Transformação é a palavra-chave. Na vida ou há desenvolvimento ou instala-se a decadência. O estacionamento é uma ilusão. Nas palavras de Cervantes, “A estrada é sempre melhor que a estalagem” (António Coimbra de Matos)
terça-feira, 1 de abril de 2014
sábado, 29 de março de 2014
Pedrinha (Sobre a Psicanálise)
As pessoas muitas vezes questionam-se se a psicanálise torna
a vida mais fácil. Muito naturalmente, elas desconfiam de qualquer coisa que
afirme isso. A psicanálise, além de ser um processo doloroso em si mesmo, não
altera o facto de que a vida é difícil. O melhor que pode acontecer é a pessoa
que está a ser analisada, vir gradualmente a sentir-se cada vez menos à mercê
de forças desconhecidas, tanto internas quanto externas, e cada vez mais capaz
de lidar à sua própria maneira com as dificuldades inerentes à natureza humana,
ao crescimento pessoal e à gradual obtenção de um relacionamento maduro e
construtivo com a sociedade.
Donald Winnicott
quinta-feira, 27 de março de 2014
segunda-feira, 24 de março de 2014
O Bicho Verde
Há
três conceitos que por vezes se confundem: ciúme, cobiça e inveja. Mas ciúme, é não
querer perder o que se tem, cobiça é querer o que o outro tem, e inveja é não
querer que o outro tenha. Esta deriva do latim invidia, que quer dizer “olhar com malícia”, o que explica a crença popular do “mau-olhado”. Traduz-se como: “eu até posso nem ter nada desde que tu também não tenhas.”
Dos três, talvez a inveja seja o mais
difícil de admitir. É difícil de
admitir porque remete para um desejo que não tem directamente relação
comigo ou com algo eu gostaria de manter (ciúme) ou ganhar (cobiça), mas sim com
aquilo que eu desejo que o outro perca. Talvez a inveja seja profundamente difícil de
admitir porque a maioria tem alguma vergonha de reconhecer que retira prazer da
desgraça alheia. Além disso, a
cultura judaico-cristã penaliza severamente a inveja. Considera-a um pecado
capital, embora seja talvez o único pecado que na realidade é totalmente inútil,
ao contrário da gula ou da luxúria. Com a gula e com a luxúria eu tenho algum
tipo de prazer. Com a inveja, pelo contrário, apesar de poder sentir um gozo imediato
perante as perdas dos outros, na maioria das vezes, isto é, no dia-a-dia, sinto
ódio das suas vitórias. Não só das conquistas alheias se tem inveja pois, por vezes, a simples paz de espírito ou serenidade de alguém
pode ser motivo de inveja, mesmo que não possua nada mais que isso.
Porque se inveja,
então? Há quem nem o saiba, porque a inveja pode estar mais
ou menos consciente (creio que muitas pessoas escondem habilidosamente de si
mesmas que invejam os outros), mas é alimentada por sentimentos de
inferioridade e insegurança, sensação de abandono ou injustiça, sensação de incapacidade,
vazio interior, frustração, como se fossem afluentes de um grande rio composto
de egoísmo, raiva e ódio, em diferentes medidas. Por vezes, é tão dissimulada
ou mesmo inconsciente que nem é expressada de forma directa ou evidente,
contudo, sentimos um mal-estar em certa presença, um olhar estranho ou um tom de voz incoerente. Também aparece sob a forma de bisbilhotices, críticas (normalmente destrutivas) ou conselhos
traiçoeiros.
