos ser estranho, até pode fazer sentido. Do
outro lado do espelho, para lá daquilo que vemos, está então aquilo que nem
sempre conseguimos ver: um mundo inteiro de outras possibilidades à nossa
espera.
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Metáforas Deliciosas
lembra
daqueles termómetros que usávamos na boca
quando
eramos pequenininhos?
lembra
da queda deles no chão?
então,
acho que o amor quando aparece
é
em tudo semelhante à forma física do mercúrio no mundo
quando
o vidro do termómetro se quebra
o
elemento químico se espalha
e
então ele fica se dividindo pelos salões de todas as festas
mercúrio
se multiplicando
acho
que deve ser isso uma das cinco mil explicações possíveis para o amor
(Matilde
Campilho, fevereiro)
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Com Cinco Sentidos
![]() |
| ilustração de Justine Brax |
Foram-nos
dados cinco sentidos. Cinco instrumentos maravilhosos sem os quais seria muito
mais difícil relacionarmo-nos com o mundo. São, todos eles, ferramentas
relacionais e, sendo nós “animais relacionais”, quanto melhor usamos essas
ferramentas, mais integrados nos sentiremos. A pergunta que se coloca é: desses
cinco sentidos, com quantos verdadeiramente vivemos a nossa vida?
Olhamos,
mas olhar é diferente de ver. Ver é olhar com interesse e com presença. Estando
verdadeiramente ali. Observar os detalhes do mundo é uma forma de viver o
momento presente, retirando o foco da nossa atenção do passado e do futuro. Ver
o céu, o mar, as árvores. Ver as pessoas.
Precisamos
de escutar, que é diferente de ouvir. Escutar é ouvir com atenção, com
disponibilidade e com abertura de espírito. Parar de priorizar todas as
emoções, pensamentos, crenças e/ou preconceitos com que recebemos, a priori, tudo o que ouvimos. Tudo isso
que carregamos connosco satura-nos o espaço mental de tal forma que não somos
capazes de escutar mais nada. Para escutar é preciso ter espaço dentro de nós
para acolher aquilo que estamos a ouvir. Seja música, seja a palavra do outro
ou as nossas próprias palavras.
Precisamos
de usar bem o nosso tacto. Usá-lo para sentir, que é diferente de tocar. Somos
seres de pele, o órgão mais sensível que temos. Tocar as plantas, os animais, receber
essa energia que arrepia, sentir o frio e o calor, o suave e o áspero, que nos
produzem emoções distintas (ora agradáveis ora desagradáveis) mas que por isso
mesmo nos fazem sentir vivos. Sentir o outro. Abraçar.
Precisamos
de cheirar. O cheiro é armazenador e despoletador de memórias e, por isso, tão
relacional como todos os outros sentidos. Cheirar a terra molhada, a relva
cortada, as flores, o mar, o fumo dos carros ou das chaminés, o cabelo dos
nossos amores e as sardinhas assadas.
Também
precisamos de saborear, que é diferente de comer. Saborear é desfrutar, com
prazer. Sem pressa nem avidez. Com tranquilidade e presença. Saborear o
alimento ou saborear um beijo (que também alimenta).
E
eventualmente, se quisermos falar de um sexto sentido, talvez pensar que só se
possa desenvolver se usarmos em pleno os outros cinco. Se vivermos com
presença, com atenção e disponibilidade para o mundo – sabendo ver, escutar, sentir, cheirar e
saborear os momentos e as pessoas. Só assim podemos eventualmente aceder a
algum tipo de insight a que podemos,
então, chamar de intuição.
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segunda-feira, 23 de junho de 2014
Matilde Campilho
Há neste planeta chamado Terra uma mulher com
ar de menina que tem uma sensibilidade de outra galáxia e uma maneira deliciosa
de a verter para palavras. Tem um videopoema que diz:
"É terrível a existência de duas rectas paralelas
Porque
elas nunca se cruzam
E elas
apenas se encontram no infinito"
E então eu digo ainda bem que não foi preciso esperar pelo infinito para a encontrar. Abençoadas as perpendicularidades da minha vida!