Quem inveja, sofre, mesmo que não o saiba ainda. É uma espécie de
amargura invasiva, qual veneno que corre nas veias, e possui um carácter
destrutivo, não para os outros mas principalmente para o próprio, que azeda,
mirra e definha. Admitir a inveja será uma confissão de inferioridade pois o mecanismo responsável é a comparação
sistemática entre a pessoa e os outros, comparação, essa, em que a pessoa se
sente sempre em plano inferior. No fundo, quanto menos me basto a mim próprio,
mais olho para os outros. Quanto menos satisfeito estou com a minha vida, mais
observo a vida dos outros. Logo, quanto maior for o vazio, maior a inveja e por
isso o melhor remédio contra ela é ter uma vida cheia de nós próprios,
construir um destino que nos preencha e sermos plenos de amor-próprio, pois só
quem se ama a si mesmo poderá amar o próximo.
quinta-feira, 20 de março de 2014
terça-feira, 18 de março de 2014
Fugas
Abandona o bulício urbano por um dia que seja. Repara como longe do ruído é mais fácil escutar o que diz a tua alma. Todos os dias a voz cá dentro tenta dar-nos recados que não ouvimos.
- Fala agora. Tenho tempo e não há barulho. Estou aqui.
Abandona o bulício urbano por um dia que seja e, de preferência, escolhe um local onde o teu olhar se possa espraiar. Contempla.
- O que vês?
- Possibilidades infinitas.
- Fala agora. Tenho tempo e não há barulho. Estou aqui.
Abandona o bulício urbano por um dia que seja e, de preferência, escolhe um local onde o teu olhar se possa espraiar. Contempla.
- O que vês?
- Possibilidades infinitas.
quarta-feira, 12 de março de 2014
segunda-feira, 10 de março de 2014
Penso, logo Existo
![]() |
| Le Penseur - Auguste Rodin |
“Penso, logo
existo”, disse Descartes. O pensamento será talvez a função mais distintiva da
espécie humana. O acto de pensar é o que nos confere existência, pois mesmo
quando impedidos de falar ou agir, a possibilidade do pensamento ainda nos
salvaguarda uma identidade e uma mente que funciona produtivamente. Assim, em
primeiro lugar, a capacidade de pensar implica que sabemos mais ou menos quem
somos, ou pelo menos, que estamos a caminho da nossa verdade. O que pode ser
assustador. Pensar sobre as coisas (as nossas, as dos outros, as boas, as más,
as que já foram e as que estão por vir) conduz-nos por vezes a caminhos de
dúvida, sofrimento e angústia. Pensar implica também suportar algumas questões
que ficam e ficarão sempre sem resposta.
Entre nós, seres
humanos, uns seremos possuidores de uma personalidade mais analítica,
utilizando a função do pensamento sem hesitar, enquanto outros não pensam muito
ou não pensam de todo, quer porque não conseguem ou porque simplesmente não
querem. São pessoas que preferem levar a sua vida sem questionar muito os
“porquês” e os “comos”. É que viver praticando a análise de nós mesmos, dos
outros e do que nos envolve, é um processo simultaneamente gratificante e
frustrante. E embora seja o único caminho que produz expansão e evolução, para
alguns a ansiedade que a reflexão despoleta é absolutamente insuportável.
Mas atenção: há
uma confusão frequente entre pensamento e ruminação. Pensamento não significa
perder dias a ruminar no mesmo assunto, em loop mental e sem sair do mesmo sítio.
Pensamento é tentar procurar outra compreensão, ver de outra forma. Pensar é
questionar, é algo criador e transformador, um processo que permite andar para
a frente em vez de ficar estagnado no mesmo lugar. Mas por vezes, o que dói é
precisamente sair desse local tão familiar e pôr em causa tudo aquilo que era
dado como adquirido. Recordamos Florbela Espanca que, no seu poema Rústica, dá voz a um desejo
quase infantil de poder ser uma mulher de pensamento mais simples e de alegrias
banais: “Ser
a moça mais linda do povoado./ Pisar, sempre contente, o mesmo trilho(…) Deus, dai-me esta calma, esta
pobreza!/ Dou por elas meu trono
de Princesa,/ E todos os meus
Reinos de Ansiedade.” Pisar todos os dias o mesmo trilho, sem
grandes preocupações, podendo encontrar nessa rotina mecânica a tranquilidade e
a satisfação, era o que desejava Florbela. Porém, pese embora os seus “reinos
de ansiedade”, Florbela teria, em simultâneo, noção da “pobreza” desta
existência.
Se para uns é
suficiente comer, trabalhar e dormir, para outros pensar é uma função
incontornável. Queiramos ou não, somos dotados de um “aparelho de pensar” e se
essa função foi estimulada durante o nosso desenvolvimento, dificilmente
podemos fugir da consciência que em nós cresceu e habita. Por outro lado, a verdade é que fugir do acto de pensar não é melhor solução. É como se,
cá dentro, soubéssemos intuitivamente certas coisas que não queremos
reconhecer. E assim, mesmo não pensando de forma consciente, deliberadamente, a
verdade encontra forma (por vezes mais violenta) de irromper pela nossa vida,
muitas vezes abrindo caminho pelo adoecer do corpo. Porque pensar é procurar a
verdade. E a verdade, por mais que doa, vem sempre ao de cima.
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terça-feira, 4 de março de 2014
Pedrinha (Existo porque fui amado)
O que promove, orienta e suporta a
relação é o bonding (ligação) da mãe ao filho e não o attachment (vinculação)
do bebé à mãe. A relação é, predominantemente, da responsabilidade do animal
alfa. De igual modo, na cura psicanalítica obedecemos à regra da precessão e
primazia do investimento do analisando pelo analista. Este é um dos princípios
basilares da arte e da técnica.
António
Coimbra de Matos (in Vária. Existo porque fui amado)
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Perguntas Difíceis
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domingo, 23 de fevereiro de 2014
Experiência
Student: "What do I do to become
wise?"
Guru: "Make good choices"
Student: "How do I make good choices?"
Guru: "Experience"
Student: "How do I get experience?"
Guru: "Bad choices"
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Doente, certamente!
O
medo constante de ficar doente e a interpretação de sensações naturais do
organismo como sinais de uma doença grave são os principais indícios que
caracterizam a hipocondria. Mas, para lá do medo de ter uma doença
física, existe sobretudo uma certeza profunda de estar doente, baseada na
interpretação exagerada dessas percepções corporais banais. De médico em
médico, nem uma ou mesmo várias opiniões clínicas favoráveis serão suficientes
para eliminar esta ansiedade, que assume uma dinâmica que se
aproxima da paranóia.
Sendo uma
perturbação ligada à ansiedade, reflecte uma angústia que, não conseguindo ser
pensada e entendida, se reverte no próprio corpo. O sujeito sente uma espécie
de pânico perante sensações corporais exageradas, mas naturalmente não é capaz
de entender que esse pânico tem raízes inconscientes, que não se relacionam com
o seu corpo. Há muito se sabe que o corpo não se reduz ao orgânico e que é a
dimensão relacional do sujeito que sustenta afinal todas as funções da vida.
Lembramo-nos dos bebés. Antes da aquisição da linguagem e domínio
da palavra, ou seja, antes da aquisição do pensamento propriamente dito, os
bebés expressam-se através do corpo. Contudo, usar o corpo como veículo de
comunicação, mesmo sendo um recurso primitivo, também acontece em pessoas
adultas. Como entender então a génese da capacidade de pensar com a
mente e não com o corpo?
É
a mãe o nosso primeiro “aparelho pensante”. A mãe pensa por nós aquilo que inicialmente
não conseguimos pensar (porque o nosso desenvolvimento ainda não nos permite).
Aqui, se não há uma resposta adequada (empática, contentora e tradutora da ansiedade, afectiva), os elementos
sensoriais, emocionais e tónico-posturais podem ficar desligados entre si e
constituir-se como elementos estranhos e não integrados no pensamento. Estes
elementos passam assim a manifestar-se ilogicamente, sob a forma de uma
inquietação sem nome. No entanto, uma justificação deste género não sossegaria
também o hipocondríaco. A sua convicção é inabalável. Centrado nas suas
queixas, procura a confirmação das suas certezas, até porque não suporta a
incógnita, a angústia do desconhecido e a ambivalência da dúvida.