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Pedrinha (Das Separações e das Zangas)
Na
última sessão, três meses depois, Celina (11 anos) repetia para o pai sem o
olhar: “Não gosto de ti! Não te quero ver!”.
Eu
intervenho com a tradução latente, para o pai: “ A Celina não quer ver, não
porque não gosta, mas porque gosta mesmo muito do seu pai!...”
O
tom afirmativo e seguro da minha voz ajudou Celina a aceitá-lo. Fica muito
menos tensa e caem-lhe lágrimas em silêncio.
O
pai, que era de facto um homem inteligente e seguro, colabora de modo
excelente. Após um silêncio pergunta-lhe suavemente quando pode ir buscá-la a
casa para lancharem juntos.
Esta
responde: “Lá para Novembro!” (estamos em Agosto). Numa intuição notável, o pai
insiste: “Então talvez logo às cinco da tarde…” – “Bem, não sei! Não sei se
tenho compromissos. Tenho que perguntar à mãe se posso.”
Já
que a mãe e a terapeuta consentem este amor, ele não é mais causa de sofrimento.
Saio do gabinete e deixo-os a combinar pormenores.
Teresa Ferreira in A Defesa da Criança
terça-feira, 17 de junho de 2014
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Liberdades e Libertações
No dicionário, a definição de liberdade aponta para: “Direito ou
condição de alguém dispor de si, de fazer ou deixar de fazer alguma coisa.
Condição de homem livre. Independência.” É um conceito filosófico que norteia e
simultaneamente intriga a humanidade desde sempre por ser tão fácil perceber
que a ideia de liberdade tem limites e
limitações. O Homem que vive em sociedade sabe que não pode
ser absolutamente livre. Pelo menos no que respeita às normas de conduta e aos
deveres a que não pode fugir. São limites da realidade.
Então de novo olhamos para a filosofia, para
a psicologia e para a psicanálise que, abordando outros vértices da ideia de
liberdade, nos ensinam sobre a “liberdade de ser”. E ensinam-nos sobre ser
autêntico, ser espontâneo, ser eu mesmo independentemente da vontade dos
outros. Falam-nos da liberdade de não assumir uma identidade que não me
pertence unicamente para agradar ao(s) outro(s). Contam-nos sobre o poder de
encontrar a minha própria verdade, pois é a procura
da verdade que nos liberta (sejam verdades sobre nós, sobre os outros, ou sobre
o mundo). O caminho explica-nos que conhecimento é também liberdade. Querer
ser livre de saber e querer saber para ser livre.
Nesta linha, já Descartes dizia que age com mais liberdade quem melhor
compreende as alternativas que antecedem a escolha. E assim, só quem teve a
possibilidade de tactear os vários caminhos possíveis poderá escolher
livremente por onde seguir, quem ser e o que fazer da sua vida. Se sentirmos
que podemos traçar o caminho que quisermos, podemos escolher mais livremente,
de acordo com o nosso desejo. Só nosso. Por outro lado, quando somos
doutrinados desde cedo, quando alguém nos aponta sistematicamente o caminho,
não há outra verdade para além daquela que nos é injectada. Vejam-se os regimes
ditatoriais, que impregnam a mente alheia de dogmas que impedem os indivíduos
de escolher outras alternativas. Não concebem a possibilidade de poder ser,
pensar e fazer diferente. É a total ausência de liberdade. É o pensamento
escravizado logo desde que nasce e que bloqueia à partida toda a expansão da mente.
E perante todos os condicionamentos envolventes,
os limites tornam-se limitações. Estas, se não devidamente questionadas, podem
passar despercebidas toda uma vida. Padrões de funcionamento/pensamento
vincados em nós que nos dão a ilusão de sermos livres quando, em boa verdade,
somos escravos de nós mesmos, sem o sabermos. Portanto podemos dizer que nunca seremos totalmente livres enquanto a
causa/origem dos nossos comportamentos permanecer tantas vezes desconhecida.