Sabendo
que é através das incógnitas que nos desenvolvemos e evoluímos (ao procurar
saber mais), diríamos que o
hipocondríaco fica fechado no seu espaço saturado, repetitivo, numa espécie de
ruminação. Pode adiantar-se, assim, que se revela um défice na capacidade de
pensar, não só desde o início da história do seu pensamento mas que se perpetua
pela incapacidade de desbloquear a angústia invasiva, impeditiva da expansão
mental. É, felizmente, possível atenuar o funcionamento hipocondríaco, fundamentalmente através do desenvolvimento de uma relação de confiança e posteriormente da criação da "função pensante" que ficou em suspenso algures lá atrás. Em psicoterapia, através de uma passagem progressiva do “Eu corporal”
para o "Eu pensante”, procurar-se-á dar um novo sentido a estas angústias, que
impedem o bem-estar e a possibilidade de viver uma vida mental, relacional e
social satisfatória.
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
O Elefante Acorrentado
"Quando eu era pequeno, adorava o circo e
aquilo de que mais gostava eram os animais. Cativava-me especialmente o
elefante que, como vim a saber mais tarde, era também o animal preferido dos
outros miúdos. Durante o espectáculo, a enorme criatura dava mostras de ter um
peso, tamanho e força descomunais… Mas, depois da sua actuação e pouco antes de
voltar para os bastidores, o elefante ficava sempre atado a uma pequena estaca
cravada no solo, com uma corrente a agrilhoar-lhe uma das suas patas. No
entanto, a estaca não passava de um minúsculo pedaço de madeira enterrado uns
centímetros no solo. E, embora a corrente fosse grossa e pesada, parecia-me
óbvio que um animal capaz de arrancar uma árvore pela raiz, com toda a sua
força, facilmente se conseguiria libertar da estaca e fugir.
O mistério continua a parecer-me
evidente.
O que é que o prende, então? Porque é
que não foge?
Quando eu tinha cinco ou seis anos,
ainda acreditava na sabedoria dos mais velhos. Um dia, decidi questionar um
professor, um padre e um tio sobre o mistério do elefante. Um deles explicou-me
que o elefante não fugia porque era amestrado.
Fiz, então, a pergunta óbvia:
— Se é amestrado, porque é que o
acorrentam?
Não me
lembro de ter recebido uma resposta coerente. Com o passar do tempo, esqueci o
mistério do elefante e da estaca e
só o recordava quando me cruzava com outras pessoas que também já tinham feito
essa pergunta. Há uns anos, descobri que, felizmente para mim, alguém fora tão
inteligente e sábio que encontrara a resposta:
O elefante do circo não foge porque
esteve atado a uma estaca desde que era muito, muito pequeno.
Fechei os olhos e imaginei o indefeso
elefante recém-nascido preso à estaca. Tenho a certeza de que naquela altura o
elefantezinho puxou, esperneou e suou para se tentar libertar. E, apesar dos
seus esforços, não conseguiu, porque aquela estaca era demasiado forte para
ele. Imaginei-o a adormecer, cansado, e a tentar novamente no dia seguinte, e
no outro, e no outro… Até que, um dia, um dia terrível para a sua história, o
animal aceitou a sua impotência e resignou-se com o seu destino. Esse elefante
enorme e poderoso, que vemos no circo, não foge porque, coitado, pensa que não
é capaz de o fazer. Tem gravada na memória a impotência que sentiu pouco depois
de nascer. E o pior é que nunca
mais tornou a questionar seriamente essa recordação. Jamais, jamais tentou pôr
novamente à prova a sua força."