São dados excluídos da consciência e aos quais só conseguimos ter acesso depois
de superadas determinadas defesas e resistências (também elas na maioria das
vezes inconscientes).
Contudo, a beleza de tudo isto é que estas
limitações são mais fáceis de ultrapassar do que os limites da realidade (que
nos ultrapassam). Só dependem de nós. Somos nós que nos amarramos a nós mesmos. E quanto mais e melhor conhecermos a nossa verdade
interior, menos escravos seremos dos nossos medos, das nossas crenças, dos
nossos bloqueios. Seremos mais livres dos nossos traumas e das nossas defesas.
E só assim se faz o caminho para uma maior liberdade de ser. Essa, uma vez conquistada, ninguém nos pode tirar. Será, no fim de
contas, a mais nossa, única, e a mais importante de todas.
domingo, 8 de junho de 2014
Retomada do Amadurecimento
segunda-feira, 2 de junho de 2014
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Vai-te embora, ó medo!
Não
são apenas as crianças que têm medos. O medo é uma emoção humana transversal a
todas as idades e, uma vez ultrapassados os medos do escuro, da trovoada e das
figuras monstruosas do imaginário infantil, podem surgir de outra forma, mais
relacionados com a realidade e com o dia-a-dia nas nossas vidas.
O
medo é por demais evidente quando o nosso organismo reage. Dependendo da
intensidade desse medo, podemos simplesmente sentir um aperto do estômago ou
uma necessidade de respirar fundo, mas também é possível que sintamos disparos
do coração e alterações na respiração culminando, no limite, naquilo que
chamamos um ataque de pânico. O suor pode inundar a pele e podemos sentir dor
em diversas partes do corpo. O medo é visceral e será talvez a mais antiga
emoção humana, por vezes útil, sinalizando o que é perigoso fazer e evitando
desgraças maiores. Foi fundamental para a preservação da espécie e na sua
ausência provavelmente estaríamos extintos há milhares de anos.
Por
outro lado, o excesso de medo pode bloquear-nos a possibilidade de viver coisas
boas. Por medo de sofrer consequências dolorosas (físicas ou psicológicas) podemos
tornar-nos incapazes de muita coisa. Muitas pessoas deixam de ser elas próprias
por medo de não serem gostados tal e qual como são. Outros não se ligam a
ninguém por medo de sofrer mais tarde uma decepção ou abandono. Por outro lado,
estar sempre acompanhado também pode ser uma reacção ao medo, medo de estar só
e de tomar conta de si mesmo. Há quem se recuse a aventurar-se em projectos
pessoais por medo que não corra bem. Sonhos são engavetados e esquecidos.
Os
medos nem sempre são conscientes, ou seja, por vezes não nos sentimos ansiosos
nem a nossa barriga se aperta, mas usamos racionalizações para justificar
porque é que não saímos da nossa zona de conforto. Dizemos: “não me dá jeito”,
“não ligo muito a essas coisas”, “não me interessa”, “estou bem assim”, “não
quero assim tanto”. Por trás, inconscientemente, espreita a verdade escondida,
um medo que não nos deixa avançar e arriscar. O medo do erro, do fracasso, da
punição, da dor, do abandono, da solidão ou da morte, são angústias humanas que
condicionam muitas vezes o caminho que escolhemos. Ou que não escolhemos. O
medo leva-nos a fugir. Ficar quieto também é fugir. E fugir pode ser bom, se isso
nos proteger de um perigo, mas será mau se nos afastar de experiências e vivências
importantes. Há muitas perguntas para as quais não temos resposta. Irá correr
bem? Devo ir por aqui ou por ali? Estou a fazer as coisas da forma certa?
Pensar e questionar não é o problema, pelo contrário. O problema é quando o
medo das respostas não nos deixa abraçar as interrogações com coragem e, assim
sendo, por medo de viver, não vivemos de todo.
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