Jorge Bucay in “Deixa-me que te conte. Os contos que me ensinaram a viver”
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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Pedrinha (Do dito e do não-dito)
Nas relações intersubjetivas, as palavras não substituem nem alternam com as ações, mas fazem parte do reportório das ações. Nas relações interpessoais o que existe são trocas íntimas coloridas, ou trocas superficiais, em que a forma e o momento da troca são tanto ou mais importantes que a própria mensagem. Assim a mãe/pai que proclama um imenso amor pelo seu bebé, mas que - ao mesmo tempo - o mantém numa postura inapropriada, que não o olha e lhe fala num tom agressivo, evidencia no processo relacional duas ações contraditórias. Por um lado, na ação explícita declara que ama a sua criança, mas na ação não- verbal implícita exprime uma rejeição dessa mesma criança. A unidade mente/corpo e a relação implicam assim tanto os sentimentos e as emoções quanto as cognições, tanto os movimentos do corpo como as ações concretas. São assim os encontros intersubjetivos apreendidos na interface da teoria da relação, da neurociência e da biologia.
António Mendes Pedro
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
O conflito de gerações
Há
algum tempo a capa da revista Time apresentou-nos
a “Me Me Me Generation”,
categorizando a juventude actual como extremamente narcísica, individualista e
egocêntrica. Rapidamente se instalou a polémica perante essa capa que correu o
mundo. Em defesa dos jovens se diga que, por exemplo, é mais comum desenvolverem
comportamentos pró-ambientais do que um indivíduo de 50 ou 60 anos. Sendo o
planeta responsabilidade de todos, quem serão os mais individualistas? Há na
juventude, claramente, narcisismo e egocentrismo ‒ o que é diferente de individualismo. É
que os dois primeiros estão intimamente ligados ao processo de crescimento: narcisismo,
porque a identidade própria está em construção e necessita de ser reafirmada; egocentrismo,
porque a imaturidade torna difícil entender as coisas sob outros e diferentes pontos
de vista que não o próprio. Mas individualismo, atitude de não se preocupar com
os outros, será uma acusação injusta, pois se há coisa que caracteriza a
adolescência é a sensibilidade social e a busca de justiça. Vendo bem, quantos
adultos não são igualmente narcísicos e egocêntricos, tendo ficado suspensos no
seu caminho de crescimento pessoal?
Acusações
mediáticas à parte, há sempre tensão entre gerações. É com frequência que
opiniões públicas ou privadas a denegrir as gerações mais novas se fazem ouvir.
Porque se atacam tanto os jovens? Que os jovens possam criticar os “velhos” até
se entende, já que são eles os “miúdos”, inexperientes e justiceiros, para quem
é tão fácil apontar o dedo. Que os adultos respondam na mesma linguagem é que se
torna mais difícil de entender, pois deveriam ter algum entendimento sobre o
que ficou para trás. Será tão fácil esquecer o quanto as gerações sempre
chocaram entre si? Será tão difícil lembrar como os jovens de antigamente
também se diferenciaram dos seus pais? Tudo o que é diferente é estranho, mas
não necessariamente mau. O futuro o dirá.
Todas
as gerações são diferentes das gerações que as precederam. Se o mundo está em permanente
transformação como poderia ser de outra maneira? A verdade é que o ser humano
tem alguma dificuldade em responsabilizar-se pelo que acontece em seu redor mas
somos nós quem define a direcção em que se move o mundo. Para falar sobre
jovens, teremos de sempre de falar um pouco sobre quem foram os pais dos jovens
e de que cultura de valores foi criada para eles, seja em que época for. Se não
gostamos dos jovens que criámos teremos sempre de fazer um mea culpa sobre o mundo que construímos para eles.
Pedrinha (Dos afastamentos)
“De
repente, ela pôs-se a falar e o que dizia não fazia nenhum sentido. Deixei-a
falar e quando se silenciou novamente, perguntei-lhe o que é que me quisera dizer.
Ela baixou o rosto e disse: “Não era nada mesmo. Falei qualquer coisa porque
havia muita intimidade no silêncio. Falei para te afastar, para pôr uma
distância entre nós.”
Ilustração Clínica (por Elsa Oliveira
Dias)
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